Voto cristão: valores inegociáveis que nenhum projeto político pode violar
A Igreja Católica não manda votar em um partido ou candidato específico, mas ensina que o voto cristão deve ser dado à luz da consciência moral bem formada. Nesse contexto, os bispos brasileiros e diversos documentos do Magistério falam de “valores inegociáveis” ou princípios não negociáveis, isto é, bens fundamentais que nenhum projeto político pode violar.

Crédito: Marcio Binow Da Silva / Getty Images.
O Papa Bento XVI colocou que foram retomados por vários documentos da Igreja:
1 – Defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural: rejeição do aborto, da eutanásia e de práticas que atentem diretamente contra a vida inocente. Assim, não se deve votar em um candidato que defenda uma posição contra o que está colocado acima.
2 – Promoção e proteção da família e do casamento segundo a concepção cristã; defesa da estabilidade familiar, da abertura à vida e da dignidade da família como célula fundamental da sociedade. São João Paulo II se referia à família, na “Carta às Famílias”, como o “Santuário da Vida”, “célula básica da sociedade”, “patrimônio da humanidade” e uma “instituição inegociável”.
Então, um católico não deve votar em um candidato que não valorize e não defenda a família, o direito dos pais de definir os filhos que quiserem e puderem ter.
3 – Liberdade de educação dos filhos: reconhecimento do direito primário dos pais de educar moral e religiosamente seus filhos. Cabe aos pais o direito de educar os seus filhos na fé que desejam e não ao Estado.
4 – Promoção do bem comum e da liberdade religiosa: respeito à dignidade da pessoa humana, à justiça, à paz, à solidariedade e ao direito de professar a fé sem coerção.
Esses princípios são claros, por exemplo, no “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (nn. 155–159, 231–233, 436–445); nas encíclicas do Papa São João Paulo II: “Evangelium Vitae” (nn. 71–74), “Veritatis Splendor”, “Sacramentum Caritatis” (n. 83) e no Documento da Congregação para a Doutrina da Fé: “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e comportamento dos católicos na vida política” (2002).
Não adianta, por exemplo, lutar contra as drogas e votar em algum candidato que seja favorável à liberação delas.
Não adianta lutar contra o aborto e votar em um candidato que seja favorável a ele.
Não podemos lutar pela família e votar em alguém que seja a favor da sua dissolução e contra os valores cristãos da família.
Não adianta lutar pela boa formação das crianças e votar em um candidato que aceite ensinar sexo livre e outras imoralidades para elas nas escolas, nas cartilhas e outros meios.
Não adianta lutar pela liberdade religiosa, e votar em um candidato que impeça a Igreja de ensinar com liberdade e segurança o que Magistério ensina.
Enfim, o que a Igreja “exige” do eleitor?
Ela exige que o católico não apoie deliberadamente propostas que atentem gravemente contra a vida e a dignidade humana; considere o conjunto da pessoa e do programa do candidato avaliando competência, honestidade, caráter, justiça social, combate à corrupção; e forme a própria consciência segundo a Escritura, o Catecismo e a Doutrina Social da Igreja.
Pode acontecer que, numa eleição, o eleitor não encontre alguém que siga os valores cristãos, então, o voto cristão deve escolher aquele que mais obedeça a esses valores. No caso de uma eleição onde só haja dois candidatos para um mesmo cargo, e nenhum deles apresentem os valores acima mostrados, deve-se votar no “menos mau”. Isso está dentro do conceito moral de “mal menor”. Nunca se deve anular o voto ou votar em branco, pois deixar de votar no “menos mau” acaba favorecendo o pior.





