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Que limites estou dando aos meus filhos?

Muitos pais e mães encontram-se perdidos na hora de impor limites aos filhos e adolescentes, perdendo a referência sobre o que é verdadeiramente importante no desenvolvimento infantil. Segundo a psicóloga Adriana Potexki, ocorre atualmente uma inversão preocupante no comportamento dos pais ao dizerem “não” e “sim”.

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A inversão dos limites: o “não” para a vida e o “sim” para os excessos

O “não” protetivo em excesso

É comum observar mães e pais negando experiências simples e saudáveis da infância, como tomar um banho de chuva em um dia quente de verão. Frequentemente, esse “não” é uma herança cultural transmitida por gerações (avós e bisavós) por receio de resfriados ou gripe, impedindo que as crianças brinquem na rua ou se molhem.

O “sim” prejudicial nos momentos decisivos

Em contrapartida, nos momentos em que os limites são fundamentais para a proteção física e emocional, muitos pais sentem medo de posicionar-se com firmeza. Por conta disso, toleram que os filhos passem o fim de semana inteiro em jogos de videogame (como Fortnite), demonstrando uma clara incoerência educacional.

O papel dos pais como o “chefe do navio”

Liderança e segurança emocional

Para educar com firmeza, os pais precisam assumir a liderança da família e compreender que são o “chefe do navio”. Quando os pais exercem essa autoridade protetiva em relação à segurança e ao uso de jogos, a criança se sente segura e desenvolve uma personalidade fortalecida para enfrentar o mundo.

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Preparando os filhos para as crises da vida adulta

Satisfazer rapidamente todos os desejos dos filhos impede que eles aprendam a esperar e a lidar com a frustração.

  • O aprendizado da espera: Antigamente, esperar até o Natal para ganhar um brinquedo desejado era um processo importante para aprender a valorizar a recompensa.
  • Construção da autonomia: Para ilustrar essa preparação para o futuro, temos como exemplo a atitude de um empresário bem-sucedido cujo filho de 18 anos queria um carro. Mesmo tendo recursos para comprar um veículo novo, o pai calculou quanto o jovem poderia dispor do salário de seu estágio e ajudou apenas com a entrada para a aquisição de um carro usado, ensinando o jovem a construir a própria vida e a se preparar para futuras dificuldades.

Os perigos do vício em telas e a “anorexia emocional”

O impacto neurológico dos jogos eletrônicos

Quando as crianças não têm seus desejos atendidos de imediato, costumam recorrer à birra e à manha, e muitos pais acabam cedendo. O uso desmedido de jogos eletrônicos gera o que a autora denomina “anorexia emocional”. Os jogos virtuais estimulam o cérebro de forma similar ao crack e ao alcoolismo.

Consequências graves e a “cócega no cérebro”

A dependência ocorre porque os jogos causam uma estimulação contínua (uma “cócega no cérebro”), sem a qual nada mais parece ter graça ou sentido:

  • Abandono de responsabilidades: Em casos graves, o vício em jogos leva jovens e adultos a abandonarem a escola, o trabalho e o casamento.
  • Tratamento médico: Psiquiatras chegam a prescrever para dependentes de jogos os mesmos medicamentos utilizados no tratamento de usuários de crack e alcoolistas.
  • Perda do interesse pelo mundo real: Como exemplo dessa gravidade, cita-se um casal que levou os filhos à Disney; mesmo diante das montanhas-russas mais radicais, os jovens só queriam retornar ao quarto do hotel para continuar jogando no tablet.

Dizer “não” ao vício e “sim” à vida

Restabelecendo prioridades na educação

A principal orientação para os pais é inverter a lógica atual: dizer “não” nos momentos em que o limite é necessário e dizer “sim” para as vivências reais da vida.

Resgatando as experiências essenciais

É fundamental incentivar os filhos a vivenciarem o mundo físico e natural:

  • Brincar ao ar livre, correr e subir em árvores;
  • Tomar banho de chuva e andar descalço (mesmo na geada);
  • Aproveitar a infância com liberdade, equilibrando a imposição de limites protetivos com o afeto genuíno.

 

 

 


Adriana Katia Potexki

ADRIANA POTEXKI, nascida em Curitiba (PR), filha de pais cristãos e família com várias vocações religiosas, sempre vinculada a pastorais na igreja e desde jovem membro do Movimento dos Focolares. Mãe do Lucas Miguel, adolescente de 14 anos que adora aventura e é DJ católico.
Com formação em Psicologia, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é terapeuta certificada pelo EMDR Institute e Brainspotting. Participou de diversos programas de TV e rádio, inclusive como apresentadora do programa “Psicologia e Arte” e “Psicologia e Espiritualidade”.
Autora do livro “Cura dos Sentimentos – em mim e no mundo”, (Editora Paulinas), “A cura dos Sentimentos nos Pequeninos – Papai e Mamãe brigaram” e “Vencendo os traumas que nos prendem – descubra os primeiros passos para recomeçar” (Editora Canção Nova)
É palestrante internacional, psicóloga clínica e colunista do Formação Canção Nova.