7 cartas

Livro do Apocalipse: A carta ao anjo da Igreja de Pérgamo

A terceira carta é dirigida à comunidade cristã de Pérgamo (Apocalipse 2,12-17)

Eis o texto a seguir: “Ao anjo da igreja de Pérgamo escreve: “Eis o que diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes. Sei onde habitas: aí se acha o trono de Satanás. Mas tu te apegas firmemente ao meu nome e não renegaste a minha , mesmo naqueles dias em que minha fiel testemunha Antipas foi morto entre vós, onde Satanás habita. Todavia, tenho alguma coisa contra ti: é que tens aí sequazes da doutrina de Balaão, o qual ensinou Balac a fazer tropeçar os filhos de Israel, para levá-los a comer carne imolada aos ídolos e praticar imundícies. Tens também sequazes da doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; senão virei em breve a ti e combaterei contra eles com a espada da minha boca. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor darei o maná escondido e lhe entregarei uma pedra branca, na qual está escrito um nome novo que ninguém conhece, senão aquele que o receber”.

Livro do Apocalipse: A carta ao anjo da Igreja de Pérgamo

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Fidelidade

O problema da Igreja de Pérgamo é a controvérsia espiritual. Essa cidade tinha um famoso centro de estudos, com uma grande biblioteca. Lá, o papiro foi substituído pelo pergaminho (obtido a partir da pele de um animal, em especial cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha). Por ter sido produzido nessa cidade, recebeu esse nome. No alto da cidade, erguia-se um majestoso altar em honra do deus pagão Júpiter, representado em luta contra os gigantes. O Cristo que fala para a comunidade é “Aquele que tem a espada afiada de dois gumes”, conforme a imagem que se encontra em Isaías (49,2). De fato, Cristo é o lutador espiritual contra os gigantes do espírito inimigo de Deus.

No geral, a Igreja de Pérgamo, na difícil luta espiritual, manteve-se fiel ao “nome” e à pessoa de Jesus Cristo. Isso também nos tempos de perseguição, no qual Antipas foi martirizado por causa da fé, apesar da presença ativa de satanás. Agora, porém, é preciso resolver a controvérsia espiritual. Quando Balac, o rei de Moab, manifestou sua intenção de combater os Israelitas, foi dissuadido por Balaão, que o aconselhou a induzi-los à idolatria e à prostituição, com o auxílio das filhas de Moab (Num 31,16). Um perigo semelhante ameaçava os cristãos de Pérgamo.

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Nicolaítas, maná e pedra branca

Por um lado, eles permanecem firmes na fé, mas na luta contra a imoralidade eles podem cair na sedução sensual das festas pagãs. Nesse sentido, fala-se da “doutrina dos nicolaítas”, que tolerava alguns compromissos com os cultos pagãos, como a participação nos banquetes sagrados. A Bíblia não explica quem eram os nicolaítas, nem nos diz em que acreditavam. Apenas diz que suas práticas eram detestáveis para Deus. O nome da maioria dos partidos religiosos, das seitas e das heresias vinha de seu fundador ou de alguém que serviu de inspiração para o grupo. Por isso, os nicolaítas provavelmente tiraram seu nome de alguém chamado Nicolau.

Quando os israelitas tinham ficado exaustos pela fraqueza, Deus enviou o maná do céu. Por isso, aqui também os cristãos recebem a promessa de um “maná escondido”: é o Cristo, como pão da vida, que os fortalece nesta luta. E a participação ao banquete eucarístico sacrifical é tão fascinante que supera a sedução dos banquetes sacrificais dos pagãos. E também os amuletos pagãos não deveriam mais ser atraentes para os cristãos pois estes, graças à fé em Jesus, possuem uma proteção bem diferente: a “pedra branca” onde está escrito o nome de Cristo. E quem possui essa pedra torna-se invulnerável contra todas as insídias do demônio.

O cristão, graças ao batismo, traz escrito, no seu íntimo, o nome de Cristo, como sinal indelével e misterioso. Mais uma vez, essa mensagem tem valor para os cristãos de todos os tempos que precisam lutar espiritual, intelectual e também moralmente. Mas, nesta batalha, são fortalecidos pela presença de Cristo.


Lino Rampazzo

Doutor em Teologia pela Pontificia Università Lateranense (Roma), Lino Rampazzo é professor e pesquisador no Programa de Mestrado em Direito do Centro Unisal – U.E. de Lorena (SP) – e coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).

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