🌹DIA DAS MÃES

Maria, escola de maternidade e santidade

Quem afirma que a maternidade é uma tarefa fácil precisa compartilhar o segredo com o resto da humanidade

Brincadeiras à parte, o que queremos neste artigo é refletir sobre essa vocação tão nobre quanto desafiadora. Não existem escolas ou cursos sobre como ser a melhor mãe para os nossos filhos e, por mais que muitas tentem dar dicas ou instruções, a verdade é que há um perfil necessário de mãe para cada pessoa. Dito de outro modo: cada uma precisa encontrar seu perfil na maternidade.

A verdade é que há um perfil necessário de mãe para cada pessoa. Dito de outro modo: cada uma precisa encontrar seu perfil na maternidade.

Crédito: Isbjorn / GettyImages

Nesse sentido, as dicas universais ajudam, mas não dão conta de nos explicar, com inteireza, como cumprir essa missão. Em minhas próprias experiências e ouvindo as de outras mães, percebo que vamos nos construindo com cada filho e aprendendo a agir conforme as suas particularidades.

A construção da maternidade

Nessa missão, o que pode nos ajudar ou nos atrapalhar são as referências que adotamos. No geral, temos a tendência de repetir a forma com que fomos educadas. Por isso, uma boa medida é buscar construir o modelo de mãe que Deus quer que sejamos para os nossos filhos.

Nesse trabalho de construção de referência, temos, em primeiro lugar, Maria, a Mãe de Jesus. Ao mesmo tempo em que intercede por nós nessa empreitada, ela é, em si, um grande exemplo de maternidade. Imagino o que deve ter passado pela mente de Nossa Senhora quando se viu com Jesus nos braços! Mas penso também o quanto o Pai foi lhe ensinando a cumprir essa missão.

Ela, modelo de Mãe por excelência, embora tenha tido um Filho perfeito, pode nos fornecer meios de viver da melhor forma essa vocação, com todos os seus desafios. Na oração e na contemplação, algumas atitudes de Nossa Senhora podem nos servir no caminho.

Contemplar o mistério da vida

Cada ser humano é imagem e semelhança de Deus e está neste mundo para realizar um projeto do Criador. Seu filho tem uma missão, e você foi convocada a ajudá-lo nisso, ainda que, para tanto, uma “espada de dor” transpasse sua alma (cf.Lc 2,35).

Por mais difícil que seja, abrace o plano do Senhor para seu filho e o ajude a ir até o fim, mesmo que você tenha de se confrontar com dificuldades e cansaço. Contemple-o muitas vezes em silêncio, escute os sinais que talvez ele esteja tentando lhe passar e aquilo que Deus lhe dá como direção.

Aceitar o que o Senhor tem para os filhos

Outro ponto essencial é abrir mão dos sonhos que traçamos para nossos filhos, por melhores que essas propostas sejam. Precisamos criá-los para o Senhor, em vista do que eles têm a cumprir neste mundo.

Com certeza, a Virgem Maria aceitou, mesmo na dor, que Cristo passasse por todo aquele sofrimento porque sabia que nisso estava um desígnio de Deus.

Acolher as dores da missão de ser mãe

Muitas vezes, construímos visões distorcidas da maternidade. Idealizamos demais, pensando apenas nas recompensas que teremos de amor e reconhecimento. A verdade é que a maternidade se assemelha ao amor de Deus: gratuito, que não espera receber de volta. Isso nos purifica do nosso egoísmo.

Por outro lado, podemos correr o risco de viver a maternidade como se fosse um grande fardo ou algo que atrapalha nossos planos pessoais. Quem vive essa dificuldade certamente não entendeu o sentido de ser mãe, ou não assumiu essa missão como um projeto de vida.

Nossa Senhora viveu as alegrias e dores da maternidade, e isso fez dela a bem-aventurada (cf. Lc 1,48).

Acolher os filhos como eles são

Em alguns casos, os sofrimentos da maternidade vêm da idealização em relação aos filhos, porque não os aceitamos com seus limites, com as escolhas que fazem ou as cruzes que venham a nos proporcionar. Queremos filhos perfeitos. Porém, acolhê-los tal como são nos dará a possibilidade de agir com mais eficácia na educação deles, auxiliando-os na superação dos erros. Cabe a nós aperfeiçoá-los. E tudo isso também nos servirá como meio de santificação.

Embora fosse mãe do próprio Deus, Maria precisou acolher Jesus com os mistérios que ela não compreendia.

Uma vocação para a santidade

Em sua carta a Timóteo, São Paulo fala o seguinte: “Contudo, ela [a mulher] poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (1Tm 2,15). A maternidade é a mais nobre vocação da mulher, chamada a ser imagem e semelhança de Deus. Esse dom, vivido em sua profundidade, santifica-nos, porque nos faz parecidas com Ele no amor que tudo suporta, tudo crê e tudo espera (cf. 1 Cor 13,7); no amor fiel, que não exige trocas.

Ser mãe é o maior dom que Deus confiou a toda mulher, tornando-a cocriadora com Ele. Para tanto, deu-lhe características especiais como empatia, cuidado, acolhida, perspicácia e tantas aptidões, que a tornam capaz não só de gerar, mas também de zelar pela vida e fazê-la acontecer. Por isso a maternidade em Deus não se resume apenas ao sentido biológico.

Sendo assim, mesmo as mulheres que não geraram em seu seio – vivendo sua peculiar maternidade espiritual – influenciam pessoas e geram vidas, seja pela adoção, seja gestando projetos ou grandes obras para Deus.

Feliz Dia das Mães!

Elane Gomes
Membro da Comunidade Canção Nova desde 2000. Foi membro do núcleo por cerca de 16 anos e desde 2019 é membro do Segundo Elo. Casada com Rafael Coutinho e mãe da Maria Clara, do João Pedro e de um bebezinho que já está em Deus. É formada em Língua Portuguesa e Literatura, Mestra em Comunicação e Cultura Midiática e atualmente faz especialização em Sagradas Escrituras. Trabalha como Jornalista da TV Canção Nova. Atua em rádio há 25 anos.