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Adolescência e juventude: o que eu estou vivendo?

Uma característica marcante típica da adolescência e a juventude é a transitoriedade, ou seja, uma fase marcada por um processo contínuo de mudanças que inclui as vivências em grupo ou individuais deste jovem, as possibilidades de futuro, os desejos de realização, os vínculos afetivos e relacionais manifestos, a adesão ou desligamento de hábitos, filosofia, religião.

A transformação dada na adolescência é grande, pois envolve também não apenas os aspectos e necessidades sociais de um jovem, mas a transformação corporal, hormonal, neuropsicológica e emocional. Aquele turbilhão de emoções, típico da adolescência, tende a ir tomando seus lugares e assentando-se à medida que os anos vão conduzindo esse adolescente à juventude e à sua vida adulta.

As transições da vida adolescente passam também pela forma de vínculo que vai sendo estabelecido ao longo da vida. A identidade vai sendo formada, e é comum vivenciar questionamentos de várias naturezas: Por que dessa regra? Por que não posso? Por que tenho que fazer isso ou não fazer aquilo? O que vou ser? Por que preciso estudar isso? Tudo isso é bastante comum e faz parte do desenvolvimento, ainda em andamento, de uma área cerebral chamada córtex pré-frontal, que, no jovem, permite atitudes impulsivas, impensadas, muitas vezes, acompanhadas também da instabilidade emocional. Ou seja, muitas das atitudes adolescentes fazem parte de um cérebro adolescente.

Adolescência e juventude: o que eu estou vivendo?

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Outras situações típicas dessa etapa de vida estão relacionadas ao questionar regras, o desejo de tomar decisões até mesmo de forma impulsiva, ou de ter dificuldade de decidir e necessitar do apoio de um grupo social, ter alterações em suas emoções que vão da euforia à introspecção com muita facilidade.

Uma adolescência saudável

As mudanças, de forma geral, são rápidas. Seu corpo não é o mesmo, as emoções estão intensas, os gostos de antigamente não mais se sustentam, e, diferente das crianças, os adolescentes parecem ser dominados por qualquer influência, o que pode dificultar a superação de situações conflituosas, ou ainda, por sua capacidade de decisão ainda frágil, ser levado pela emoção do momento e envolver-se em risco.

O espaço familiar também pode ser um elemento importante na construção de uma adolescência saudável, uma vez que somos formados desde nossos primeiros anos de vida, e uma rede familiar segura, pode, sim, facilitar esse processo, embora sempre haverá a rede social na qual este jovem está inserido.

Se você está vivendo essa etapa, é importante saber como as coisas acontecem dentro de você, pois, muitas vezes, não conseguimos entender tantas e imensas mudanças que estão ligadas a:

  • reconhecer as mudanças físicas, corporais e buscar orientação a respeito delas. O conhecimento do corpo ajuda o jovem a perceber-se, notar que, muitas vezes, é tido como “estabanado”, mas que tudo isso é parte desse tempo;
  • compreender e reconhecer que as emoções mudam e são intensas; muitas vezes, podem desfavorecer os relacionamentos sociais e afetivos, bem como os relacionamentos familiares. É importante falar sobre as emoções, e, quando necessário, buscar ajuda;
  • reconhecer que, na adolescência, nossos comportamentos são motivados por recompensas e estímulos, mas nem sempre essas recompensas são favoráveis como no uso de drogas. O que mantém o comportamento são as sensações positivas que a dependência traz, mas que não sustentam a longo prazo essa dificuldade;
  • o aprendizado também ocorre no arriscar-se: se por um lado algumas tentativas são muito perigosas, desafiar-se, ter iniciativa, assumir responsabilidades, são atos que ajudam no amadurecimento e no enfrentamento de problemas, favorecendo a fase adulta;
  • planejamento e organização estão se desenvolvendo à medida em que seu cérebro amadurece, portanto, muitas vezes, necessitará de um esforço maior para que tudo esteja organizado (seu quarto, seus objetos, seus compromissos etc);
  • a convivência com o ambiente escolar pode favorecer a capacidade crítica, bem como as habilidades de relacionamento social;
  • é tempo de aprender sobre empatia, sobre a expressão das emoções, crescendo no aprendizado sobre tolerância e respeito, e praticar isso no dia a dia.

Os rituais da juventude

A adolescência se apresenta como um período de experimentação de valores, de papéis sociais e de valores que conduzirão esse jovem à vida adulta. (Aberastury 1980; Abramo, 1994). É importante entender, que, para quem vive esse processo de transição entre infância e vida adulta, o futuro é algo bastante distante ainda. É uma fase única da vida, que pode contar com marcos e suporte para a construção de planos de vida, de relacionamentos saudáveis, de oportunidades para manifestar suas emoções e ainda aplicar toda a energia que dispõe. A juventude conta com rituais, e tais rituais são importantes para as passagens da vida e para o amadurecimento, não apenas físico, mas emocional.

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Aprende-se com erros, lança-se em desafios e precisa ser treinado a suportar as dificuldades. Para a vontade de novas experiências, pais e educadores precisam lançar desafios que provoquem a curiosidade deste jovem, oferecendo-lhe atividades na música, na literatura, na política, no cinema e teatro. Para combater o tédio e a preguiça que surgem nessa fase, é importante fazer exercícios físicos, movimentar o corpo e, com isso, produzir dopamina, aumentando a disposição.

Não ajudamos em nada ao “classificarmos” esse período do desenvolvimento como daqueles que são de um grupo chamado de “estranho” ou “difícil de entender”, mas sim que compreendamos o que se vive neste momento e estejamos prontos para encarar como uma etapa, que pode ser, sim, muito especial e rica!

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