CONCEPÇÃO

O que muda com a chegada dos filhos

O matrimônio e os filhos

Os esposos ao dizerem o “SIM” um ao outro perante o altar, assumem um compromisso firmado em quatro pilares: liberdade; unidade e indissolubilidade; fidelidade; e abertura à vida. Se não estiverem reunidas, todas as condições necessárias no momento da celebração do matrimônio, esse pode ser considerado inválido. O matrimônio tem uma dupla finalidade: o bem dos esposos e a transmissão do dom da vida. De tudo isso, resulta a família e nessa surge o dom da vida. Dessa forma, os esposos são chamados a participarem do amor criador de Deus. A Providência Divina se incumbirá de providenciar como essa participação acontecerá e, mesmo que não sejam filhos biológicos, Deus poderá dar a graça ao casal de serem pais espirituais, por meio da adoção, por exemplo. A abertura à vida ultrapassa as possibilidades biológicas.

Foto: skynesher by Getty Images

O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias (Humanae Vitae). E, no momento em que chega a notícia de que serão pais, tudo muda. Mesmo diante de uma gravidez que não foi planejada, quando há verdadeira abertura à vida, a alegria e o desejo por aquela criança toma conta dos dois. Algo inexplicável! Assim, testemunham tantas famílias. É a graça que vem junto com o bebê a caminho; o “ninho” cheio de Deus, que é Amor, já se prepara para recebê-lo.

Esses novos pais, apesar de todo desejo, são duas pessoas diferentes e nada perfeitas, por isso, começam também um caminho de grandes desafios. O casal enamorado que, até então, eram apenas dois e que viviam um para o outro, de agora em diante passa a ser família, e as atenções se voltam, também, para outra pessoa. O tempo fica mais escasso, a rotina na casa se volta para o novo membro, e agora precisam aceitar que só o tempo contribuirá para que tudo se ajeite.

Novas responsabilidades: elas surgem inevitavelmente, pois, agora existe uma pessoa totalmente dependente dos dois. Precisam se preocupar com a comida; troca de fraldas; se está doente; rotina. Até então, eram dois adultos que, se um esquecesse de algo o outro poderia se virar, mas agora tudo é diferente, as coisas mudaram.

Vida sexual: o apetite sexual também muda! Entrou na vida conjugal, no período de amamentação, os hormônios que não contribuem para um bom desempenho no ato sexual. O cansaço que toma conta, principalmente da mãe fatigada por noites e noites mal dormidas, com um bebê que de hora em hora está com cólica, ou está com fome, e sem contar as noites com febre. E, nesse processo, o casal é chamado ao diálogo, à compreensão e a irem superando aos poucos esse lindo “tsunami” que atingiu a vida familiar. Aqui vale uma dica: contribua para que o esposo (a) descanse. Isso faz uma grande diferença na disposição sexual! Aos poucos tudo se ajeita! Lembre-se: é passageiro! Neste tempo é ótimo retomar o amor, as delicadezas e o carinho, como forma de celebração.

Equilíbrio dos papeis: com a chegada dos filhos a mulher se torna como uma “leoa diante do filhote”. Aqui é o momento para parar e pensar: essa criança chegou a partir de uma mãe, mas também de um pai, e esse precisa exercer seu papel. Assim, como pai, precisa aproximar-se e demonstrar o companheirismo à esposa, muitas vezes consumida pelo cansaço. Além disso, a vida se torna muito exigente quando vivemos solitariamente, mesmo no matrimônio. Cada um precisa se distanciar e assumir o bebê de acordo com cada momento, porque os filhos são fruto do amor de seus pais, por isso, é motivo de união.

O que muda na rotina após os filhos?

Rotina: aquela hora tranquila do jantar e depois se esticar no sofá, parece algo distante. Tudo é pensado em torno do bebê. O sono se torna um sonho praticamente impossível. Tudo vira uma bagunça. Parece que os horários “correm de nós”, as roupas “surgem dos ralos”; enfim, tudo se desajusta, mas desajusta para que haja um recomeço. Nessa hora não se pode “abandonar o barco”. Com o diálogo e companheirismo o casal consegue criar a própria rotina, de acordo com as características da família. Segundo especialistas, a rotina é importantíssima para o equilíbrio também afetivo da criança. Pais equilibrados afetivamente e uma rotina sem muita rigidez, mas com a organização necessária para se viver harmonicamente, pode ser a medida.

Leia mais:
:: Pais e avós: o desafio de educar e dividir as tarefas no cuidado dos filhos
:: Como posso fazer para educar e criar bem meus filhos?
:: Qual a importância de os pais incentivarem os filhos a irem à catequese?
:: No atual panorama do Brasil, cabe espaço para os filhos?

“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo”  Papa Francisco (11.02.15 Vaticano).

Mudanças acontecem ao longo da vida, desde que os filhos chegam. Eles estarão adultos e as mudanças continuarão acontecendo, porém, numa família em que os pais se amam e se complementam na disposição de ter um lar em Deus, tudo torna-se mais leve e agradável.

Neste caso, as mudanças vêm para “mexer a água parada”. Uma vida sem novidade é uma vida sem graça, e novidades geram mudanças. Pense nisso! Aproveite cada segundo da linda novidade que é a chegada de um filho em casa. Muita coisa muda! E nós, pais, mudamos para melhor! Aprendemos a sermos mais pacientes, mais misericordiosos, mais flexíveis e, com certeza, aprendemos a simplificar a vida. Uma casa que muda por causa dos filhos, é uma casa onde o amor floresce, caso contrário, continua rígida e nos tornamos engessados!

Aproveite a chegada de seu filho para ser melhor!

Elzirene Pereira
Missionária da Comunidade Canção Nova


Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.