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Será que preciso saber de todas as notícias?

Basta pegar o celular, logo de manhã, para recebermos um bombardeio de notícias, algumas boas, outras nem tanto; algumas catastróficas, outras falsas; e assim vai durante todo o dia. O excesso de informações faz parte do nosso contexto atual. Se, num passado não tão distante, tínhamos de ir até às notícias – comprando jornais diariamente ou revistas periódicas – hoje, elas vêm até nós das mais diversas formas. A questão é: nem sempre ficar sabendo de tantos fatos nos fazem estar realmente informados, porque a informação para ser útil deveria estar vinculada à produção de conhecimento, humanização ou resolução de problemas. Se a informação não é verdadeira, torna-se uma desinformação e, se é inútil, perdemos o tempo que poderíamos dispensar para atividades mais enriquecedoras.

O avanço tecnológico fez as notícias chegarem com tanta velocidade a ponto de causarem em nós a autoexigência de nos manter informados. No entanto, esse excesso de notícias nos põe em contínua ansiedade, estresse e dispersão. Muitas pessoas em tais estados adoecem uma sociedade inteira. Em 1996, o físico espanhol Alfons Cornella criou o termo “infoxicação”, com a junção das palavras informação e intoxicação. Consiste na doença causada quando consumimos mais informação do que nosso cérebro é capaz de absorver e processar. Veja que, a doença não é de agora, porém, o coronavírus a impulsionou, no momento em que ficamos conectados o tempo inteiro e ansiosos por notícias que nos ajudem a entender o que estamos vivendo.

Será que preciso saber de todas as notícias?

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

Excesso de notícias e falsa sensação de inteligência

Outro ponto importante é que consumir um grande número de notícias pode nos dar uma falsa sensação de inteligência ou sabedoria, quando, na verdade, quase sempre nos deixa mal informados e menos reflexivos, já que não dá a visão do todo e nos impede de pensar sobre o que ficamos sabendo, uma vez que, mal um fato repercute e já aparecem outros ou novas versões.

Diante de tudo isso, precisamos tomar consciência de que, embora não tenhamos controle sobre o alto número e a velocidade das notícias que nos são enviadas, podemos sim escolher o que vemos, o que ouvimos, o que acessamos ou repassamos, e está em nossas mãos fazer o chamado factchecking, isto é, checar a veracidade dos fatos. Temos poder de decisão! Quanto a isso a Palavra de Deus nos dá um grande ensinamento, quando diz: “examinai tudo; abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal” (1Tes. 5,21-22). Trazendo essa passagem para o contexto que estamos refletindo, é o mesmo que dize: “filtre!”, numa linguagem bem atual!

O que torna essa filtragem significativa é olhar para nós mesmos, tentando ver o quanto as informações que consumimos nos ajudam, nos edificam ou não. A Bíblia e a Doutrina Católica auxiliam na construção de critérios para distinguir o que alimenta ou não nosso espírito, o que nos faz bem ou mal. Não precisamos saber de tudo, precisamos saber o necessário para vivermos bem e nos tornarmos cristãos melhores, cumprindo nossa missão no mundo. Isso já diminui a ansiedade de estar por dentro de “todas as notícias” e nos desintoxica do que é mal e que acabamos consumindo. O próprio Papa Francisco tem pedido aos jornalistas que divulguem boas notícias, porque são elas que impulsionam as pessoas a enfrentar a vida com esperança. Não é o mesmo que nos deixar iludidos; é ver nas realidades o lugar onde a esperança reside, ainda que num contexto desfavorável.

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Saúde mental e espiritual

Além de tudo isso, precisamos nos lembrar de que as palavras têm força e podem ditar nossa forma de pensar, nossos sentimentos e atitudes, além de interferir em nossa saúde mental. É essencial fazer um forte exame do que pensamos a partir de uma determinada informação recebida; de onde vem o que sentimos, após saber de um fato; ou o que nos levou a tal comportamento depois de consumir uma notícia. Faz-se necessário ainda reservar um tempo para alimentar o espírito com atividades reflexivas. Buscar nas artes e na literatura elementos que nos humanizam, porque quanto mais humanos, tanto mais integrados.

Por fim, é imprescindível parar para estar com o Senhor e nos deixarmos instruir por Ele. Ter tempo para os que amamos e para nós mesmos, a fim de contemplar a vida, pois ela em si é cheia de informações significativas. Entendamos que a boa nova de Cristo será sempre a última Palavra e, nos meios de comunicação comprometidos com a Verdade, podemos encontrá-la nos fatos: um exemplo de vida, alguém que fez o bem, enfim, as boas notícias existem; e é possível encontrá-las, procurando o que realmente precisamos saber.


Elane Gomes

Missionária da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Professora de Língua Portuguesa, radialista e especialista em Comunicação e Cultura. Mestranda em Comunicação e Cultura. Atualmente trabalha no Jornalismo da TV Canção Nova de São Paulo. Prega em encontros pelo Brasil e atua como formadora de membros da Comunidade. É esposa, mãe e trabalha também com aconselhamento de casais.

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