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Como alguém pode mudar a própria vida?

É possível mudar de vida, mas é preciso ter Deus como guia

Tenho visto muitas pessoas querendo mudar de vida, esperando ansiosas por uma mudança, pois a vida não está boa. Às vezes, não conseguem o que gostariam, não conseguem ser quem gostariam; outras vezes, simplesmente não gostam da situação em que estão nem da solidão que sentem.

Tenho visto soluções muito diferentes e curiosas a essa ânsia de mudar de vida: vejo pessoas que pintam os cabelos, compram carros ou roupas, mudam de cidade ou de telefone, de namorado, e outras que até fazem cirurgias extremamente delicadas. No entanto, essas parecem ser “soluções” bem superficiais, que enganam, mas não resolvem nada.

Como alguem pode mudar a propria vidaFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Tenho visto também pessoas que esperam um milagre, que se voltam para Deus em busca da graça em suas vidas. São pessoas que demonstram já ter entendido que a mudança precisa ser mais profunda, precisa atingir o coração. No entanto, percebo que entre essas pessoas existem algumas que, literalmente, esperam que “caia do céu” o milagre que tanto aguardam. Muitas vezes, relacionam-se com Deus como se estivessem em um balcão de encomendas, dizendo: “”Quero uma vida que me traga uma satisfação”; assim, delegam toda a responsabilidade ao Senhor. Fico preocupado com essa forma de se eximir da responsabilidade de fazer algo pela própria vida.

Penso então: como alguém pode mudar a própria vida? O que buscar? Para onde ir? E considero: uma mudança, em primeiro lugar, pede a definição de metas. Acredito que todos buscam a felicidade, e lembro-me do que a Igreja ensina: o desejo que as pessoas têm de felicidade é, na verdade, saudade de Deus, que é a fonte de todo bem”. Concluo então: Ele tem de ser a meta! Assim, talvez, essas pessoas possam entender que mudança é essa que elas tanto buscam; afinal, cada coisa que fazem as aproxima ou afasta de Deus.

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Lembro-me, então, que talvez precisemos ser mais concretos. Afinal, nosso desejo de mudar de vida passa pelas nossas realidades: família, trabalho, amizades, namoro etc. Volto à minha pergunta: como pode alguém mudar sua própria vida, tendo Deus como meta? Lembro-me de Francisco de Assis, o homem do último milênio. Ele foi alguém como nós, que também quis mudar de vida; e não apenas mudou sua vida, como também mudou a Igreja e abalou o mundo.

Francisco, em primeiro lugar, conheceu Jesus e O amou. Entregou-se a Deus e ao Evangelho de uma forma perturbadora e admirável. No entanto, não esperou uma mudança “cair do céu”; ele a buscou incessantemente ao longo de toda a sua vida. Abandonou-se, mas seu abandono foi sinônimo de dar passos firmes, de lançar-se, e não acomodar-se. São Francisco buscou a Deus e viveu o Evangelho. Buscou mais compreender que ser compreendido; mais dar, que receber. Amou! Ele sabia se seus passos eram os certos? Nem sempre! Tinha certeza do que fazer? É possível que tenha se questionado até seu último momento! Mas também mantinha vigília diária nas suas intenções e motivações. Vigiou seu coração: não lhe interessava o que viesse a acontecer, contanto que estivesse em Deus e com a Igreja. Foi obediente e ousado.

Viver o abandono em Deus é a resposta ao nosso desejo de mudança. Contudo, abandonar-se não significa ser passivo. Talvez, seja o nosso momento de amar mais que sermos amados, compreender mais que sermos compreendidos. Talvez seja a hora de dar um abraço naquela pessoa tão difícil, mas tão amada! Talvez seja hora de para um pouco e escutar o que o outro tem a dizer, tempo de dar e pedir perdão! Há quanto tempo falta tempo para a família? Qual é a iniciativa necessária para mudar hoje? Qual o gesto de afeição necessário para o próximo (pai, mãe, amigo, vizinho, namorado)?

Abandonar-se também implica dar passos, sabendo que Deus não só corrige o passo dado como pode corrigir até o caminho. Só precisamos manter a docilidade para acolher as correções que virão.

Os milagres acontecem, e realmente caem do céu, mas talvez Deus esteja esperando a hora certa de nos dar esses presentes que não apenas nos alegram, mas que também nos ensinam qual é a fonte de toda a felicidade.

Cláudia May Philippi e Kleuton Izidio B e Silva
Psicólogos

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