TECNOLOGIA

As redes sociais atrapalham a escuta um dos outros?

“Quem responde antes de ouvir passa por tolo e se cobre de confusão” (Prov 18,13)

A virada do século XX para o XXI foi e tem sido marcante no sentido do desenvolvimento de tecnologias em tão pouco tempo, como jamais visto em épocas anteriores.

Se formos analisar, por exemplo, desde o século XIX, a partir da Revolução Industrial, muitas foram as inovações: advento da eletricidade, telefone e ferrovias; inovações no processo de manufatura; crescimento da indústria entre outras. No século XX, veríamos a primeira emissão radiofônica em 1906, e o nascimento da televisão. Contudo, uma gama muito maior de transformações é percebida desde a criação da internet (anos 90) até a atualidade.

Antes da rede mundial, alguns dos aparatos tecnológicos eram utilizados apenas por um grupo seleto de pessoas, seja por terem mais posses ou por serem equipamentos de empresas e indústrias. Os meios de comunicação anteriores – TV, rádio, jornais e revistas – eram produzidos, pensados, disseminados pelos grupos comunicacionais ao público, estabelecendo-se uma comunicação e produção de conteúdo unilaterais.

Com a internet, e sobretudo com o uso dos smartphones, o processo de comunicação modificou-se substancialmente. Todo indivíduo com acesso a um telefone e seus aplicativos é gerador de conteúdo. A função inicial de um telefone (conversa em tempo real entre duas pessoas) parece ser a menos utilizada. O dedo desliza nas tela, abre e fecha aplicativos, acessa redes sociais, leva a acompanhar o dia a dia de seus amigos e influenciadores digitais, digita mensagens ou aperta o botão para a gravação de áudios.

As redes sociais atrapalham a escuta uns dos outros?

Foto ilustrativa: EvgeniyShkolenko by Getty Images

A postura do cristão em meio às redes sociais

Uma infinidade de funcionalidades, entre elas a criação de todo tipo de material: fotos, vídeos, textos, memes. Em tudo isso, comunica-se, transmite-se uma mensagem, uma opinião, um posicionamento, visões de mundo. Cada usuário de celular passou a fazer parte dos processos de comunicação, o que, por um lado, é uma mais-valia: acesso mais abrangente de informações, interação maior entre as pessoas por meio das redes sociais, expressão mais aberta de ideias.

Contudo, a internet, muitas vezes, parece ter virado “terra de ninguém”: agressões verbais, polarização de ideias, polêmicas, desrespeitos, disseminação de fake news. A grande quantidade de assuntos, temas e discussões parece deixar as pessoas “tontas”, confusas e sem saber escutar.

E como ficam os cristãos em meio a isso tudo, no que diz respeito a sua postura? Vejamos essa palavra do livro dos Provérbios: “Quem responde antes de ouvir, passa por tolo e se cobre de confusão” (Prov 18,13)

Ou seja, saímos escrevendo ou postando uma série de coisas sem antes ouvir a voz de Deus em primeiro lugar, ou ainda sem ver que ali, do outro lado, há um ser humano, um irmão, um semelhante, a quem precisamos respeitar; e por fim, sem analisar o contexto, as situações, a conveniência ou não sobre “atacar” nas redes sociais.

Em tudo, agir em conformidade com o coração de Deus

Ajamos como quem é íntimo de Deus para refletir em nossa “vida social digital” com justiça, acolhimento, verdade, humanidade e caridade. Saibamos ouvir o coração de Deus e do outro, como quem merece respeito e amor. Antes de falar, escrever ou se expressar, confira se não acabará passando por tolo, confuso ou promotor de confusão.

Como ainda diz São Tiago em sua carta: “Todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar, porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus” (Tg 1,19-20). Olha que dicas preciosas para que não pequemos com nossa língua!

Primeiro, ser pronto para escutar;
Segundo, ser tardo para falar;
Terceiro, ser tardo para se irar.

Sejamos construtores de pontes

Para muitos, isto não é fácil, requer exercício, perseverança e comunhão constante com o Espírito Santo, a fim de lhe pedir a sabedoria, o discernimento e a paciência. Irar-se, por exemplo, com polêmicas nas redes sociais, é sinônimo de não cumprir a justiça de Deus, como indicado acima.

Leia mais:
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Gracielle Reis

Gracielle Reis é missionária da Comunidade Canção Nova, sendo segundo elo, na missão de Portugal.

Carioca, jornalista pela Universidade Federal Fluminense (UFF): Bacharel e Licenciada em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ): e pós-graduação em Logoterapia, pela Associação de Logoterapia Viktor Emil Frankl (ALVEF).

Atualmente, jornalista na TV Canção Nova, em Portugal.

Em trabalhos com mulheres e famílias, também é instrutora do Método de Ovulação Billings e Consultora de Imagem, Estilo e Coloração Pessoal.

E-mail: graciellereis@gmail.com

Instagram: @gracielledasilvareis [https://www.instagram.com/gracielledasilvareis/]

Facebook: Gracielle Reis

 

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