relacionar-se

A crise de relacionamento pela qual o ser humano está passando

Hoje, o mundo vive numa profunda crise de relacionamentos. O homem moderno está perdido porque não quer se relacionar com Deus e, por consequência, não consegue relacionar-se com o próximo. As pessoas não se conhecem e estão cada vez mais carentes, depressivas e estressantes; vivem isoladas; são violentas, desconfiadas e indiferentes.

O chamado de todo homem, em primeiro lugar, é para relacionar-se. Deus não criou o homem para viver sozinho e isolado, o homem é um ser transcendente por natureza e, essa transcendência é indispensável para a sua formação. Essa capacidade de ir além (transcendência) não é somente para com Deus, mas, principalmente, para com o outro, no conhecimento mútuo. O relacionamento com o outro faz-me superar as tendências egocêntricas tão fortes na nossa sociedade e que nos levam a uma amarga sensação do nada (ausência do ser, ausência de algo, vazio). O remédio para essa sensação é, justamente, o relacionamento profundo com o outro, até chegar à experiência da comunhão, do amor, da amizade.

Quando eu dou passos nos relacionamentos, vejo o mundo de uma forma diferente, vejo novos horizontes; saio de mim mesmo; dou-me a conhecer e faço as mais lindas experiências que Deus poderia conceder ao ser humano. São elas: a do amor e da amizade. Essas estão intimamente ligadas; uma não pode existir sem a outra e, nessa primeira parte, falaremos um pouco do amor nos relacionamentos.

A crise de relacionamento pela qual o ser humano está passando

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

A falta de bons relacionamentos prejudica o bem-estar das pessoas

O ser humano é alimentado pelo amor: “O amor não se acrescenta à pessoa com algo a mais, como um luxo. Sem o amor, a pessoa não existe; sem o amor, as pessoas não chegam a se tornarem tais” (Emanuel Mounier). O amor permite à pessoa não só conhecer a si mesma, mas, principalmente, conhecer o outro; é qualificar a liberdade que a pessoa tem de querer o ser do outro e ter, nisso, a certeza de seu próprio ser.

O filósofo Cristão Emanuel Mounier, fundador da corrente personalista, expressa bem essa concepção do relacionamento: “Existo somente na medida em que existo para o outro”. De fato, não vivo sozinho e não tenho sentido quando retenho em mim a possibilidade do amar, pois sou melhor quando amo.

Leia mais:
.: Século XIX: qual é o perfil do homem contemporâneo?
.: O que pode abrir as portas para uma depressão?
.: O ser humano não sabe mais lidar com suas emoções
.: O que entendemos que venha a ser o ser humano e o bem comum?

Sinta o amor de Deus

O amor só é bom quando envolve um relacionamento; do contrário, é apenas um gostar. Não nos relacionamos com coisas, e sim com pessoas. De coisas nós gostamos e queremos tirar um proveito; as pessoas nós amamos, queremos dar o melhor de nós mesmos para elas, queremos sempre o bem, mesmo que não haja retorno, pois se exigirmos o retorno, passaremos a tratar a pessoa como coisa, objeto. A partir disso, já passou para a esfera do gostar, do egoísmo, e está longe do amor.

O mundo nos ensinou a precisar das coisas, criou as nossas necessidades e nos apresentou o material para a nossa satisfação. Mas o ser humano está voltado para Deus, ele tem necessidade d’Ele, e o Senhor lança-Se no próximo por meio do amor. É um relacionamento trinitário: eu, Deus e o meu irmão. Esse é o verdadeiro relacionar-se. “Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Ele permanece em nós e o Seu amor em nós é perfeito” (I João 4,12). E se é da vontade d’Ele estar no meio de  nós, só podemos dizer que esta é a nossa vocação: trazer Deus a este mundo e apresentá-Lo aos outros. Como? Tendo fortes experiências de amor nos relacionamentos, vivendo a castidade, a pureza e a liberdade de, em Deus, ir ao outro e dar um testemunho de amor.

E você? Tem bons relacionamentos? Então, testemunhe e contribua para que o mundo seja melhor.

banner afetividade


Daniel Machado

Daniel Machado de Assis, natural de São Bernardo do Campo-SP, é membro da Canção Nova desde 2002. Psicólogo formado pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo, também estudou filosofia pelo Instituto Canção Nova. Atualmente é coordenador do Núcleo de Psicologia Canção Nova que tem por objetivo assessorar e auxiliar a formação dos membros desta instituição.

comentários