Confira algumas dicas práticas para realizar a leitura da Palavra

A leitura da Palavra de Deus nos edifica

Conhecer as Sagradas Escrituras é conhecer o próprio Cristo, e aprofundar-se na fé cristã. Mas, a leitura da Palavra de Deus, exige oração e dedicação, o leitor deve atentar-se a dar a correta interpretação ao texto. Quando Jesus foi questionado sobre a vida eterna, perguntou ao doutor da Lei: “Que está escrito na Lei? Como lês?” (Lc 10, 26). A Bíblia Sagrada está presente em nossos lares e as leituras dos textos sagrados são apresentadas nas celebrações litúrgicas, porém, como estamos lendo e entendendo-as? As edições da Bíblia Sagrada trazem consigo importantes e valiosas instruções para leitura, como uma ajuda para melhor compreensão dos textos litúrgicos.

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Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

É preciso começar pelo básico. A Bíblia Sagrada conta com o índice, onde os livros estão descritos em ordem e de forma organizada. Com a leitura do índice da Bíblia, pode-se conhecer bem os livros do Antigo e do Novo Testamento. Quando iniciar a leitura da bíblia é sempre bom avaliar em que momento histórico passa-se a narrativa. Através do índice descobre-se que Levítico compõe o Pentateuco, Esdras é um dos Livros Históricos, Provérbios faz parte dos Livros Sapienciais, e Ezequiel, Daniel e Jonas são alguns dos livros dos Profetas.

Pelo índice encontra-se que – além do Evangelho – também fazem parte do Novo Testamento os livros de Judas, Tito e Apocalipse, entre outros. A Palavra de Deus chega até nós completa e verdadeira, mas a sua interpretação deve levar em conta se o texto fala da origem da criação, das profecias ou da vida e lições de Jesus Cristo, para só assim, acolhermos os ensinamentos com o coração preparado.

Aprender sobre os sinais

Conhecer os sinais encontrados nos textos como a barra subscrita (\) e o til subscrito (~) e até mesmo o significado dos destaques em itálicos, direcionam o leitor a considerar cada expressão bíblica como citação explícita de um texto bíblico em outro, acrescentado pelo Nova Vulgata ou ausente no texto básico. O conhecimento desses sinais é possível com a leitura das notas introdutórias, que auxiliam na correta interpretação dos textos sagrados. Assim como, também, é relevante entender as abreviaturas de texto em grego (g xxx) ou texto em hebraico (h xxx), que pode impedir eventuais confusões na leitura.

As primeiras páginas das diferentes edições da bíblia ensinam a compreender os modos de citação dos textos litúrgicos, as disposições das numerações de capítulos e versículos, e a identificação das notas de rodapé de acordo com cada passagem da leitura. Conhece-se as moedas e medidas de cada época, para compreender se o texto quer demonstrar grandeza de valores ou números simbólicos, e ensinam também, como são citados os nomes próprios das personagens bíblicas e até mesmo as expressões que referem-se a Deus.

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Diferenças entre Antigo e Novo Testamento

Outra importante leitura é a Introdução Geral, que traz valiosas lições sobre o estudo da bíblia. Essa introdução garante ao leitor o conhecimento sobre a origem da Bíblia, o povo de Deus, explicações sobre as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento, sobre as diferenças entre as configurações da bíblia e esclarecimentos sobre os textos originais e as traduções. Conhecer a chamada “verdade da bíblia” é fundamental para que as Sagradas Escrituras possam ser interpretadas como – de fato – a Palavra de Deus.

O Papa Pio XII ensinou na Carta Encíclica Divino Afflante Spiritu que “Inspirados pelo Espírito Divino, escreveram os sagrados autores aqueles livros que Deus, no seu paterno amor para com o gênero humano, se dignou dar-nos ‘para ensinar, para convencer, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e bem apetrechado para toda a obra boa’. Não admira, pois, se a santa Igreja, para quem este tesouro recebido do céu é fonte preciosíssima e regra divina do dogma e da moral, como o recebeu ilibado das mãos dos apóstolos, assim
com todo o cuidado o conservou, e defendeu de toda e qualquer interpretação falsa e errônea, e com o maior esmero o utilizou para conseguir a salvação eterna das almas”.

Que a leitura da Sagrada Escritura possa nos levar ao conhecimento profundo das lições de Jesus Cristo, do amor do Pai e da vocação da Virgem Maria. Dedicados e em oração, desejo que a meditação contínua da Palavra de Deus se realize em nossos corações e espíritos, de forma tal, a nos manter no caminho da Salvação.

Referências:

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.

PAPA PIO XII. Carta Encíclica Divino Afflante Spiritu. Roma, 30 set. 1943.


Luis Gustavo Conde

Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Professor de cursos técnicos. Catequista no Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Ribeirão Preto/SP. Palestrante focado na doutrina cristã. Contato: lg.conde@icloud.com Twitter: @luisguconde

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