Do casulo à borboleta

Qual é o momento certo para deixar o casulo para trás?

Reflita com os ensinamentos da borboleta que deixa o casulo para trás

Quando vemos uma borboleta voar cheia de cores, vida e leveza, devemos considerar o processo que ela viveu até chegar ali. Construiu o casulo, morou dentro dele por um tempo e o abandonou quando chegou a hora. Ela não traz esse processo escrito nas mãos, mas o expressa na beleza de suas cores nem na leveza de suas asas. Voa leve e tem um colorido especial quem teve a coragem de deixar seu casulo para trás!

Tenho compreendido que a liberdade interior que tanto desejamos passa por um processo lento, marcado, muitas vezes, pela espera silenciosa e a coragem de deixar voar o que já não nos pertence. É o tempo do casulo, onde o silêncio nos permite escolher o essencial. Aliás, se é que posso dar um conselho, não tenha medo do silêncio. É nele que Deus nos revela Seu amor e nos liberta da ilusão da nossa falsa imagem. É também no silêncio que descobrimos que o ser é mais importante do que o ter, e que valemos muito mais do que o resultado do nosso trabalho, por exemplo. No silêncio, descobrimos ainda que nossa vida não é uma posse a ser defendida, mas um dom de Deus a ser compartilhado com os outros.

Qual é o momento certo para deixar o casulo para trásFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Um tempo para cada coisa

Descobertas assim não acontecem em um fim de semana de encontro, por exemplo. Leva um tempo, exige disciplina, coragem, desapego, fé e, acima de tudo, uma decisão diária de não se deixar levar pelos ruídos que nos cercam. Jesus é o exemplo por excelência de quem não teve medo de se encontrar com si mesmo na solidão e no silêncio, para poder doar-se por inteiro. Vemos, nas Sagradas Escrituras, várias passagens que narram episódios assim: “Jesus foi para um lugar solitário para orar” (Marcos 1,35).

De forma metafórica, podemos considerar também o exemplo da borboleta que, para voar alto, enfrenta as etapas necessárias para sua espécie, inclusive o tempo devido para que suas asas fiquem prontas. E nós, será que decidimos viver os processos que a vida nos propõe?

Aprenda com o conta da borboleta

Recordo-me da famosa fábula da borboleta. Ela narra um homem que, ao observar um casulo e perceber que a borboleta que estava dentro dele fazia um esforço enorme para sair por um pequeno buraco, sem sucesso, resolveu ajudá-la, cortando o restante do casulo. Assim, a borboleta saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho e as suas asas amassadas. O homem ficou esperando, com entusiasmo, o momento de vê-la voar, mas isso nunca aconteceu, pois suas asas ainda não estavam prontas. É que o esforço da borboleta, para conseguir sair do casulo, era necessário para que o fluido do seu corpo fosse para suas asas, fortalecendo-as o bastante para que, quando saísse do casulo, pudesse voar. Sem esse processo, que “dependia somente dela”, voar foi impossível.

Podemos tirar inúmeras lições desse conto, uma delas é que o esforço que fazemos em meio a tantos acontecimentos que marcam nossa história também é necessário para fortalecer nossas asas. Se vivêssemos sem passar por obstáculos, provavelmente jamais “conseguiríamos voar”. Quando buscamos a felicidade como resultado imediato, nossa tendência é atropelarmos o processo natural que a vida nos oferece e, em alguns casos, fazermos o mesmo com quem está ao nosso lado, tardando ou impedido a felicidade de chegar.

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Não tenha medo do novo

Para voar alto, precisamos construir nossa própria história, vivendo todas as etapas sem fugas; antes, procurando em Deus o sentido para cada acontecimento, seguir em frente sem medo de se arriscar quando a vida aponta uma nova direção. Imagino que a lagarta nunca teve a certeza de que seria capaz de voar, mas, mesmo assim, construiu seu casulo e passou por ele com dignidade.

Fiquemos atentos, pois chega um dia que “pode ser hoje”, em que nós também precisamos tomar uma decisão que defina nossa vida. Entrar no casulo que nossos sonhos construíram e movimentarmo-nos dentro dele, com todas as forças, até chegar a hora de voar ou continuar sendo para sempre lagarta que rasteja pelo chão.

De uma coisa tenho certeza, Deus o criou para voar alto com beleza e leveza, trazendo um colorido especial para o mundo que está a sua volta e passa com você por todas as etapas de sua vida, apenas lhe pedindo para não parar em nenhuma delas, pois assim a obra ficaria incompleta. Portanto, vá além da sua dor e do medo de passar até mesmo pelas perdas necessárias, para chegar onde Deus quer levá-lo. E se você perceber que suas asas já estão prontas para voar, deixe seu casulo para trás e voe alto na direção dos seus sonhos!


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

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