Quando o assunto é colesterol, já existe desconforto, preocupação ou até mesmo se evita falar sobre ele, porque esse nome está diretamente relacionado à restrição alimentar no consenso popular. Mas o que a maioria não sabe são os benefícios proporcionados pela presença do colesterol no nosso corpo, e o que a sua ausência pode trazer de danos severos à saúde humana.
O que é o colesterol e qual sua importância?
O colesterol é uma gordura essencial ao corpo humano. Ele participa, simplesmente, da composição das paredes das células — isto mesmo, células, as mesmas que compõem os órgãos e formam o nosso corpo todo. Visto isso, já dá para imaginar a sua importância. Mas ainda tem mais: ele participa no processo de produção de hormônios, entre outras funções.
O colesterol está presente, por exemplo, na estrutura das células do nosso cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. Esses órgãos são vitais à manutenção e existência da vida. Então, por que existe essa preocupação e até mesmo desinformação quanto à presença do colesterol em nosso corpo? Chega-se até mesmo a dizer “eu tenho colesterol”, mas que bom! Pois, se não tivesse, sua existência seria impossível.

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Benefícios do colesterol para o corpo
Para entender melhor quando ele é “mocinho” e quando se torna “vilão”, precisamos conhecer suas funções benéficas:
- Essencial na produção de hormônios: Sem ele, não produziríamos os hormônios necessários à nossa existência, como estrogênio, progesterona, testosterona, cortisol etc.
- Metabolização de vitaminas: É fundamental para as vitaminas lipossolúveis A, D, K e E.
- Produção da bile: Participa da produção dos ácidos biliares no fígado, que são essenciais para a digestão das gorduras.
De onde vem o colesterol?
Em torno de 70% do colesterol é produzido pelo nosso próprio corpo. Os outros 30% são adquiridos pela alimentação proveniente de alimentos de origem animal. Como o colesterol é produzido no fígado, nenhuma planta pode produzi-lo; ou seja, óleos vegetais não possuem colesterol.
No entanto, isso não significa que o consumo de óleos vegetais está liberado. Óleos industrializados como soja, milho, girassol e canola passam por processos de fabricação que os tornam extremamente inflamatórios, sendo impróprios para o uso frequente ou em grandes quantidades.
O metabolismo e o perigo do excesso
Existem fatores importantes que contribuem para o aumento ou estabilidade das taxas de colesterol. Com certeza, você já ouviu o comentário: “Antigamente, comia-se banha de porco e nada acontecia” (lembrando que eram outros tipos de dietas adotadas, sem alimentos ultraprocessados e com atividades braçais rotineiras). Ou ainda: “Eu não como gordura animal e o meu colesterol é alto”. Sim, tudo isso procede.
Felizmente, algumas pessoas são privilegiadas por terem o seu metabolismo funcionando bem e, após o colesterol cumprir as suas funções, o seu excesso é eliminado. Porém, outras acabam retendo este excesso, fazendo com que as taxas subam, o que pode causar acúmulo nas artérias e, consequentemente, o seu entupimento, gerando um infarto no coração ou um AVC no cérebro.
Mas, felizmente, existe o colesterol “bom”: aquele que contribui para a saúde das artérias, fazendo o papel de “limpeza”. Já o colesterol “ruim” será aquele que vai se acumular e comprometer o bom funcionamento delas. Infelizmente, a elevação das taxas de colesterol é silenciosa e demora a manifestar alterações no corpo de uma pessoa, o que faz com que muitos danos ocorram aos poucos e, muitas vezes, tornem-se irreversíveis com o passar do tempo, podendo causar doenças cardiovasculares sérias e fatais.
Fatores de risco e estilo de vida
As doenças cardiovasculares não estão atreladas apenas às taxas elevadas de colesterol, mas também a outros fatores de risco:
1. Elevado consumo de açúcar.
2. Elevado consumo de produtos ultraprocessados:
- Embutidos (salsicha, presunto, linguiça, salame, mortadela etc.);
- Salgadinhos de saquinho;
- Biscoitos recheados;
- Refrigerantes e sucos de caixinhas;
- Enlatados;
- Molhos para saladas e maionese;
- Caldos de carnes e vegetais;
- Pães industrializados;
- Macarrão instantâneo;
- Margarina;
- Óleos vegetais e gorduras hidrogenadas;
- Iogurtes e bebidas lácteas com excesso de açúcares, corantes e aromatizantes.
3. Baixo consumo de vegetais:
- Hortaliças;
- Frutas;
- Castanhas;
- Leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico etc.);
- Sementes em geral;
- Peixes.
Ou seja, a dieta adotada juntamente com o estilo de vida fará muita diferença!
Considerações Importantes:
- Peso não é regra: Pessoas magras também podem ter taxas de colesterol altas. Exames bioquímicos são essenciais;
- Comorbidades: Doenças como diabetes e hipotireoidismo aumentam as chances de colesterol elevado;
- Genética: Fatores genéticos (pais com colesterol alto) influenciam os riscos;
- Atividade Física: Praticar exercícios regularmente diminui as chances de aumento do colesterol;
- Controle: Para quem foi diagnosticado com colesterol elevado, o controle é permanente, exigindo o monitoramento e a adoção das ações necessárias para manter as taxas sob controle;
- Alimentação “In Natura”: Uma dieta composta majoritariamente por frutas, hortaliças, grãos e carnes ajuda muito na preservação da saúde.
Viva bem e, agora que você já sabe, não utilize a nomenclatura de forma errada. Agradeça por você “ter colesterol”, pois ele é essencial à vida!
Rosineia Bigueti
É natural de Umuarama/PR. Nutricionista e Pedagoga com Especialização em Fitoterapia e Nutrição Clínica. Missionária da Comunidade Canção Nova desde 2008, no modo de compromisso do Segundo Elo – São Paulo/SP
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