Caridade e justiça

Quais são as regras para praticar a virtude da justiça?

Todos precisam compreender que a prática da justiça é caminho para a santidade

É evidente que as pessoas religiosas são obrigadas a praticar a justiça com perfeição e delicadeza, muito mais do que as pessoas nos ambientes seculares: é dever de todo cristão dar bom exemplo de honradez e demais virtudes. Fora isso, seria escandalizar o próximo e dar motivos de calúnias para os adversários. Seria também colocar obstáculo ao progresso espiritual de si e dos outros. O Deus de toda justiça não pode admitir os que violam os seus mandamentos formais sobre justiça.

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Foto Ilustrativa: shapecharge by Getty Images

Aplicação da virtude da justiça

a) O primeiro direito a ser respeitado é o de propriedade, no que se refere aos bens temporais. Evitar os roubos, mesmo que minúsculos, pois eles nos conduzem a maiores injustiças. Evitaremos os roubos cometidos no comércio, onde se pratica a fraude sobre a qualidade e quantidade das mercadorias, usando a desculpa de que os concorrentes fazem o mesmo. Vender a preço exagerado ou forçar compra por preços irrisórios, abusando de outrem. A pessoa justa tem horror de contrair dívidas que não pode pagar. E se as contraiu, terá a honradez de saldá-las o quanto antes.

Ao pegar um objeto emprestado, terá em maior conta esse do que os próprios, sem esquecer de os devolver logo que seja possível. Quantos furtos inconscientes são cometidos quando se despreza essa precaução!

Causado algum dano a outro, é dever de justiça repará-lo. Se foi involuntário, não há esse dever estrito, mas aqueles que aspiram a perfeição o farão quanto lhe permitirem os recursos. Se receber algum recurso financeiro para a evangelização ou boas obras, é preciso tomar todas as precauções legais, para que, em caso de morte súbita ou mudança de cargo ou trabalho, serem bem empregadas as somas, segundo as intenções dos doadores.

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b) Não é menos necessário respeitar a reputação e honra do próximo. Evitar os juízos temerários sobre o próximo: condenar por aparências ou motivos fúteis, sem conhecer a fundo as intenções. É usurpar o direito de Deus, único juiz supremo dos vivos e dos mortos. Condenar sem ouvir nem conhecendo os motivos secretos das ações, muitas das vezes sob o império de preconceitos ou de alguma paixão pessoal.

A justiça e a caridade exigem que nos abstenhamos de julgar, e interpretemos, o mais favoravelmente possível, as ações do próximo. Devemos, com todas as forças, abster-nos da maledicência, que manifesta aos outros as faltas ou defeitos, até então, secretos ao próximo, mesmo sendo reais os defeitos. Enquanto não são de domínio público, não os podemos revelar. Ao fazer maledicência, contristamos aquele de quem mal falamos, denegrimos a sua estima nos demais, enfraquecemos a possibilidade da pessoa gerir seus defeitos e limites no julgamento dos demais. Causamos, muitas vezes, prejuízos irreparáveis. Esse, cujas faltas foram espalhadas, já tem usurpado o direito à boa fama.

É fundamental ter sempre diante de si o ensinamento de Jesus: “Quem dentre vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra”. E agir como os santos que, em tudo, procuravam ser misericordiosos. Evitando a maledicência, estaremos mais seguros de não ter praticado a calúnia, que seria a divulgação, muitas das vezes mentirosas, de defeitos que a pessoa talvez nem as tenha ou de faltas que não tenha cometido. Isso, muitas vezes, é inspirado pela própria maldade ou inveja. Infelizmente, essas notícias correm mais rapidamente de boca em boca, prejudicando a pessoas, muitas das vezes, nos seus relacionamentos de trabalho. Aliás, movidos mesmos pela própria inveja que não divulgamos os bons hábitos e atitudes virtuosas de outros.

Viva diariamente a justiça e a caridade

É, pois, dever estrito reparar as maledicências e as calúnias. Mesmo que isso exija a própria humilhação. Porém, a retratação apaga somente a injustiça cometida. Mas a mentira, ainda que desdita, deixa, muitas vezes, vestígios indeletáveis.

Esses motivos descritos acima são suficientes para que aqueles que aspiram a perfeição cultivem a virtude da justiça juntamente com o da caridade, que, fazendo-nos ver Deus no próximo, leva-nos a evitar solicitamente tudo quanto o possa contristar.


Roger de Carvalho

Roger de Carvalho, natural de Brasília – DF, é membro da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Casado com Elisangela Brene e pai de dois filhos. É estudante de Teologia e Filosofia.
Autor do blog “Ad Veritaten“.

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