Rosení Valdez

Como lidar com uma angústia sem fim?

Esse tema parece tão normal hoje em dia! Tantas pessoas, principalmente mulheres, que se vêem numa angústia sem fim, uma dor no peito que parece não ter remédio, uma tristeza que parece nunca sumir, uma fraqueza… Fraqueza da alma, do cérebro, do corpo. Já me senti assim muitas vezes. Acometida por uma doença que foi se agravando, acabei me descobrindo assim. Depressiva, enfraquecida, num estado que parece não ter solução.

Como eu saí dessa situação? Bom, precisei de ajuda. Precisei da ajuda do meu esposo, que me entendeu, levou-me ao médico, sofreu com meu sofrimento, sustentou a casa, os afazeres e o cuidado com os filhos. Precisei de ajuda da minha comunidade, que rezou por mim, visitou, ajudou e encaminhou. Precisei da ajuda médica, de remédios. Precisei de irmãos e irmãs que entendiam, profissionalmente, o que eu estava passando e me orientaram. Precisei da minha mãe, que cuidou de mim. Precisei de Deus, de oração, confissão e direção espiritual. Precisei de Bíblia, de Eucaristia. Precisei ouvir pregações, ler livros de santos. Precisei de oração. Cada pessoa é única diante de Deus.

Com este mundo tão acelerado em que vivemos, parece que chega um momento em que não conseguimos acompanhar o ritmo; então, travamos, sentimo-nos inúteis e sem condições de continuar. Sentimos que paralisa alguma coisa em nós. Somos incapazes de corresponder a tudo que parece exigir de nós, e nossa defesa é parar. Parece que todas as nossas forças já foram usadas, mas ainda não foi o suficiente; então, ficamos muito fracas. Na verdade, em muitos casos, explicou-me uma especialista, as forças acabam mesmo. O cérebro não tem mais energia para mandá-la ao corpo, por isso precisamos de ajuda médica.

Como lidar com uma angústia sem fim?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Como sair desse estágio de angústia ou não chegar nele?

Como cuidar para não cair nessa fraqueza total? Como cuidar de mim, para continuar minha missão de esposa, mãe, filha, profissional, leiga engajada na Igreja?

Quem mais me ajudou, nesse processo, foi Nossa Senhora. A ela pedia socorro, para que colocasse, em minha vida, as pessoas ou os materiais necessário para aquele tempo. Um diretor espiritual me disse uma vez ao me atender: Você está pensando demais. Sua cabeça não para. Pensamento acelerado. Já ouviu isso? Foi aí que ele me deu a seguinte tarefa: “Você vai ler, em uma semana, os quatro Evangelhos. Quando estiver com os pensamentos querendo atormentá-la, pegue a Bíblia e comece a ler. Vá lendo, seguidamente, tudo o que aconteceu nos Evangelhos até ver que já foi o suficiente. Leia uns quatro capítulos por dia”. Eu fiz uma cara de assustada. Ele disse: “Se a sua mente está vivendo algo absurdo de tantos pensamentos, o remédio tem que ser absurdo”. E disse ainda: “Lendo várias vezes os Evangelhos, fará com que tenha os pensamentos em Cristo”.

Fiz a experiência e funcionou. Fazia o que tinha de fazer e, em algum momento livre do dia, em vez de fazer alguma outra coisa, pegava a Bíblia e começava a leitura. Não sobrava espaço para os pensamentos que me atormentavam, para as coisas que eu não tinha solução, mas que eu ficava ruminando. Foi um santo remédio para esse tempo!

O exemplo dos santos

Uma outra grande ajuda foi ler histórias da vida dos santos e assistir a filmes da vida deles. Ver como investiram a vida, como gastaram seu tempo, dá-nos esperança e nos mostra que existe algo para cada um neste mundo, mas não é o “mundo todo” minha responsabilidade.

Li, por exemplo, no Diário de Santa Faustina, um trecho1 onde ela se encontrava como eu, num determinado momento. Ela dizia que não conseguia levantar da cama, que não tinha forças para nada. Eu li esse trecho várias vezes, que é maior do que isso, lógico. Chorei com Santa Faustina. Vi que os santos também passaram por essa “fraqueza”, por depressão, estafa. Chorava e me entregava a Deus.

Esse foi um tempo em que eu não tinha forças para rezar, então, apertando o travesseiro, o terço e, muitas vezes, a mão do meu esposo, eu dizia: “Senhor, por essa angústia e fraqueza, salvai almas agora. Salvai muitas almas. É muito ruim o que sinto, então, que não seja em vão! Salvai almas, convertei os pecadores. Santificai a mim, aos meus e a quem for preciso”.

Essa foi e é uma da minhas maiores armas. Diante do sofrimento, seja ele qual for, oferecer a Deus. Oferecer em sacrifício pela salvação das almas e pela conversão dos pecadores, como nos pediu Nossa Senhora em sua aparição em Fátima. Assim, cumprimos também o que diz na Palavra: “O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.” (colossenses 1,24)

A força da Palavra

Ler os Salmos é outro remédio ótimo. Quem me ensinou foi a Luzia Santiago, cofundadora da Canção Nova, logo nos meus primeiros anos de comunidade. Ela disse: “Comece a ler os Salmos, comece pelo Salmo 1 e vai lendo direto o 2, 3…” No momento em que você se deparar com um versículo que tem a ver com o que está vivendo, naquele dia, e sentir que, ali, Deus quer falar com você, pare, reze, chore se preciso, desabafe com Deus. No outro dia, continue daí em diante, sempre com esse propósito de parar quando a Palavra for para você.

