Mais do que com políticas públicas, a restauração da sociedade começa no santuário da sua própria casa
Em um mundo que acredita que a família está falida — e perante tantas ações que mais ameaçam do que respeitam esta instituição —, é a própria família que precisa, em primeiro lugar, preservar a si mesma como um bem instituído por Deus desde o princípio da Criação.

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João Paulo II, o Papa das Famílias, afirmava que o “futuro da humanidade passa pela família” (Familiaris Consortio, 86). Essa frase, que se tornou célebre na Igreja, não pode ser reduzida a um slogan; precisa ser aprofundada a fim de reencontramos o sentido real da relação familiar.
O dia 15 de maio é o Dia Internacional das Famílias. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de discutir e traçar projetos para o futuro dessa célula da sociedade. A preocupação da ONU é louvável. Porém, para nós cristãos, fica a pergunta: será que o que vai reconstruir a nossa casa são as políticas públicas?
Família: um projeto de Deus
Deus é o maior interessado pelas famílias. Ao criar o mundo, Ele fez pessoas à Sua imagem e semelhança para viverem uma relação de amor que reflita a própria Santíssima Trindade. Sendo a família o princípio da sociedade, se esta vai mal, certamente é reflexo de famílias fragmentadas, compostas por pessoas desestruturadas e afastadas do plano divino original. Não deixemos apenas que as organizações pensem no futuro familiar; cabe à família pensar sobre si e reconstruir-se. São João Paulo II sustenta: “É, pois, indispensável e urgente que cada homem de boa vontade se empenhe em salvar e promover os valores e as exigências da família” (Familiaris Consortio, 86).
Por mais bem-intencionadas que pareçam as políticas públicas destinadas a salvaguardar as famílias, para proteger o grupo, é preciso olhar também para o indivíduo.
A mudança começa de dentro para fora
Não podemos esquecer que o ser humano se constrói de dentro para fora, no Santuário da Vida familiar. Cada membro da família foi pensado por Deus, chamado a se realizar como pessoa e a ajudar na edificação dos outros. Porém, precisamos nos lembrar também de que isso só acontece quando o Senhor entra em nossa vida. A família se torna o que deve ser, quando cada pessoa compreende quem é e qual o seu papel no mundo.
O exemplo de Zaqueu: quando Jesus entra na casa
A Palavra de Deus é repleta de exemplos de pessoas que se encontraram com o Senhor e, por isso, viram a salvação de sua casa. Vejamos o que aconteceu com Zaqueu, o cobrador de impostos: quando Jesus olha para ele e diz que deveria ficar em sua casa (cf. Lc 19, 5), aquele homem foi tomado de tal arrependimento, a ponto de devolver o quádruplo a quem ele tinha defraudado. Ou seja, o encontro com Jesus o fez compreender a si mesmo e o levou a uma justiça maior, pois partiu de um coração arrependido.
Amor de sacrifício: o segredo da reconstituição
É a partir de Cristo que se reconstrói as famílias, sejam quais forem as suas dificuldades: financeiras, morais, de saúde física ou mental. Todos os membros são chamados a essa empreitada: pais, filhos, esposos, avós, tios… E um bom caminho para começar é encarnar o mandamento do amor.
Contudo, a caridade que a família é chamada a sustentar não é algo superficial, apresentado em filmes, novelas e redes sociais. Trata-se do amor de sacrifício, aquele ensinado por Cristo na Cruz. É o que oferece ao outro a capacidade de crescer e existir no mundo, realizando a missão que lhe foi confiada. Você tem amado assim aos seus?
Visar ao crescimento do ser humano, à divisão justa dos bens e à oferta de acesso a uma vida digna, que dê às famílias a oportunidade de se desenvolverem, são ações que tornarão as políticas públicas mais eficazes. E tudo isso começa a partir do encontro com Alguém capaz de transformar nossos valores, como aconteceu com Zaqueu.
Elane Gomes – Membro da Comunidade Canção Nova desde 2000. Foi membro do núcleo por cerca de 16 anos e desde 2019 é membro do Segundo Elo. Casada com Rafael Coutinho e mãe da Maria Clara, do João Pedro e de um bebezinho que já está em Deus. É formada em Língua Portuguesa e Literatura, Mestra em Comunicação e Cultura Midiática e atualmente faz especialização em Sagradas Escrituras. Trabalha como Jornalista da TV Canção Nova. Atua em rádio há 25 anos.




