ANO “FAMÍLIA AMORIS LAETITIA”!

Acompanhamento das famílias feridas - Parte I

O Papa Francisco deixa claro que “a Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança”. Os Sínodos sobre a Família não deixaram de tratar do importante tema das famílias mais sofridas, para ajudá-las.

São muitos os desafios a serem enfrentados pela Igreja: a função educativa, dificultada porque os pais chegam em casa cansados e sem vontade de conversar; em muitas famílias, já não há o hábito de comerem juntos; além disso há muitas ofertas de distração, como dependência da televisão, internet etc… Isso dificulta a transmissão da fé de pais para filhos.

Acompanhamento das famílias feridas - Parte I

Foto Ilustrativa: by Getty Images / chameleonseye

Muitas famílias sofrem ansiedade com a preocupação de prevenir problemas futuros, pela insegurança econômica ou pelo medo quanto ao futuro dos filhos. A dependência das drogas é um flagelo que afeta a muitas famílias e, não raro, acaba por destruí-las. Algo semelhante acontece com o alcoolismo, os jogos de azar e outras dependências.

O olhar atento para as famílias

A sociedade e a política não chegam a perceber que uma família em risco “perde a capacidade de reação para ajudar os seus membros, como filhos deseducados, idosos abandonados, crianças órfãs de pais vivos, adolescentes e jovens desorientados e sem regras, além da violência familiar”.

Nota-se uma comunicação deficiente entre os familiares; faltam atividades familiares que favoreçam a participação; e há muitas situações de conflito e violências entre pais e filhos. A violência na família gera ressentimento e ódio.

O Papa destaca que hoje já não se adverte claramente que só a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher torna possível a fecundidade saudável.

A Exortação destaca que “as uniões de fato ou entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimônio. Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade”. Poucos se preocupam hoje em fortalecer os cônjuges e ajudá-los a superar os riscos que os ameaçam.

Em algumas sociedades, vigora ainda a prática da poligamia; noutros existe ainda a prática dos matrimônios combinados, além da prática da convivência antes do matrimônio.

Infelizmente, uma legislação não cristã facilita o avanço de casamentos sem as características de exclusividade, indissolubilidade e abertura à vida, que passam a serem vistas como uma proposta antiquada. Em muitos países vai acontecendo a “desconstrução jurídica da família”, que tende a adotar formas baseadas exclusivamente na autonomia da vontade de cada um, e não na Lei de Deus.

Ainda não se conseguiu erradicar a violência que, às vezes, se exerce sobre as mulheres, os maus-tratos familiares e várias formas de escravidão, uma covarde degradação, sobretudo, quando envolve a prostituição.

O Papa fala da triste e grave mutilação genital da mulher em algumas culturas, e também do “aluguel de útero” e da “instrumentalização e comercialização do corpo feminino na cultura mediática contemporânea”. Por outro lado, aparecem formas de feminismo que não podemos considerar adequadas.

A ausência do pai na família penaliza gravemente a vida familiar, a educação dos filhos e a sua integração na sociedade. Essa carência priva os filhos de experimentar o amor do pai, importante para o seu bom desenvolvimento humano.

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Ideologia de gênero

O Documento condena a ideologia de gênero, chamada gender, que “nega a diferença e a reciprocidade natural de homem e mulher”. Gera uma sociedade sem diferenças de sexo e esvazia a base antropológica da família, destruindo-a. Essa ideologia leva aos projetos educativos e às diretrizes legislativas que criam uma realidade desvinculadas da verdade biológica entre homem e mulher.

Outro perigo é o mau uso da biotecnologia para manipular o ato generativo, com a inseminação artificial, que torna a geração do filho independente da relação sexual entre homem e mulher, ficando sujeitas aos desejos dos indivíduos ou dos casais. O “ato fundante” da vida deixa de ser a união amorosa dos pais no ato sexual (cf. Cat. n. 2376-7). O Papa diz: “Não caiamos no pecado de pretender substituir-nos ao Criador”.

É preciso acolher os casais

Tratando das dificuldades dos casais em conflito, o Papa diz que é preciso reconhecer que “há casos em que a separação é inevitável, quando se trata de defender o cônjuge mais frágil ou os filhos pequenos, das feridas mais graves causadas pela prepotência e a violência, pela humilhação e a exploração, pela alienação e a indiferença”.

É necessário acolher e valorizar a angústia daqueles que sofreram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então foram obrigados, pelos maus-tratos do cônjuge, a romper a convivência.

As pessoas divorciadas que não se casaram novamente, devem ser encorajadas a encontrar na Eucaristia o alimento que as sustente no seu estado de castidade.

De modo especial, é preciso olhar com mais atenção quando há pobreza, o que torna mais difícil reordenar a existência. Uma pessoa pobre, que perde o ambiente protetor da família, fica mais exposta ao abandono e a todo o tipo de riscos para si e para os filhos.

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Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino

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