Houve outras épocas, em minha fraqueza humana, quando os pensamentos me atormentavam e não queria pensar em nada e em nenhum problema humano para resolver; eu queria ver filmes, essa era minha fuga humana. Uma vez ou outra, faz bem, mas fazer disso o meu refúgio não era bom, começou a virar um vício, um mau hábito.

Então, com a graça de Deus, o Espírito Santo me fazia, de alguma forma, perceber que precisava me cuidar. Eu me confessava e fazia o propósito de, se realmente precisasse ver um filme para me distrair os pensamentos, que, então, eu veria só filmes cristãos e da vida dos santos. Fiz isso como penitência de Quaresma, fiz como novena (por nove dias) e em outros momentos que precisava retomar.

Assim, vamos descobrindo nossas fraquezas e o remédio espiritual para elas. Vemos que nossa vida é um caminho de lutas e retomadas. Em cada retomada, tornamo-nos mais fortes em Deus, mesmo que fracos em nossa humanidade.

A relação com Nossa Senhora

Nossa Senhora me ajudou muito! Chegou em minhas mãos o livro ‘Cura e libertação pelo Jejum’, escrito pela Ir. Emanuel2, que tem uma comunidade em Medjugorje. Ela escreve o livro contando testemunhos de pessoas que vivem o que Nossa Senhora pede em suas mensagens. Desde Fátima, Lourdes, em todos os lugares que Nossa Senhora apareceu, ela pede e continua pedindo oração, jejum, penitência, e nos mostrando o poder que isso tem em nossa vida.

Estar em sintonia com Nossa Senhora, com aquilo que o Céu tem nos revelado por meio dela, dá-me muita força e ânimo. Li também o livro de São Luiz de Monfort, da ‘Verdadeira devoção a Nossa Senhora’3. Reli as mensagens de Fátima, fiz a consagração e passei a ter Maria como minha companheira, meu socorro certo, aquela que me aproxima de Jesus e me impele a retomar cada vez que estou vacilando, esfriando, enfraquecendo. Como me ajudou Maria! Ela é um socorro certo.

Aqui, já falo do terço, de rezar o terço todos os dias. Como tenho mudado o jeito de rezar! Tenho pedido a ela a graça de rezar com o coração e tenho insistido. Como é eficaz essa oração! Contemplar os mistérios da vida de Cristo e, realmente, tomar posse do Seu amor e da Sua salvação. Ali, no terço, derramar minhas angústias, meus sofrimentos interiores e entregar todas as pessoas com as quais me preocupo! Derramar minha desatenção quando estou muito fraca, e saber que, mesmo nesses dias, ela colhe minha oração e a oferece a Jesus. Rezem o terço, minha gente! Rezem o terço!

Li uma vez, num livro, que, ao ouvir a mensagem de Nossa Senhora, nestes tempos, precisamos rezar o terço em família. Uma mulher disse: “Lá em casa, ninguém vai querer. Meu marido bebe, o filho é rebelde e a filha também”. Então, disseram àquela mulher: “Reze o terço em família, mesmo que comece com você sozinha”.

Ela fez isso. Começou a rezar o terço em família, sozinha na sala. Depois de algum tempo, a filha se juntou a ela. As duas rezaram por um bom tempo, depois o filho se juntou. Por último, depois de mais um tempo, o esposo veio. O tempo é de Deus e não nosso. É preciso dar o passo e cumprir a nossa parte, pois se nós ouvimos o chamado, nós é que respondemos primeiro. Santa Mônica rezou por 30 anos pela conversão de Santo Agostinho! Não posso desistir de rezar. Ajuda-me sempre, Virgem Maria.

Qual arma devo usar?

Partilhei, aqui, alguns momentos de luta e algumas armas que usei. Deus, que vê seu coração, vai iluminá-lo com a arma que você pode lutar em cada momento que precisar.

Se estiver tomando remédios ou precisar deles, tome-os, pois foi uma das ajuda que precisei mais de uma vez. Não se desespere, mantenha a luta na vida de oração, porque fará uma grande diferença na sua vida. E como você viu, as formas de alimentar a alma são muitas, graças a Deus. Usufrua delas!

Nossa Senhora rogue por ti!

Referências:

(1) Diário de Santa Faustina N. 1310
(2) Livro Cura e Libertação pelo Jejum – Irmã Emanuel – Ed. Canção Nova
(3) Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem

banner espiritualidade


Rosení Valdez Oliveira

Rosení Valdez Oliveira é missionária na Comunidade Canção Nova desde 1997. Ela reside na missão de Cachoeira Paulista (SP) e atua no Setor infantojuvenil com produção de conteúdo para crianças e adolescentes. Rosení também prega encontros para casais junto com seu esposo, Alexandre Oliveira. Semanalmente, o casal comanda uma live oracional no Instagram da @cancaonova. A missionária é colunista, desde 2013, do portal cancaonova.com. Também é organizadora do livro ‘#Adolescente – de quase tudo um pouco’, pela editora Canção Nova, e do DVD ‘Um lugar bem legal’, pela gravadora Canção Nova.

comentários