A mansidão

Como podemos buscar a virtude da mansidão na vida?

Conheça e reflita sobre a relação da mansidão com a bondade

Para quem está acompanhando os textos sobre as virtudes, há muitas semanas estamos tratando sobre a humildade, por causa da sua importância. Hoje, falaremos da virtude da mansidão, com o enfoque na busca da humildade.

É quase impossível praticar a humildade sem a mansidão, pois essa exige um certo domínio de si mesmo, o qual previne e modera os movimentos da cólera; e é sob este aspecto que ela é anexa à temperança. Suportar os defeitos dos outros exige paciência, e, por isso, a virtude da fortaleza, o perdão das injúrias e a benevolência para com todos, até para com os inimigos. Sob este aspecto, inclui-se a caridade. Como se vê, a mansidão é, antes, um complexo de virtudes, que uma virtude única.

Como podemos buscar a virtude da mansidão na vida?

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.

Atitudes para viver a humildade

Só para recordar: em textos passados, mencionamos que a pessoa, para alcançar a humildade, precisa dedicar-se a três atitudes:

1. Aceitar e amar a existência de um Criador e da ordem que existe na natureza e na lei natural;

2. Procurar aprender sobre tudo quanto chegar a si, e não desprezar a necessidade de aprendizado e estudo, especialmente das coisas mais elevadas como o sentido da vida, os ensinamentos da doutrina, teologia etc;

3. Ter um respeito incondicional a todo e qualquer ser humano.

Não se pode descuidar de nenhum desses três pontos se você deseja, de coração, a humildade, que é a mãe das demais virtudes.

Por que isso? Aquele que não é humilde manifesta, de algum modo, acreditar que é um deus ou pelo menos portador de atributos divinos. Se não tem respeito pelo Criador ou pela ordem da criação, esse se sente criador de alguma forma, não precisando seguir aquilo que está definido por Deus de antemão na natureza. Quer inventar uma roda, mas essa gira toda fora de ordem, como temos visto nas ideologias vigentes. Também se não traz em si o respeito incondicional a todo e qualquer ser humano, o faz por se achar acima ou maior que o outro, sendo que sua dignidade é igual. E se não se sente necessitado do aprendizado, significa que já sabe de tudo o que é preciso, e sua sabedoria já seria capaz de lidar com todas as grandes questões da vida.

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E a mansidão?

Voltando à mansidão, ela está ligada ao respeito incondicional a todo e qualquer ser humano.

Pode-se, pois, definir: a mansidão é uma virtude moral sobrenatural que previne e modera a cólera, suporta o próximo, apesar de seus defeitos, e o trata com benignidade. É uma virtude interna que reside ao mesmo tempo na vontade e na sensibilidade, para lá fazer reinar a serenidade e a paz, mas que se manifesta exteriormente, nas palavras e nos gestos, por maneiras afáveis. Pratica-se para com o próximo, mas também para conosco, bem como para com todos os seres.

Na mansidão está a consumação do cristão, porque pressupõe nele o aniquilamento de tudo quanto é próprio, e a morte a todo o interesse.

A máxima utilidade da mansidão é fazer reinar a paz na alma, paz com Deus, com o próximo e conosco.

a) Com Deus, porque nos faz aceitar todos os acontecimentos, ainda os mais desagradáveis, com paz e serenidade, como meios de progredir nas virtudes, sobretudo no amor de Deus. Afinal, como diz São Paulo, “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”.

b) Com o próximo: porque, prevenindo e refreando os movimentos de cólera, faz-nos suportar os defeitos dele, e nos permite manter com ele boas relações, ou ao menos ficar isentos de perturbação interior, se outros se irritam contra nós.

c) Para conosco: quando cometemos uma falta ou um equívoco, não nos impacientemos nem irritemos, senão que nos repreendemos com tranquilidade e compaixão, sem nos espantarmos das nossas faltas, aproveitando-nos da experiência adquirida, para sermos mais vigilantes.

Conteúdo baseado no livro COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA – Autor Adolf Tanquerey


Roger de Carvalho

Roger de Carvalho, natural de Brasília – DF, é membro da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Casado com Elisangela Brene e pai de dois filhos. É estudante de Teologia e Filosofia.
Autor do blog “Ad Veritaten“.

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