🤝🏻A CORAGEM DO PRIMEIRO PASSO

O abraço que o tempo não apagou: um milagre de reconciliação

Este ano, a saudade completou seis anos. Ao olhar para esta foto, meu coração não enxerga apenas um registro; eu vejo, claramente, um milagre de reconciliação que a ternura do Pai das Misericórdias operou em nossas vidas exatamente no tempo certo.

Quem olha para o nosso sorriso na imagem não imagina que o nosso relacionamento nunca foi um mar de rosas. Eu, com meu jeito tinhoso e orgulhoso, dificilmente dava o braço a torcer. Mas a Palavra de Deus nos lembra em Isaías 55,8 que “os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos”. E, para nos alcançar, Ele usa os Seus canais de graça.

Foto: Arquivo Pessoal

A voz de Deus que quebra o orgulho

Naquela época, eu trabalhava como jovem aprendiz no Posto Médico Padre Pio. Foi ali, no ambiente do nosso carisma, que Deus me visitou. Lembro-me perfeitamente de ouvir uma palavra de ciência proclamada por um missionário da Canção Nova: “Você, jovem, que tem dificuldade com seu pai, quando encontrá-lo, dê você o abraço nele”.

Aquilo entrou no meu peito como uma flecha. Era o próprio Pai das Misericórdias me constrangendo a amar. A Palavra do Senhor em Ezequiel 36,26 diz: “Tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Era exatamente isso que o Espírito Santo começava a fazer em mim.

Eu não sabia como agir, e meu pai muito menos. Quando cheguei em casa e o apertei firme, ele ficou “duro”, estático, sem reação. Com a simplicidade de quem queria resgatar o amor, eu apenas disse: “Pai, é assim ó!”, e o apertei ainda mais forte.

O reflexo do abraço do Pai

Naquele exato momento, o gelo que nos separava quebrou. Ali, nós vivemos a nossa própria experiência com a parábola do Filho Pródigo (Lucas 15, 20): “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou”.

Aquele meu abraço humano, imperfeito, foi o canal para que o abraço do Pai das Misericórdias nos envolvesse. A Canção Nova, que meu pai sempre dizia ser uma grande bênção e que era sua companhia fiel através do rádio e da TV, materializou-se como um instrumento real de cura e santuário de reconciliação dentro da nossa casa.

Se eu não tivesse tido a docilidade de ouvir aquela voz, se eu não tivesse vencido o gigante do meu orgulho, eu não teria essa foto hoje. Eu teria apenas o silêncio e o arrependimento.

Um convite para o hoje

Pai, hoje, eu sei que você tinha toda razão: a Canção Nova é, de fato, uma bênção. E o seu abraço, que guardo na memória da alma, foi a forma mais bonita que Deus encontrou de me mostrar o Seu próprio abraço de Pai: acolhedor, esquecido das minhas falhas e transbordante de amor.

São seis anos de saudade, sim, mas, acima de tudo, seis anos de uma gratidão profunda por ter tido a coragem de dar o primeiro passo a tempo.

A vida é um sopro, e o tempo de amar é o agora. O Pai das Misericórdias está sempre de braços abertos para nos acolher, mas Ele também nos convida a sermos a extensão desses braços na Terra.

Por isso, olhando para a minha história, eu lhe pergunto: Quem você precisa abraçar hoje, antes que o tempo acabe? Não espere o amanhã.

Alessandra Soares Hummel Satim
Membro da Comunidade Canção Nova, desde 2023, no modo de compromisso do Núcleo

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