Setembro Amarelo: a fé, o acolhimento e o valor inestimável da vida
Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio. A campanha, que teve início no Brasil em 2015, é uma forma de ajudar a salvar a vida de milhares de pessoas. Para o primeiro episódio desta série, a psicóloga Adriana Potexki explica como surgiu a campanha e relata os fatores de risco que levam alguém a se suicidar.
Assista ao vídeo ▶
Veja mais:
.:Série: Setembro Amarelo | Vamos falar sobre a bipolaridade
.:Série: Setembro amarelo | Diagnósticos e tratamentos de doenças mentais
.:Série: Setembro amarelo | O sentido da vida para crianças e jovens
.:Série: Setembro amarelo | A melhor forma de amar é perdoando
A vida é um dom precioso, mas sabemos que, muitas vezes, as dores e os desafios podem obscurecer a esperança no coração humano. É por isso que o mês de setembro nos convida a uma profunda reflexão e ação com a campanha Setembro Amarelo, voltada para a valorização da vida e a prevenção do suicídio.
Em uma reflexão sobre o tema, a psicóloga Adriana Potexki resgata a comovente origem desta campanha. A cor que hoje simboliza a vida, e o alerta nasceu da história de Mike, um jovem de apenas 17 anos. Apesar de ser muito querido e cheio de talentos, o rapaz não suportou suas dores internas e tirou a própria vida dentro de seu amado Mustang amarelo, que ele mesmo havia reformado.
No dia de sua despedida, seus amigos distribuíram fitas amarelas com uma mensagem simples e poderosa: “Se precisar, peça ajuda”. Esse gesto de amor ganhou o mundo e, em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu o 10 de setembro como o Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio.
A dor não escolhe rosto ou profissão
No Brasil, a campanha ganhou força em 2015, graças à parceria entre o CVV (Centro de Valorização da Vida), o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria.
Um ponto fundamental de atenção é que ninguém está imune ao sofrimento mental. Adriana nos lembra que até mesmo aqueles que dedicam suas vidas a cuidar dos outros – como médicos, psicólogos e religiosos – também podem adoecer. O isolamento social e a Síndrome de Burnout (esgotamento extremo) têm sido grandes gatilhos para a depressão nesses meios. É preciso reconhecer nossa humanidade e entender que cuidar da própria saúde mental também é cuidar do templo do Espírito Santo.
A dura realidade dos números
Os dados exigem de nós um olhar de compaixão e urgência:
No mundo, cerca de 1 milhão de pessoas tiram a própria vida por ano. Isso representa uma perda a cada 14 segundos.
O índice de mortalidade é mais alto entre os homens (que culturalmente têm mais dificuldade de expressar suas dores e pedir ajuda), jovens de 15 a 35 anos e idosos acima dos 65.
Entre os principais fatores de risco estão os traumas não curados, o desemprego, o isolamento, o abuso de álcool e drogas, além de doenças terminais.
O papel protetor da nossa fé
Como cristãos, temos uma ferramenta poderosa a nosso favor. A psicóloga destaca que a fé e a religiosidade estão diretamente associadas a um menor risco de suicídio. Ter um sentido para a vida, pertencer a uma comunidade e confiar no amor de Deus são verdadeiros escudos para a mente e a alma.
Nossa principal missão diária deve ser o acolhimento: precisamos fazer com que o outro “se sinta existindo”. Um sorriso, um “bom dia” ou um ouvido atento podem ser o resgate que alguém tanto necessita. Isso fica claro no relato emocionante compartilhado por Adriana: um senhor, já sem esperança e decidido a dar fim à própria vida em uma praça, desistiu de seu plano ao ser notado e incentivado por uma completa desconhecida. Ali, ele percebeu que “a vida é bonita”.
Que neste Setembro Amarelo possamos ser essa voz de esperança na vida dos nossos irmãos. Se você está passando por um momento de escuridão, lembre-se: a sua vida tem um valor incalculável para Deus e para o mundo. Não tenha vergonha de pedir ajuda.
Precisa conversar?
O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Ligue 188 ou acesse www.cvv.org.br.






