Jesus como exemplo

Como cristãos, como podemos praticar a humildade?

Dê passos para viver a humildade diariamente

Vamos permanecer debruçados, ainda um pouco mais, por sobre a humildade. Logicamente, o nosso objetivo não é causar cansaço em você, que vem nos acompanhando há muitas semanas, mas sim procurar realçar o brilho da humildade, tão ofuscado nos dias atuais, confundido com fraqueza de personalidade ou fragilidade de metas.

Não sei se você ainda se lembra, mas, nas semanas anteriores, demonstramos como o orgulhoso é exatamente definível como sendo uma pessoa que acredita ser Deus, ou, pelo menos, portador de atributos divinos. Caso não se lembre, clique aqui pra ver o texto.

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Foto Ilustrativa: Jorge Ribeiro/cancaonova.com

Hoje, vamos dar mais dicas ainda de como podemos trabalhar esse engano que se passa na esmagadora maioria da sociedade.

No princípio, as pessoas que se decidem pela virtude da humildade começam combatendo em si o orgulho. Procuram estar abertos aos outros, respeitando qualquer pessoa que seja e sendo benevolente a ela. Abrem-se à busca e ao conhecimento das causas das coisas, e amam a criação da forma com que Deus a pensou e ordenou. Isso tudo atentos a si mesmos, não se colocando em um pedestal por fazerem isso.

Ser como Jesus Cristo

Aqueles que já estão conseguindo dar alguns passos na humildade, passam a uma nova fase: esforçam-se por imitar a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para isso, é necessário meditar muitas vezes, admirar e esmerar-se em reproduzir os exemplos de humildade que Jesus nos deu na vida oculta, na sua vida pública, na sua vida padecente, e que não cessa de nos dar na sua vida eucarística.

Na vida oculta, o que Jesus sobretudo praticava era a humildade de obscuridade. Ele ocultava Seus atributos divinos no seio da Virgem Maria; sofreu em silêncio, sendo Deus, as loucuras do édito de César; nasceu na mais completa pobreza, depois de não ter encontrado entre os homens estalagem. Submeteu-se a toda a lei. Ainda pequeno, foi obrigado a fugir de Herodes. Passou trinta anos ajudando sua mãe nos trabalhos domésticos, e seu pai nos serviços de carpintaria, subjugando-se ao comum dos homens que devem trabalhar duro para ganhar seu sustento. Ele, o Supremo Senhor do universo, que a tudo poderia ter, num piscar de olhos.

Na Sua vida pública, não cessou Jesus de praticar o esquecimento de si mesmo na medida compatível a sua missão. Rodeou-se de pessoas rudes e sem instrução, de pescadores e um publicano. Procura sempre estar entre os pobres e pecadores.

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Vive de esmolas e não tem casa própria. Seu ensino é simples, profundo, capaz de atingir a todos que se abrem. Utiliza de parábolas e exemplos do cotidiano. Não se faz admirar, senão instruir e mover corações. Ao fazer milagres, exige o silêncio.

Foge das popularidades. Julga as pessoas a partir do julgamento do Pai. Esquecido de si mesmo, sacrifica-se, constantemente, por Deus e pelos homens.

É isso mesmo que aparece ainda mais na sua vida padecente, em que pratica a humildade, tornando-se objeto desprezível. Jesus, a mesma santidade, quis tomar sobre si o peso de nossas iniquidades, e sofrer a pena que lhes era devida, como se fora culpado.

Traído por Judas, do qual amou todo o tempo; desamparado por seus apóstolos, não os cessa de amar; preso, maltratado, coberto de injúrias e feridas, não se queixou. Apesar de toda situação, permaneceu em silêncio; e quando respondeu, permaneceu na verdade, no amor, procurando converter a todos. Teria possibilidade de fazer milagres e mudar a sua sorte, mas permaneceu submisso à vontade do Pai.

Aproxime-se de Jesus Eucarístico

Com tudo isso, pense: que direito temos nós de proferir alguma reclamação ou queixa, nós que somos tão culpados, ainda quando alguma vez fôssemos injustamente acusados?

Por fim, na vida eucarística de Jesus, reproduz-se esses diferentes exemplos de humildade. Ele, no sacrário, está escondido, mais que no presépio, mais ainda que no Calvário. E quantas afrontas, quantos insultos não recebe no sacramento do seu amor, não somente da parte dos incrédulos que se recusam a crer na Sua presença, dos ímpios que profanam Seu corpo sagrado, mais ainda dos cristãos que, por fraqueza e covardia, fazem comunhões sacrílegas das próprias almas que lhe são consagradas e, por vezes, esquecem-No e deixam-No a sós no sacrário.

Conteúdo baseado no livro COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA – Autor Adolf Tanquerey


Roger de Carvalho

Roger de Carvalho, natural de Brasília – DF, é membro da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Casado com Elisangela Brene e pai de dois filhos. É estudante de Teologia e Filosofia.
Autor do blog “Ad Veritaten“.

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