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Série: Setembro amarelo | Diagnósticos e tratamentos de doenças mentais

Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio. A campanha, que teve início no Brasil em 2015, é uma forma de ajudar a salvar a vida de milhares de pessoas.

Neste vídeo, a psicóloga Adriana Potexki esclarece sobre como é o diagnóstico e quais tratamentos existem para as doenças mentais.

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A prevenção ao suicídio e o manejo das doenças mentais exigem sensibilidade, conhecimento científico e ação rápida. Em momentos de desespero, qualquer pessoa pode vivenciar pensamentos sobre a morte. Contudo, compreender a gradação desses pensamentos, identificar sinais de alerta e conhecer as abordagens médicas mais atualizadas são passos fundamentais para salvar vidas.

Entendendo os níveis de risco de suicídio e a impulsividade da pulsão de morte

O risco de suicídio não é estático; ele oscila em intensidade e exige avaliação contínua por profissionais de saúde mental.

O risco leve e médio: a persistência dos pensamentos

  • Risco leve: Surge em situações pontuais de desespero, onde o indivíduo cogita que “seria melhor morrer”. Embora inicial, qualquer pensamento desse tipo já representa um sinal de alerta que justifica o acompanhamento psicológico e o apoio familiar.
  • Risco médio: Caracteriza-se pela recorrência e persistência dos pensamentos Suicidas. À medida que a pessoa pensa sobre o tema de forma repetida, o nível de risco aumenta significativamente.

O risco alto e crítico: planejamento, data e falta de sentido para viver

  • Ausência de sentido: Quando a pessoa não encontra motivos ou razões para permanecer viva, o risco dobra de intensidade.
  • Planejamento definido: O risco é classificado como altíssimo quando o indivíduo elabora o método (como cometer) e estabelece uma data específica. Nestes cenários, a conduta médica indicada é o encaminhamento imediato para internação psiquiátrica.

Por que motivos para viver nem sempre impedem o suicídio?

Mesmo quando o paciente possui razões claras para viver — como o amor pelos filhos —, isso não elimina o perigo. No momento crítico da crise, ocorre um impulso avassalador de morte (uma pulsão, segundo a psicanálise). Pacientes reanimados após tentativas graves relatam que, embora lembrassem de seus entes queridos, a força do impulso era temporariamente superior ao afeto que sentiam por eles. Portanto, o risco jamais deve ser minimizado.

Protocolo ético, quebra de sigilo e a rede de apoio

Frente ao risco iminente de suicídio, a proteção da vida sobrepõe-se à privacidade.

Eticamente, tanto psicólogos quanto psiquiatras têm o dever de quebrar o sigilo profissional quando identificam risco à vida do paciente, notificando a família. Do mesmo modo, familiares e amigos que tomarem conhecimento de intenções suicidas ditas em particular devem romper o segredo e acionar ajuda especializada.

A importância do trabalho multidisciplinar e do suporte espiritual

Ninguém deve tentar enfrentar uma crise de suicídio sozinho ou assumir a responsabilidade individual de “salvar” a pessoa; a impotência diante de momentos drásticos é uma realidade. É imprescindível construir uma rede de apoio sólida composta por:

  1. Atendimento psiquiátrico e psicológico: Diagnóstico preciso e conduta terapêutica.
  2. Família e amigos: Vigilância afetuosa e suporte contínuo.
  3. Suporte espiritual: Dimensão reconhecida como aliada relevante no fortalecimento emocional e na busca por sentido de vida.

Transtorno bipolar: Por que o maior perigo surge na fase de melhora?

Diferente do senso comum, o período de maior perigo de suicídio no transtorno bipolar não ocorre quando o paciente está acamado na fase de depressão profunda.

Na depressão severa, o indivíduo muitas vezes carece de energia física e de iniciativa motora para executar qualquer ato. O ponto mais crítico surge quando o paciente começa a apresentar melhora aparente. Durante a oscilação de humor e a mudança de fase, a recuperação da energia física precede a reorganização psíquica, fornecendo a força necessária para que a pulsão de morte seja concretizada.

Relatos práticos sobre a imprevisibilidade da crise

  • O caso da religiosa: Uma paciente bipolar que recebia atendimento em uma transição entre a África e o Canadá apresentou melhora visível e colaborou ativamente em eventos da comunidade. O alerta da profissional sobre o perigo iminente confirmou-se na manhã seguinte, quando a paciente tentou se jogar de uma ponte durante uma crise súbita.
  • A mudança repentina de comportamento: Há registros de jovens que, na mesma manhã em que aparentavam extrema alegria e comunicabilidade (indo ao salão de beleza e planejando sair à noite), cometeram suicídio poucas horas depois. As cartas deixadas nesses episódios frequentemente revelam alterações marcantes na grafia ao longo das linhas, evidenciando o colapso emocional rápido em questão de minutos.

Avanços científicos no tratamento medicamentoso e prevenção do suicídio

A psiquiatria moderna passou por revisões importantes no uso de psicotrópicos para o tratamento de quadros de ideação suicida.

Autópsia psicológica e o alerta do FDA sobre antidepressivos

A autópsia psicológica — investigação profunda realizada junto a familiares e médicos de pessoas falecidas por suicídio — revelou uma alta incidência do uso de antidepressivos e ansiolíticos durante os episódios.

  • Em 2004, o órgão norte-americano FDA emitiu alertas mostrando que, em determinados perfis de pacientes (especialmente com risco subjacente ou sem indicação adequada), o uso isolado de antidepressivos pode aumentar o risco de pensamentos Suicidas.
  • Diante disso, profissionais atualizados têm reduzido a prescrição indiscriminada de antidepressivos para quadros com risco suicida iminente.

O lítio como potente aliado no combate à ideação suicida

Estudos internacionais apontam o Lítio (estabilizador de humor) como a principal substância para cessar a ideação suicida:

  • Presença natural: Cidades cujas fontes de água potável contêm concentrações naturais de lítio apresentam taxas estatisticamente menores de suicídio na população.
  • Redução na depressão unipolar grave: O uso de Lítio reduz em 64% os pensamentos suicidas e o risco de suicídio.
  • Redução no transtorno bipolar: No transtorno bipolar, a eficácia do Lítio é ainda superior, promovendo uma redução de 87% no risco de suicídio.

Por que buscar um Psiquiatra especialista?

Embora o acompanhamento por clínicos gerais ou médicos de família seja valioso, o manejo de patologias complexas e do risco suicida exige a conduta de um médico psiquiatra especialista. Somente o psiquiatra possui o domínio necessário sobre as evidências científicas recentes e o manejo farmacológico adequado para garantir a segurança do paciente.


Adriana Katia Potexki

ADRIANA POTEXKI, nascida em Curitiba (PR), filha de pais cristãos e família com várias vocações religiosas, sempre vinculada a pastorais na igreja e desde jovem membro do Movimento dos Focolares. Mãe do Lucas Miguel, adolescente de 14 anos que adora aventura e é DJ católico.
Com formação em Psicologia, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é terapeuta certificada pelo EMDR Institute e Brainspotting. Participou de diversos programas de TV e rádio, inclusive como apresentadora do programa “Psicologia e Arte” e “Psicologia e Espiritualidade”.
Autora do livro “Cura dos Sentimentos – em mim e no mundo”, (Editora Paulinas), “A cura dos Sentimentos nos Pequeninos – Papai e Mamãe brigaram” e “Vencendo os traumas que nos prendem – descubra os primeiros passos para recomeçar” (Editora Canção Nova)
É palestrante internacional, psicóloga clínica e colunista do Formação Canção Nova.