imperfeição

Do que estamos nos esquecendo?

François La Rochefoucauld, moralista francês do século XVII, tem como uma de suas mais célebres frases a que diz: “A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude”. Isso porque, quando se está admirado pela caridade (por exemplo), inicia-se uma busca para tê-la por virtude própria. Então, percebendo a necessidade de perseverança e retificação, é muito mais fácil apenas falar sobre a caridade sem a praticar. Tentando tornar-se caridoso e falhando, é mais cômodo atacar a caridade. Por que parece tão difícil adotar uma virtude? Por que antes de “ser” buscamos “mostrar que somos”? Do que estamos nos esquecendo?

Estamos nos esquecendo de que há pedras no caminho. É justa a ambição de tornar-se uma pessoa melhor, ter consigo novas virtudes e praticar boas obras, mas livrar-se dos próprios vícios é um caminho que exige perseverança e humildade. Perseverar, porque nossos defeitos fazem parte de quem somos hoje, e livrar-se deles é uma decisão que não tem resultado imediato. Ao tentar livrar-se do vício das palavras duras e tornar-se mais gentil, por exemplo, muitas vezes irá falhar. No calor do momento e na resposta sem pensar, faltará gentileza. Mas isso não pode ser motivo de desânimo, as falhas ocorrerão com frequência no início da jornada, diminuirão com a perseverança e serão raras com o passar do tempo.

Do que estamos nos esquecendo?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Estamos nos esquecendo da imperfeição e do amor

Estamos esquecendo que somos imperfeitos. E porque haverá erros no caminho, a solução é retificar-se. Pedir perdão ao irmão ferido, confessar-se e perdoar a si mesmo. Surgirá a vergonha de se desculpar, mas vergonha maior deve ser a de desistir da virtude. Então, temos um problema: as desculpas incomodam a vaidade. Quando o orgulho se faz presente é mais doloroso admitir a falha. É preciso abandonar a turva imagem de si próprio. Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

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Estamos nos esquecendo das pessoas que nos amam. São Josémaria Escrivá ensina que “começar é de todos; perseverar, de santos”. Com as quedas pelo caminho e a necessidade do perdão, precisamos direcionar os olhares para as pessoas que nos amam. As relações superficiais podem gerar deboches de nossas falhas. Faltará empatia e compreensão. Não nos preocupemos em demonstrar nossas melhorias para impressionar quem não se importa de verdade. Mas as pessoas que nos amam estarão sempre torcendo por nossas vitórias. Cientes de que buscamos ser melhores, serão um ponto de apoio e descanso quando a queda nos ferir. Por elas devemos ser melhores. As pessoas que nos amam são pilares da perseverança.

Que a santidade seja nossa escolha sincera. A hipocrisia afronta a confiança de Deus em nós. Já a honestidade nos permite sermos perdoados por erros que decorrem de nossa imperfeição humana. Que a presença do Espírito Santo seja em nós chama que persiste e não se apaga, permitindo-nos trilhar o caminho da santidade com retidão de coração. Que assim seja!

Referências:

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.
ESCRIVÁ DE BALAGUER, Josemaría. Caminho – 9ª ed. – São Paulo: Quadrante. 1999.

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Luis Gustavo Conde

Catequista atuante na evangelização de jovens e adultos. Palestrante focado na doutrina cristã. Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Tecnólogo em Gestão Empresarial. Professor de cursos técnicos-profissionalizantes.
Instagram: @luisguconde Contato: luisguconde@gmail.com

 

 

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