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Educando os filhos para as virtudes

Virtudes se constroem com exemplo, ensinamento, correção e caridade

É um desafio, um treinamento que exige firmeza, amor, compreensão e depois firmeza de novo. Quando percebemos um de nossos filhos pequenos fazendo algo que não convém, como jogar lixo na rua, pegar o que não é seu, estragar algo de outra pessoa, e não os corrigimos, não lhes mostramos o que não é bom naquele ato, estamos perdendo uma grande oportunidade de educá-lo para as virtudes, de ensinar a ele como fazer o que é certo.

Às vezes, por pressa ou cansaço, deixamos para falar depois e até nos esquecemos de dizer algo. É preciso, no entanto, falar, orientar os filhos. Isso fará toda diferença! Mas sempre com amor, senão, o efeito pode ser contrário.

Educando os filhos para as virtudes

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Lembrei-me de uma situação engraçada que vivi com meu filho quando tinha dois anos. Foi engraçada, mas eu sofri ali. Ele começou a chegar diante da fruteira, que ficava na altura dele, pegava uma maçã, mordia e devolvia na fruteira. Comecei a ver várias maçãs assim. Quando vi que era ele mordendo e devolvendo, fui bem firme com ele, e disse brava: Não! Não pode fazer isso! Fui dura nas palavras e na expressão do meu rosto, não falei melosa: “Não filhinho, isso não pode, tá?”.

Bom, o resultado: No dia seguinte, procurando meu filho pelo apartamento que morávamos, não o encontrava. Até que me lembrei do cantinho, depois da cozinha, onde havia meia parede e dividia espaço com a lavanderia. Um espaço minúsculo. Quando cheguei lá, bem devagarinho, lá estava ele, escondido, comendo uma maçã, e comendo de verdade! Quase chorei. Percebi que ele havia entendido que não poderia mais comer maçã. Então, expliquei que ele poderia comer a maçã, o que não poderia era morder e devolver na fruteira.

É uma cena que sempre me lembro. Já contei para ele (agora com 16 anos) com uma cara toda piedosa, e ele acha o máximo. O que aprendi, nesse dia, é que a orientação de fazer o que é certo precisa mesmo ser dada. Mas, dependendo da idade, precisa de um adendo, de um livro, de um desenho animado sobre isso, e talvez até um exemplo para ele entender.

Aprendemos com os erros, não é mesmo?

Existem casos mais sérios, quando um filho chega em casa com dinheiro que você não deu. Ou uma outra situação, como essa que me contaram e partilho com você.

Um pai e uma mãe, que convivem conosco, perceberam que sumiu de um móvel da casa uma nota de 50,00. Não a encontraram. Naquele dia, o filho mais velho, que tinha de 7 para 8 anos, chegou da escola desconfiado, com a agenda na mão. Já meio choroso, entregou-a aos pais. Na agenda, a professora anotou que o garoto chegou na escola com uma nota de dinheiro alta, que não era costume ele levar, e que ela percebeu um movimento entre as crianças. O menino comprou balas e começou distribuir dinheiro para as outras crianças comprarem também. A professora viu em tempo, explicou, pegou o dinheiro, colocou na agenda com o bilhete. Mas já tinham sido gastos 7,00.

O pai chamou ele no quarto abraçou, fechou a porta e começou a conversar. “Por que você pegou o dinheiro?”. “Porque eu queria comprar bala”. “Então, sempre que pegamos um dinheiro, sem pedir, é roubo. Quando você quiser e precisar, você vai pedir para o papai ou para a mamãe, e, se puder, vamos dar. Se não puder, você vai esperar”.

Ainda mais: O pai aproveitou para explicar o valor do dinheiro. Pegou uma nota de 50,00 e explicou o que dava para comprar com aquele valor, que era alto. E foi pegando notas menores e explicando o que dava para comprar. Quando terminou a conversa, a mãe entrou e disse que aquele dinheiro, que estava no móvel, não era deles, era de um lugar onde ela era voluntária.

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“Então, como você usou os 7,00 daqui para comprar bala, nós estamos pegando da carteira do papai e devolvendo, porque aquele dinheiro não era nosso. Ainda bem que você nos contou, mostrou a agenda e não escondeu de nós”.

Conversaram, explicaram, formaram e, com certeza, selaram ali uma ou mais virtudes que fez a diferença para toda a vida dele. Virtude de devolver o que não é nosso. Virtude de pedir em vez de roubar. Virtude de contar aos pais um erro. Virtude de não esconder aquela agenda. Fizeram tudo isso, sem que o filho perdesse o respeito por eles, sem que ficasse com medo de pedir a eles o que precisa.

Virtudes se constroem com exemplo, com ensinamento, correção e caridade.

Deus nos abençoe e nos dê essa graça de não perdermos as oportunidades que a vida nos traz.

 

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Rosení Valdez Oliveira

Rosení Valdez Oliveira é missionária na Comunidade Canção Nova desde 1997. Ela reside na missão de Cachoeira Paulista (SP) e atua no Setor infantojuvenil com produção de conteúdo para crianças e adolescentes. Rosení também prega encontros para casais junto com seu esposo, Alexandre Oliveira. Semanalmente, o casal comanda uma live oracional no Instagram da @cancaonova. A missionária é colunista, desde 2013, do portal cancaonova.com. Também é organizadora do livro ‘#Adolescente – de quase tudo um pouco’, pela editora Canção Nova, e do DVD ‘Um lugar bem legal’, pela gravadora Canção Nova.

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