Influências

Não gosto das amizades dos meus filhos. E agora?

Antes de falarmos sobre a amizade dos filhos, precisamos refletir sobre as nossas. É fato que todas as pessoas saudáveis gostam de amigos e precisam deles, porque fomos criados como seres sociais.

 A Bíblia ensina que “quem encontra um amigo, acha um tesouro” (Eclo 6,14), mas o inverso também pode ser verdadeiro, uma amizade ruim pode ser fonte de pecado que nos leva por caminhos ruins.

Os pais precisam se cercar de poucos amigos, mas que sejam realmente bons amigos, para que o filho aprenda que Jesus não tinha muitos amigos, apesar de viver cercado de uma multidão. Poucos devem participar da intimidade, onde ocorrem as trocas de informações pessoais, porque alguns se aproximam com interesses escusos, no caso de nossos filhos, para oferecer drogas, sexo e coisas ilícitas. É preciso ensinar aos filhos a terem um “radar” para detectar falsidades. Como esse radar vai se aperfeiçoando com a experiência de vida, os pais precisam auxiliá-los e mostrar-lhes as qualidades e defeitos, para que os filhos façam um julgamento de valor. 

Não gosto das amizades dos meus filhos. E agora?

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Devemos ensinar a nossos filhos o valor das amizades, e que elas podem ser tanto construtivas como destrutivas

Alguns pais dirão que já fazem isso, mas os filhos não aceitam os conselhos. Nesse caso, a espera na oração e no amor são as ferramentas para que eles descubram a verdade. Entretanto, precisamos insistir que sejam seletivos, pois as más companhias interferem nas decisões que podem mudar o rumo de uma vida. Observe o seu círculo de amizade e as influências que trazem. O filho em um momento de rebeldia pode escolher o oposto daquele amigo que a Bíblia ensina.

Os pais devem ser firmes e mostrar aos filhos as consequências dos maus hábitos que essas pessoas estão ajudando a introduzir em suas vidas, e que a convivência gera hábitos semelhantes. Cuidado para não sermos seletivos demais, acreditando que não devemos conviver com pessoas de hábitos ruins, não é isso! Estamos falando de convivência que gera aquisição de hábitos ruins, pois devemos ser sal da terra e luz do mundo. 

Ensinar é melhor que punir

Aprendamos a ser mansos como a pomba para ajudar as pessoas a reencontrarem o bom caminho, e espertos como a serpente para perceber quem se aproxima como lobos e com estratégias para corromper os filhos. A dificuldade é mostrar aos filhos, sem que eles tenham de aprender pela dor, que eles podem se aproximar para conviver, mas não podem envolver-se emocionalmente com quem pode voluntária ou involuntariamente prejudicá-los. 

O processo de observação é muito importante para conhecer alguém e prestar atenção como essa pessoa trata as outras. Ela guarda os segredos que ouviu de outros, fala mal quando a pessoa se encontra ausente, trata bem a família etc. Ou seja, a forma como ela se comporta com os outros, provavelmente, vai se comportar com você. Como cristãos, precisamos ensinar que há pessoas que nos afastam ou nos aproximam de Deus, “junte-se aos bons e será um deles”. Quando alguém precisa de algo, essa pessoa está disponível ou se move só por interesse?

Observe bem as ações dos amigos

Existem amizades de berço onde os problemas são as mordidas, roubar o brinquedo, bater. Não se preocupe! Essa fase passa. Basta proteger para que algo maior não aconteça. Alguns possuem amigos mandões. Observe se é uma liderança positiva ou se existe excesso de passividade do seu filho, e aja! Não existe quantidade ideal de amigos. Os mais tímidos têm mais dificuldade e os extrovertidos sempre são convidados para tudo.

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Interfira somente se perceber que ambos os casos trazem prejuízos para seu filho. Incentive a amizade entre irmãos, porque o processo educacional é o mesmo, o que facilita no tipo de hábitos. Alguns amigos vêm e outros vão, é preciso trabalhar os filhos para esses abandonos. Existem os amigos que são contrários a sua educação, bagunceiros, drogados… Explique para seus filhos que atitudes têm consequências, e que você não gosta do que eles fazem por saber que isso irá complicá-los.

Os pais têm condições melhores de avaliar as atitudes dos amigos dos filhos, mas não adianta bater de frente, é preciso ir mostrando os defeitos e falhas de caráter diante de algumas situações, mostrar as influências ruins no dia a dia do filho. Às vezes, é preciso afastar essas amizades que você não gosta sem perder o contato, até que seu filho perceba a influência negativa que esse amigo traz para sua vida.  Lembre-se de que nem tudo pode ser mudado pelo diálogo, mas pode ser mudado pela força da oração.

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Ângela Abdo

Mestre em Ciências Contábeis pela Fucape, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV, Gestão de Pessoas pela Faesa, graduada em Serviço Social pela Ufes e psicanalista. Consultora e Executiva na área de RH e empresa hospitalar. Foi coordenadora do grupo fundador do Movimento Mães que Oram pelos Filhos da Paróquia São Camilo de Lellis, em Vitória (ES) e do grupo de Amigos da Canção Nova de Vitória. Atualmente, é coordenadora nacional e internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos. Escritora dos livros “La Salette, o grito de uma Mãe!” (2018), “Superação x Rejeição: Aprendendo a ser livre” (2017), “Ser Mulher À Luz da Bíblia: Porque Deus Pode Tudo!” (2016) e “Mães que Oram pelos Filhos” (2016). Participa do programa “Papo de Mãe que Ora”, no canal Mães que Oram pelos Filhos Oficial, e do “Mães que Oram pelos Filhos”, na Rádio América.  

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