Dia das crianças

Crianças, pequenos mistérios que revelam quem somos

Nesta semana, vamos dar o melhor presente para nossas crianças

Pensamos que nós pais somos feitos para os filhos, mas são eles que vêm para nós, para nos ensinar aquilo que ainda não sabemos. Eles vêm curar nossas feridas mais secretas.

Nascem prontos, “perfeitos”. Precisamos apenas cuidar para não os estragar, repreendê-los e trancar essa essência maravilhosa, pequenas dádivas.


Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com 

Percepção das crianças

As crianças sentem tudo o que se passa. São capazes de perceber, inconscientemente, nossos maiores segredos. Já ouvi crianças dizerem coisas que revelaram o que, de fato, está acontecendo entre o casal em crise:

“Mamãe não gosta do papai. Ela sempre fica pensando num ex-namorado.” “Papai não ama a mamãe. Só casou com ela para me ter. O sonho dele era ser pai, por isso deixou a outra mulher, que não podia ter filho. Mas ele ainda ama a outra.” “Papai é mentiroso, disse que foi trabalhar, mas ele passou aquele perfume. Ele vai se encontrar com aquela amiga.” “Papai disse para eu ser honesto, mas eu sei que ele não é muito honesto, não.” “Eu sou nada pra eles, sou sozinha. Sou sempre a última a ser pega na escola. Eles são muito ocupados.” “Eu só atrapalho, sou um estorvo, sempre deixo mamãe irritada. Ela não queria me ter.”

Elas sabem tudo! Sabem além daquilo que nós mesmos conseguimos ver. Parece assustador, não é mesmo? A linda notícia, no entanto, é que, quando nos arrependemos de nossos erros, reconciliamo-nos com nosso passado e nos tornamos pessoas melhores, e eles também sentem.

Sabem que são importantes, que estão cumprindo a sua missão. Quanto mais difícil é o filho, mais eles têm a ensinar. Já vi filhos “rebeldes”, que vieram para ensinar a paciência e o equilíbrio.

Já vi filhos cheios de “defeitos”, que vieram para ensinar aos pais o amor incondicional. Já vi filhos errando, para ensinar aos pais o perdão.

Há filhos alegres, que vêm para ensinar o sentido da vida. Há filhos muito espirituais, que mostram o caminho espiritual para a família. Só precisamos estar abertos para vê-los com nossos olhos da alma, abertos para entender esses mistérios.

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O que a vida ensina quando se perde um filho

Em meu livro, conto sobre certa mulher que vive na Itália e perdeu seu filhinho quando este contraiu meningite poucos dias antes de seu aniversário. As bexigas já estavam compradas.

Ainda no hospital, ela quis “preparar” seu filho para o momento da morte, dizendo que, daqui a pouco tempo, ele acordaria num lugar muito lindo, e que Nossa Senhora cuidaria dele até o dia em que a mamãe chegaria também nesse lugar. No velório, junto com as flores, estavam as bexigas.

Dias após a morte, ela escreveu para o Movimento dos Focolares, dizendo que seu filho veio para ensiná-la a viver plenamente o momento presente: “Quando ele me pedia para brincar, eu lhe dizia: ‘Depois, filho’ (afinal, a louça e as roupas eram mais importantes até então). Se eu pudesse voltar, eu não diria mais: ‘depois, filho'”.

Padre Christian Shankar fez uma reflexão a respeito da frase: “Não tenho tempo”. Temos usado muito essa frase como desculpa por não visitar os amigos, familiares ou pessoas com algum significado para nós. Quando encontramos com essas pessoas, logo dizemos a frase.

“Não tenho tempo” tem sido sinônimo de que você é muito importante e tem muitos compromissos, falamos até com certo orgulho.

Segundo a reflexão do sacerdote, se fôssemos realmente verdadeiros, deveríamos dizer aos amigos: “Você não é minha prioridade”. Outras coisas são prioridade, como profissão, status ou simplesmente o ativismo.

As prioridades no dia a dia

Isso me fez refletir sobre os pais e os filhos. Você teria coragem de dizer a verdade para seu filho? Quando ele vier pedir para brincar ou passear, você conseguirá dizer: “Você não é minha prioridade”? Seria cruel demais a verdade para eles, não é mesmo? Não diríamos. Lembre-se de que as crianças sentem tudo, elas sabem que não são a prioridade para aqueles pais.

Nesta semana, vamos dar um presente para nossas crianças? Que tal, como presente, o presente? Sim, simplesmente viver.

Viver só é possível no agora. Se vivo, sinto. Sinto a vida que existe no filho, sinto seu cheiro, seu abraço, seu olhar, sua risada. Se vivo, sei o que é essencial, aquilo que me faz respirar, que me faz ter um sentido. Assim, aprendo tudo o que o meu filho veio me ensinar, corrijo meus erros e percebo que todo o resto que nos ocupa tanto o tempo é insignificante.

 

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Adriana Potexki

Adriana Potexki é escritora e autora dos livros ‘A cura dos sentimentos em mim e no mundo’ e ‘A cura dos sentimentos nos pequeninos’. Com formação em Psicologia, ela é terapeuta certificada pelo EMDR Institute, palestrante internacional e blogueira do site ‘Sempre Família’, do Grupo GRPCom.

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