Vencendo na fé

Cristão preguiçoso não sobe ao pódio de Deus

A vida do cristão pode ser comparada à vida de um atleta

De quatro em quatro anos vivemos ou revivemos todas as emoções de uma copa do mundo. Mesmo aqueles que não acompanham o futebol no decorrer do ano se unem aos familiares, amigos e vizinhos para torcer pela seleção e fazer festa por sua vitória. A cada jogo uma tensão, uma expectativa! Todos que torcem pelo êxito da sua seleção têm em vista a vitória final, o primeiro lugar do pódio.

Dentro de campo, os atletas suam a camisa, correm de um lado para o outro, fazem careta e até sangram. Querem, a todo custo, que a bola ultrapasse a linha do gol. Repito, assistimos aos jogos, mas, na verdade, a meta é a vitória final. Quando a vitória finalmente chega, fazemos festa, alegramo-nos, subimos ao pódio com os nossos atletas que estão do outro lado do mundo e nos sentimos representados pelo capitão do time quando ele ergue a tão disputada taça. Chegou o momento de glória!

Cristão preguiçoso não sobe ao pódio de Deus

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Geralmente, nessas horas, esquecemo-nos de algo essencial. A vida quotidiana daqueles atletas nem sempre é repleta de glórias. Se eles chegaram ao pódio, tenha certeza, precisaram treinar muito, fazer muito esforço, sentir muita dor e renunciar a muitas coisas. A vida do atleta profissional é assim, cheia de renúncias em vista de um momento de glória.

Todo cristão é também atleta

Nós, enquanto cristãos, podemos aprender com a vida e dedicação dos atletas de alto nível. Precisamos nos esforçar para sermos “cristãos de alto nível”. A carta de São Paulo ao Filipenses insere todo o cristão nesta dinâmica esportiva. Veja: “Não que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio que, do alto, Deus me chama a receber” (cf. 3,12+).

Paulo foi muito feliz quando usou o verbo “correr”. É claro que esse “correr” é apenas uma tradução, mas se observarmos outras traduções da Bíblia, vamos perceber claramente que o verbo usado tem um sentido de “ir para frente”, “impulsionar”, “arremeter”. Portanto, o cristão precisa ser um atleta. Que tipo de atleta você está sendo? Que tipo de atleta você quer ser?

Cabe lembrar que há atletas e atletas. Há atletas que buscam a vitória a todo custo, mas há também atletas medíocres, aqueles que não dão o sangue pela vitória. Esses, talvez, estejam mais preocupados com o salário ou com a visibilidade que o esporte traz.

As lutas de um atleta de verdade

Quero fazer uma breve partilha. Quando eu estava no ensino médio, eu tinha um amigo chamado Sílvio. Sílvio era um jovem nadador que disputava os campeonatos estaduais de natação e, é claro, sonhava em disputar uma olimpíada. Veja o que ele precisou fazer para tentar realizar o seu sonho:

Sílvio teve que deixar sua terra natal, sua família e seus amigos em Minas Gerais e se mudar para o interior do Rio de Janeiro. Ele precisava acordar por volta de quatro horas da manhã para treinar num clube da cidade. Provavelmente, ele fazia longos períodos de alongamentos e de exercícios antes de pular na piscina.

Nos meses mais frios, o treino não era cancelado e a água da piscina não possuía aquecimento. Era preciso encarar o frio com muita coragem. Para alcançar sua meta, Sílvio precisava se esforçar e treinar todos os dias. Ele sabia que, quanto mais se esforçasse, mais treinasse, melhor nadador ele seria.

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Todo atleta precisa conhecer os seus limites

Assim como os atletas, nós cristão precisamos nos esforçar. Nossa luta pela santidade precisa ser diária, constante. Acontece que não somos máquinas de metal movidas por combustível. Correr, às vezes, cansa. Cansamos, porque somos humanos, e isso é normal. Quem pensa que nunca se cansará um dia não conhece os seus limites. Isso representa um grande risco.

Hoje em dia, existe um pensamento coletivo que degrada e desvaloriza a visão de ser humano. Aquele que se cansa, certamente, produz menos, não consegue mais atingir as metas estabelecidas, e, por isso, vale menos. Cuide-se para que você também não seja levado por essa forma excludente de pensamento.

Quero que saiba de uma coisa, o maior problema do cristão, assim como o do atleta, não é se cansar, mas se prostrar diante do cansaço. Cristão nesta situação fica cada vez mais distante da sua meta. Esse é o maior risco. É preciso evitá-lo.

O que fazer se eu já estou prostrado?

Para aqueles que, por ventura, acabaram se prostrando diante das lutas e fatigas do dia a dia, Paulo, nesta passagem de Filipenses que citei acima, dá uma dica maravilhosa! Prestem bastante atenção: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente” (cf. 3,13).

O que Paulo está querendo dizer com essa frase? Ele está dizendo o seguinte: mesmo que você tenha se prostrado diante do cansaço, em outras palavras, tenha desistido da luta, ainda dá tempo de reverter essa situação.

Esquecer o que ficou para trás significa que o meu e o seu passado não nos controla mais, ou seja, as escolhas que fazemos, em algum momento da vida, não podem determinar as nossas escolhas no dia de hoje. Precisamos, agora, fazer acontecer a segunda parte desta passagem: lançar-nos para o que está à frente. Se a meta foi esquecida, chegou a hora de retomá-la.

Existe uma grande diferença entre o atleta e o cristão

Neste artigo, tivemos a oportunidade de fazer um paralelo entre a vida do atleta e a vida do cristão. Pontuamos que a meta da maioria dos atletas é o primeiro lugar do pódio, é levar para casa o troféu, a medalha de ouro. Não sei se você percebeu, mas não foi citado, em nenhum momento, qual seria a meta do cristão. Ela ficou subentendida. Portando, para concluir o artigo, gostaria de explicitar a meta de todo cristão: o céu.

Fiz questão de explicitar este último ponto somente para lembrar que a responsabilidade do cristão é imensamente maior que a do atleta. O atleta luta para alcançar um momento de glória, e, uma vez alcançado, passa. E passa rápido! O cristão, ao contrário, almeja alcançar um instante que nunca passa, a eternidade, o céu.

Peço que o Senhor, no dia de hoje, dê um novo vigor àquele que parou pelo meio do caminho, para que continue impulsionando aquele que permanece firme na luta do dia a dia.

Deus abençoe a cada um e até a próxima!


Gleidson Carvalho

Gleidson de Souza Carvalho é natural de Valença (RJ), mas viveu parte de sua vida em Piraúba (MG). Hoje, ele é missionário da Comunidade Canção Nova, candidato às ordens sacras, licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia, ambos pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, na Liturgia do Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários. Apresenta, com os demais seminaristas, o “Terço em Família” pela Rádio Canção Nova AM. (Instagram: @cngleidson)

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