Enquanto há toneladas em desperdício de alimentos em festividades pelo mundo, milhões de pessoas enfrentam a dor da fome e a desnutrição
Eu ainda era aluno do ensino médio quando uma das professoras fez uma provocação em sala de aula: escrever ou ler algo sobre a fome. Lembro que um dos colegas trouxe para nós uma descrição literária que dizia: “A fome é um buraco que não tem fim. Por mais que se tente preenchê-lo, ele sempre vai voltar a ficar vazio.” Só não adianta perguntar o nome do livro nem o autor, porque isso já faz mais de meio século.

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A intenção aqui é fazer refletir sobre como seria ficar algumas boas horas sem comer nada
Para começar, o humor vai embora rapidamente e a imaginação aumenta o desejo por algo saboroso para saciar a fome, não é mesmo? Falar em jejuar por uma boa causa, então, nem pensar. Agora imagine aqueles que passam até vários dias sem ter nada para comer!
Pode acreditar! O mundo tem hoje ao menos 645 milhões de pessoas sentindo a dor da fome, neste exato momento e em algum lugar do planeta. Os números são de um relatório da ONU, a Organização das Nações Unidas. O documento apresenta estimativas preocupantes, como a de que 25,8% da população mundial — ou seja, 2,1 bilhões de pessoas — viviam em situação de insegurança alimentar moderada ou severa em 2025.
O levantamento foi apresentado no dia 21 de julho deste ano, ou seja, 35 dias antes de uma das mais tradicionais festas populares da Espanha, onde a diversão é brincar e fazer “guerrinha” de tomates. O evento acontece na pequenina cidade de Buñol, na província espanhola de Valência, e já é apontado como a maior guerra de comida do mundo.
A chamada “La Tomatina” e o desperdício de alimentos
Acontece desde 1945, sempre na última quarta-feira do mês de agosto, e já virou atração turística. A cidade de 9 400 habitantes recebeu, só este ano, mais de 12 mil turistas de várias partes do mundo, em busca de divertimentos como jogar tomates uns nos outros e nadar em piscinas improvisadas e cheias de frutos que são esmagados e se perdem nessa “brincadeira”.
Seria bem cômico, se não fosse tão trágico, o fato do desperdício de alimentos. Em vez do desperdício de 150 mil quilos de tomates em um único dia, esse fruto poderia ter sido direcionado para outro tipo de evento — algo voltado à solidariedade, em que se poderia amenizar a fome de quem não tem nada para comer.
E nem seria necessário muito esforço para enxergar a quantidade de gente precisando de olhos mais atentos e de menos distrações. As notícias mostram os palestinos em Gaza, que sempre aparecem suplicando por comida. Será que ver crianças no meio da multidão de famintos lutando por um pedaço de pão ou uma pequena porção de sopa não é motivo suficiente para estragar a brincadeira de “guerrinha de tomates”?
E o que dizer das crianças da Somália, em estado crítico por causa da desnutrição provocada pela falta de comida? Em lugares como a cidade somali de Baidoa, uma em cada duas crianças está desnutrida. E ao menos uma em cada quatro crianças apresenta desnutrição aguda grave. Se a maior guerra de comida do mundo diverte espanhóis e turistas, milhões de famintos certamente fariam festa por ter ao menos tomates para comer.
É notório que a criação anda bem distante da realidade e muito próxima da desigualdade
E essa falta de percepção e realismo entre os “distraídos”, que buscam prazer em diversões tão repugnantes com desperdício de alimentos, tem muito a ver com o distanciamento do Criador.
Os que não abrem mão da proximidade com Deus certamente não compactuam com atitudes assim! É preciso entender que as lágrimas não brotam por si sós e compreender que os pássaros não cantam só por querer. É preciso acreditar e fazer valer o nascimento e o crescimento dos frutos, que servem para saciar, e não para o desperdício de alimentos.
Não duvide! Existe alguém que ama você para valer e pensou em cada detalhe da vida. É Ele quem fez e faz tudo acontecer para nosso crescimento como seres humanos. Que aprendamos sempre com os erros e repensemos a nossa forma de agir como criação que corre o risco de se perder. E, quem sabe, histórias como a “La Tomatina” espanhola e a fome na Faixa de Gaza e na Somália nos ajudem a mudar de atitude e a retomar o caminho do amor ao próximo! Pense nisso!





