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A caridade ardente de Maria

Maria é a serva do Senhor, um humilde instrumento nas mãos de Deus. E tudo aquilo que Ela é, ela é por causa dos méritos do seu Filho e Senhor Nosso. No coração da Virgem Maria ardia, de forma tão extraordinária, a caridade, que era fruto da sua fé e da sua esperança. O coração de Maria era tomado pela Palavra de Deus, nele não existia espaço para nada que não fosse Deus, era um coração indiviso, puro, cheio de amor. Maria era vazia de si, mas cheia de Deus e do Seu amor.

O amor é essencialmente a vida de Deus, por isso Maria, como qualquer outra criatura, participa da vida d’Ele, mas ela o fez de forma mais excelente e mais perfeita. Essa vida de Deus ardia no coração da jovem de Nazaré, que, em tudo, amou o seu Deus. Por amá-Lo acima de tudo, seu coração era transbordante de amor; e, diante do anúncio do Anjo, partiu às pressas para a pequena cidade da Judeia, chamada Ein-Karen, para servir, para ajudar sua prima.

Ambrósio de Milão nos diz que “ela foi guiada pelo júbilo de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior da sua alegria. A graça do Espírito Santo ignora a lentidão”. O amor de Deus nos leva a sairmos de nós mesmos e irmos em direção ao outro, principalmente daqueles que mais precisam de nossa ajuda. Maria, por amar, parte, não se importa com os incômodos da viagem nem consigo mesma, o amor a interpela.

A caridade ardente de Maria

Foto ilustrativa: PongMoji by Getty Images

O amor é a essência de Deus, e por ser a essência d’Ele, arde no coração daqueles que O amam acima de tudo e que buscam, diante de todas as coisas, fazer Sua santa vontade.

Maria, ajude-nos a ser caridade!

O coração de Maria é um eterno exaltar a grandeza de Deus! Ela está na paz perfeita, nada nem ninguém pode impedir que ela entoe o seu Magnificat. Só quem ama, verdadeiramente, a Deus oferece sua vida como dom, como oferta; e ao perceber o quanto Ele realizou em sua vida, reconhece: nada é meu, tudo foi Ele quem realizou em mim.

Senhora Nossa, abrasada de Amor Vivo, faz arder, em nosso coração, aquela caridade que incendiava seu coração. Fazei, Mãe, que também nós nos doemos com tudo o que temos e somos ao verdadeiro Amor, aquele Amor que não conhece orgulho nem mediocridade. Que sejamos caridade!

O amor não é sentimento. Para nós cristãos, o amor é uma pessoa viva, o Amor se encarnou, fez-se pessoa e veio habitar no nosso meio. O Amor armou Sua tenda em meio a nós: O amor é Cristo, Ele é o verdadeiro e o único amor. Maria é a tenda deste amor, ela é a casa, é a morada do Mistério! No coração dela, não existiam só sentimentos de amor, mas existia o próprio Amor. Não era, simplesmente, alguém que tinha atitudes amorosas, mas que tinha o Amor como seu tudo, o Amor era seu Filho. Só quem amava tanto Deus poderia colaborar com Ele gerando o Amor. Maria amou Deus como Deus mesmo nos tinha ordenado, com todo o coração, com toda a sua alma, com todas as suas forças. Ela viveu tão fielmente em tudo o “Shema Israel”, tão importante para seu povo e para si.

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Vazia de Si e cheia de amor

A vida de Maria foi toda ela um eterno fazer a vontade de Deus e em ser amor, nunca se queixou dos seus sofrimentos, nunca lhe pareceu demasiado grande qualquer sacrifício que a providência lhe permitia, e nunca deixou de fazer, com amor e prontidão, nada do que a vontade de Deus lhe pedia. Era vazia de Si e cheia de amor. Ela prefere, antes de tudo, o amor d’Ele, um amor de predileção. E o Pai, ao olhar para a Filha de Sião, encanta-se, encanta-se com a obra que Ele tinha feito. Deus viu que, em Maria, era tudo bom, belo e humilde. Deus, por causa dos méritos de Cristo, preservou Maria de todo pecado. No coração dela, ardia amor, e tudo o que realizava era amor em atitudes concretas. Nas bodas de Caná, é atenta quando o vinho falta. Ela não tem nada a ver com aquilo, mas ela se preocupa, é atenta.

Vemos, na Virgem Maria, uma caridade pronta, ou seja, uma caridade que não espera nem se intimida, mas é pronta na execução, por isso vai até seu Filho e intercede. E o milagre acontece. O amor ardia de forma tão intensa em Maria, que ela não pede nada para si, preocupa-se com seus filhos, pois ela é: “Vida, doçura e esperança nossa…”

Devemos ser a presença de Maria no mundo

Ao olharmos para as virtudes de Nossa Senhora, deve arder, em nosso coração, o desejo de as imitar. Mais do que sermos apenas meros devotos dela, devemos imitar sua vida, sua humildade, seu amor perfeito, sua caridade pronta, pois, às vezes, percebemos muita gente querendo ver Nossa Senhora, querendo conversar com ela, mas não vemos essas pessoas querendo imitar as suas virtudes, o seu amor, a sua caridade e o seu silêncio. Quem ama Nossa Senhora busca ser virtuoso, busca parecer-se com ela. Como nos ensina a Igreja, ela é nosso modelo!

Recordo-me da serva de Deus Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. Uma vez, Chiara, em oração, conversando com Jesus, diz e, ao mesmo tempo, pergunta: “Senhor, Tu fostes para o Pai, mas permaneceste conosco na Eucaristia. Por que Tu também não fizeste um meio de deixar também Tua Mãe conosco?”. Lá, no fundo do coração de Chiara, Jesus responde: “Eu quero que você seja a continuação da minha Mãe na Terra. Viva a vida dela, seja minha Mãe”.

Com isso, Jesus nos diz que cada um de nós deve ser a presença de Maria no mundo, imitar sua vida, suas virtudes. Portanto, vivendo assim, agradaremos a Deus, pois Maria foi agradável a Deus em tudo. Nela, está tudo que somos chamados a ser, ela é modelo escatológico de quem um dia seremos, pois ela é o modelo perfeito de alguém que viveu o Amor. Ela é ícone do Belo Amor!

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José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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