Virtude da justiça

Qual é o sentido que devemos dar à justiça na nossa vida?

O que nos diz a virtude da justiça?

Na Sagrada Escritura, a justiça significa o conjunto das virtudes cristãs. Seria a santidade vivida, praticada, mas, no sentido que vamos aqui tratar, significa dar ao outro aquilo que lhe é seu por direito.

É uma virtude que reside na vontade e regula nossos deveres para com o próximo, diferente da caridade, que nos inclina a ver o outro como um irmão em Cristo.

Qual é o sentido que devemos dar à justiça na nossa vida

Foto Ilustrativa: cancaonova.com

A justiça faz reinar a ordem e a paz tanto na vida individual como na vida social. Precisamente, porque respeita os direitos de cada um, faz reinar a honradez nos negócios, reprime a fraude, protege os direitos dos pequenos e humildes, refreia as rapinas e injustiças dos fortes, e assim estabelece a ordem na sociedade. Sem ela, seria a anarquia, a luta entre os interesses rivais, a opressão dos fracos pelos fortes, o triunfo do mal.

O que é ser sábio?

Com a ajuda do Espírito Santo, infundindo essa virtude em nós, somos inabaláveis e inacessíveis à corrupção. Lembrando que a marca de uma pessoa sábia, é o fato de ela ser uma pessoa que não se corrompe nem pelo poder, pelo dinheiro nem por medo.

Com a virtude da justiça, temos tanto cuidado pelo outro, que nos causa horror, não somente a injustiça propriamente dita, mas até as menores indelicadezas.

Compreenda as espécies de justiça

Existem duas espécies de justiça: a geral, que nos prescreve dar a sociedade o que lhe devemos, e a individual, que nos remete a um indivíduo.

A primeira também se chama de justiça legal, pois se trata na observância de leis e de pôr em prática os compromissos que temos para com a sociedade como um todo. Nela, reconhecemos os benefícios e os encargos legítimos de se viver em sociedade. O bem comum se sobrepõe ao bem próprio e individual, sendo assim, a justiça está em renunciar ao próprio bem pelo bem da sociedade. Vale aqui lembrar que não é obrigatório nem lícito obedecer leis que sejam injustas, ou seja, que sejam contra o direito natural.

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Ao mesmo tempo, a sociedade tem igualmente deveres para com os seus indivíduos: distribuir bens e encargos de acordo com as capacidades de cada cidadão, levando em conta as regras da equidade. Deve proteger seus cidadãos, fornecer-lhe os atendimentos básicos com excelência, assim como se deve à dignidade humana.

A que se chama de justiça particular, regula os direitos e deveres dos cidadãos entre si. Deve respeitar o direito a propriedade, o bem do corpo, da alma, da vida, liberdade, honra e fama.

Trata-se de uma virtude que se adquire tanto pelo treino como também de modo sobrenatural. O treino se faz no esforço humano e pessoal de buscar a justiça em todas as ocasiões que se apresentam a si. Ajuda abundantemente o estudo da moral.
O modo de aquisição sobrenatural se dá por meio de uma vida de oração. Lembrando que para que as virtudes cresçam em nós, com a ajuda da graça de Deus, precisamos nos esforçar em deixar de cometer os pecados graves. O pecado grave rompe o nosso relacionamento com Deus e nos tira os dons sobrenaturais adquiridos. Aquilo que foi conquistado pelo treino não, mas sim aquilo que nos foi acrescentado pela graça.

É preciso dedicação em uma vida de oração, especialmente à Santa Missa. A Eucaristia deve ser o ápice de nossa vida de oração. A troca de amor ali deve ser intensa, profunda! Nosso Senhor tem muitas graças a nos dar, e o momento da comunhão eucarística é o mais importante para isso. Mas também devemos tirar um tempo do nosso dia para estar com o Senhor, sozinho em oração. Sem Ele, tudo se torna fraco, imperfeito, com poucos frutos. Com Ele, a aquisição das virtudes se torna abundante e ruma decididamente à perfeição.

Conteúdo baseado no livro COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA – Autor Adolf Tanquerey


Roger de Carvalho

Roger de Carvalho, natural de Brasília – DF, é membro da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Casado com Elisangela Brene e pai de dois filhos. É estudante de Teologia e Filosofia.
Autor do blog “Ad Veritaten“.

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