Eu sou sua Mãe

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina

A Virgem Maria, como nos afirma tão bem Santo Agostinho de Hipona, com o seu consentimento ao tornar-se Mãe da Cabeça que é Cristo torna-se assim também Mãe do seu corpo, que é a Igreja do povo santo de Deus. Verdadeiramente, a Virgem Maria Mãe de Deus é também nossa Mãe, Mãe do novo povo remido em Cristo.

Muitos são os relatos de aparições de Nossa Senhora em várias partes do mundo. As aparições marianas ou (mariofanias), ao longo da História da Igreja, são fatos históricos que as autoridades Eclesiásticas, após lento e prolongado exame e investigação, reconheceu e aprovou oficialmente. Esses acontecimentos são fatores de incremento do culto cristão a Mãe de Deus: festa litúrgica, santuário mariano, orações e invocações especiais etc. Esses fenômenos são manifestações da perene ação salvadora de Deus por meio de Jesus Cristo e de Sua Mãe Santíssima.

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina

Foto ilustrativa: Laks-Art by Getty Images

As aparições de Nossa Senhora de Guadalupe

No ano de 1531, aconteceram algumas manifestações de Nossa Senhora no México. A Primeira dessas aparições se dá em um sábado de manhã quando a Virgem Santíssima apareceu a um pobre índio asteca de nome Juan Diego sobre uma montanha de nome Tepeyacac; o índio estava andando quando escutou uma voz que o chamou de cima do monte: “Juanito, Juan Dieguito.” Ele, com coragem, foi onde o estavam chamando, não teve o mínimo de medo, pelo contrário, encorajou-se e subiu a montanha para ver. Quando alcançou o topo, viu uma Senhora, que estava parada e disse-lhe para se aproximar. Em Sua presença, ele maravilhou-se pela Sua grandeza sobre-humana, diante de tal formosura o índio ficou encantado. Os vestidos da bela Senhora eram radiantes como o sol, e de sua presença espargia uma paz imensa.

A Virgem confiou ao pobre índio o seu desejo: “Saiba e entenda, você é o mais humilde dos meus filhos; e Eu, a Sempre Virgem Maria, Mãe do Deus Vivo por quem nós vivemos, do Criador de todas as coisas, Senhor do Céu e da Terra. Eu desejo que um templo seja construído aqui rapidamente. Então, Eu poderei mostrar todo o meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros que me amam, invocam e confiam em mim. Ouço todos os seus lamentos e remedio todas as suas misérias, aflições e dores. E para realizar o que a minha clemência pretende, vá ao palácio do Bispo do México e lhe diga que Eu manifesto o meu grande desejo, que aqui, neste lugar, seja construído um templo para mim. Você dirá exatamente tudo que viu, admirou e ouviu. Tenha certeza que ficarei muito agradecida e lhe recompensarei. Eu farei você muito feliz e digno da minha recompensa, por causa do esforço e fadiga que você terá para cumprir o que Eu lhe ordeno e confio. Observe, você ouviu minha ordem, meu humilde filho, vá e coloque todo seu esforço”.

Neste ponto, ele inclinou-se diante dela e disse: “Minha Senhora, Eu estou indo cumprir Tua ordem, agora me despeço de Ti, Teu humilde servo”. Logo, desceu para cumprir sua tarefa e foi em linha reta pela estrada, até a Cidade do México ao encontro do Bispo. Mas quando Juan Diego chegou ao palácio episcopal, o Bispo não lhe deu atenção, e ele voltou muito decepcionado.

Na segunda aparição, ele falou a Nossa Senhora que o bispo não deu importância aos relatos que ele fez; após essa aparição, ele voltou ao bispo para contar o que tinha visto. Diante do relato do índio, o Bispo pede que ele peça a essa senhora um sinal de que tudo isso é verdade.

A quarta aparição da Virgem era uma terça-feira, antes do amanhecer. Juan Diego ia de sua casa ao Tlatelolco para chamar o sacerdote, pois o seu tio estava doente, e ao aproximar-se da estrada que liga a ladeira ao topo do Tepeyacac, em direção ao oeste onde estava acostumado a passar, disse: “Se eu seguir adiante, a Senhora estará esperando-me, e eu terei que parar e levar o sinal ao Bispo, como pressuponho. A primeira coisa que devemos fazer, apressadamente, é chamar o sacerdote, porque meu pobre tio certamente o espera”. Então, contornou a montanha, deu várias voltas, de forma que em sua ingenuidade não poderia ser visto por ela, que pode ver todos os lugares. A Virgem desceu da montanha e se aproximou dele. E ele, na sua humildade, contou que seu tio estava mal e que ele também estava preocupado, porque o Bispo não acreditava nele.

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Quem é a sua Mãe?

Depois de ouvir toda a conversa de Juan Diego, a Santíssima Virgem respondeu: “Escuta-Me e entenda bem, meu caçula, nada deve amedrontar ou afligir você. Não deixe seu coração perturbado. Não tema essa ou qualquer outra enfermidade ou angústia. Eu não estou aqui? Quem é sua Mãe? Você não está abaixo de minha proteção? Eu não sou sua saúde? Você não está feliz com o meu abraço? O que mais pode querer? Não tema nem se perturbe com qualquer outra coisa. Não se aflija por essa enfermidade de seu tio, por causa disso, ele não morrerá agora. Tenha certeza de que ele já está curado.” (E então seu tio foi curado, como mais tarde se soube.) Diante das contrariedades da vida, é preciso confiar sempre na maternidade de Maria que vela pelos seus filhos. E assim como perguntou a Juan Diego, ela pergunta a cada um de nós hoje: “Não estou eu aqui, que sou tua mãe?”.

A Virgem pede a Juan Diego que recolha umas flores no seu manto e leve ao Bispo como sinal pedido por ele. O interessante é que esse tipo de flores não dava nesta época do ano – diante das flores já se percebe um grande sinal. Ao chegar no palácio do Bispo, o índio abre seu manto aos pês do Bispo e, para surpresa de todos, no manto de Juan Diego está estampado a Imagem de Nossa Senhora do mesmo jeito que ele tinha visto, com as características próprias do povo. A Vigem aparece com os traços de uma índia asteca. O sinal não era só as flores. O Bispo ficou maravilhado diante de tão grandioso sinal. Maria é sinal do amor imenso de Deus, que nunca desiste do seu povo.

Uma mãe próxima, a “Mãe das Américas”

Diante da suposta incredulidade, Deus, em Seus meios providentes, toca o coração do homem, que de descrente se torna crente. Deus se utilizou de Nossa Senhora como um mero e grandioso instrumento para evangelizar aquela nação e aqueles povos. Por maiores que sejam os sofrimentos e falimentos da vida, precisamos nos recordar que temos uma mãe que nos ama e nos acompanha em nossas lágrimas, que nunca é indiferente aos seus. Ela é minha e sua Mãe, uma Mãe próxima.

Os Papas sempre tiveram um carinho e veneração pela Virgem de Guadalupe. O Papa Pio X a proclamou como “Padroeira de toda a América Latina”. E Pio XI solenemente a proclamou padroeira de todas as “Américas”. Também o Papa Pio XII a chamou “Imperatriz das Américas” e João XXIII “a Missionária Celeste do Novo Mundo” e “a Mãe das Américas”.


José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE), ele é formado em Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova e graduando do curso de Teologia na mesma faculdade em Cachoeira Paulista (SP). O missionário atua na liturgia durante os eventos, e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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