As palavras da Palavra

O ministério da Palavra e os colaboradores ativos da missão da Igreja

Entenda o ministério da Palavra

O encargo de anunciar o Evangelho é, principalmente, confiado ao Papa e ao Colégio dos Bispos. Os bispos diocesanos atuam como moderadores do ministério da Palavra; aos sacerdotes e diáconos cabe o serviço da anunciação ao povo de Deus; e aos fiéis leigos cabe serem testemunhas da mensagem do Evangelho pela palavra e pelo exemplo da vida cristã, podendo ser chamados a cooperar com o bispo e os sacerdotes no exercício do ministério da Palavra.

O ministério da Palavra e os colaboradores ativos da missão da Igreja

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Esse ministério deve basear-se na Sagrada Escritura, na Tradição, na liturgia, no magistério e na vida da Igreja, dirigindo-se integral e fielmente ao mistério de Cristo. Entre as várias formas de pregação sobressai a homilia, que é parte da própria liturgia e se reserva ao sacerdote ou diácono. Nela se expõe os mistérios da fé a partir do texto sagrado e as normas da vida cristã, conforme a necessidade dos paroquianos.

Durante o Concílio Vaticano II, o Santo Papa Paulo VI assim redigiu: “Entre os principais encargos dos Bispos ocupa lugar preeminente a pregação do Evangelho. Os Bispos são os arautos da fé que para Deus conduzem novos discípulos. Dotados da autoridade de Cristo, são doutores autênticos, que pregam ao povo a eles confiado a fé que se deve crer e aplicar na vida prática; ilustrando-a sob a luz do Espírito Santo e tirando do tesouro da revelação coisas novas e antigas, fazem-no frutificar e solicitamente afastam os erros que ameaçam o seu rebanho”.

Daí a ideia da série “As palavras da Palavra”, para que possamos entender profundamente a mensagem de salvação, de forma a sermos colaboradores ativos da missão evangelizadora da Igreja. Com efeito, não se trata apenas de traduzir e interpretar o texto bíblico, mas sim de se tornar transmissor da mensagem de salvação e esperança que a humanidade desolada tanto anseia.

Ao clérigo e aos fiéis, cumpre a exposição da doutrina proposta pelo magistério da Igreja acerca da dignidade e liberdade da pessoa humana, da unidade e estabilidade da família e das suas funções, das obrigações dos homens reunidos em sociedade, e ainda acerca do modo de dispor as coisas temporais segundo a ordem estabelecida por Deus. Em outras palavras, não se trata apenas de divulgar o texto, mas sim transmitir a mensagem. Vamos entender melhor.

Jesus nos ensinou o caminho do Reino dos Céus e a vontade de Deus Pai por meio de palavras e ações. Em momentos especiais, parou junto ao povo e lhes ensinava diversas lições. O Evangelho de Mateus compartilha cinco desses momentos de forma particular. O sermão da montanha é o primeiro deles, que ocupa os capítulos 5, 6 e 7, apresentando-nos Jesus como verdadeiro Mestre, ensinando sobre as leis, sobre Deus, sobre o próximo e sobre a oração. Note que não são apenas lições sobre regras e mandamentos, mas verdadeiros ensinamentos de vida, atribuídos a toda comunidade, de antes e de agora. Inclusive, o sermão se inicia pelas “bem-aventuranças”, que são, basicamente, lições de felicidade.

Quantos irmãos desamparados buscam o caminho da felicidade em livros de autoajuda! Como toda generalização é injusta, não entendam essa expressão como uma crítica às tais obras, mas, por certo, a Palavra de Deus é nosso refúgio e salvação. Entendamos o desígnio da série “As palavras da Palavra”: as lições de vida, amor e felicidade são encontradas nas Sagradas Escrituras.

Esse é o terceiro artigo da série “As palavras da Palavra” tem como singela missão despertar nos cristãos o sentimento íntimo de se tornarem receptores e emissores da mensagem de Deus, tema específico do primeiro artigo. O artigo anterior trata do ministério da Palavra. A reflexão particular do texto bíblico e a reflexão por grupos de oração serão temas dos próximos artigos.

Que Deus nos acompanhe e nos ilumine. Que assim seja.

Referências:

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.

PAULO VI. Constituição Dogmática Lumen Gentium. Concílio Vaticano II. Roma, 21 de novembro de 1964.

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. Promulgado por João Paulo II, Papa. Conferência Episcopal Portuguesa. 4. ed. Editorial Apostolado da Oração – BRAGA, 2007.


Luis Gustavo Conde

Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Professor de cursos técnicos. Catequista no Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Ribeirão Preto/SP. Palestrante focado na doutrina cristã. Contato: lg.conde@icloud.com Twitter: @luisguconde

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