ENTENDA 💡

Colesterol: mocinho ou vilão?

Quando o assunto é colesterol, já existe desconforto, preocupação ou até mesmo se evita falar sobre ele, porque esse nome está diretamente relacionado à restrição alimentar no consenso popular. Mas o que a maioria não sabe são os benefícios proporcionados pela presença do colesterol no nosso corpo, e o que a sua ausência pode trazer de danos severos à saúde humana.

O que é o colesterol e qual sua importância?

O colesterol é uma gordura essencial ao corpo humano. Ele participa, simplesmente, da composição das paredes das células — isto mesmo, células, as mesmas que compõem os órgãos e formam o nosso corpo todo. Visto isso, já dá para imaginar a sua importância. Mas ainda tem mais: ele participa no processo de produção de hormônios, entre outras funções.

O colesterol está presente, por exemplo, na estrutura das células do nosso cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. Esses órgãos são vitais à manutenção e existência da vida. Então, por que existe essa preocupação e até mesmo desinformação quanto à presença do colesterol em nosso corpo? Chega-se até mesmo a dizer “eu tenho colesterol”, mas que bom! Pois, se não tivesse, sua existência seria impossível.

Créditos: Rasi Bhadramani by GettyImages

Benefícios do colesterol para o corpo

Para entender melhor quando ele é “mocinho” e quando se torna “vilão”, precisamos conhecer suas funções benéficas:

  • Essencial na produção de hormônios: Sem ele, não produziríamos os hormônios necessários à nossa existência, como estrogênio, progesterona, testosterona, cortisol etc.
  • Metabolização de vitaminas: É fundamental para as vitaminas lipossolúveis A, D, K e E.
  • Produção da bile: Participa da produção dos ácidos biliares no fígado, que são essenciais para a digestão das gorduras.

De onde vem o colesterol?

Em torno de 70% do colesterol é produzido pelo nosso próprio corpo. Os outros 30% são adquiridos pela alimentação proveniente de alimentos de origem animal. Como o colesterol é produzido no fígado, nenhuma planta pode produzi-lo; ou seja, óleos vegetais não possuem colesterol.

No entanto, isso não significa que o consumo de óleos vegetais está liberado. Óleos industrializados como soja, milho, girassol e canola passam por processos de fabricação que os tornam extremamente inflamatórios, sendo impróprios para o uso frequente ou em grandes quantidades.

O metabolismo e o perigo do excesso

Existem fatores importantes que contribuem para o aumento ou estabilidade das taxas de colesterol. Com certeza, você já ouviu o comentário: “Antigamente, comia-se banha de porco e nada acontecia” (lembrando que eram outros tipos de dietas adotadas, sem alimentos ultraprocessados e com atividades braçais rotineiras). Ou ainda: “Eu não como gordura animal e o meu colesterol é alto”. Sim, tudo isso procede.

Felizmente, algumas pessoas são privilegiadas por terem o seu metabolismo funcionando bem e, após o colesterol cumprir as suas funções, o seu excesso é eliminado. Porém, outras acabam retendo este excesso, fazendo com que as taxas subam, o que pode causar acúmulo nas artérias e, consequentemente, o seu entupimento, gerando um infarto no coração ou um AVC no cérebro.

Mas, felizmente, existe o colesterol “bom”: aquele que contribui para a saúde das artérias, fazendo o papel de “limpeza”. Já o colesterol “ruim” será aquele que vai se acumular e comprometer o bom funcionamento delas. Infelizmente, a elevação das taxas de colesterol é silenciosa e demora a manifestar alterações no corpo de uma pessoa, o que faz com que muitos danos ocorram aos poucos e, muitas vezes, tornem-se irreversíveis com o passar do tempo, podendo causar doenças cardiovasculares sérias e fatais.

Fatores de risco e estilo de vida

As doenças cardiovasculares não estão atreladas apenas às taxas elevadas de colesterol, mas também a outros fatores de risco:

1. Elevado consumo de açúcar.

2. Elevado consumo de produtos ultraprocessados:

  • Embutidos (salsicha, presunto, linguiça, salame, mortadela etc.);
  • Salgadinhos de saquinho;
  • Biscoitos recheados;
  • Refrigerantes e sucos de caixinhas;
  • Enlatados;
  • Molhos para saladas e maionese;
  • Caldos de carnes e vegetais;
  • Pães industrializados;
  • Macarrão instantâneo;
  • Margarina;
  • Óleos vegetais e gorduras hidrogenadas;
  • Iogurtes e bebidas lácteas com excesso de açúcares, corantes e aromatizantes.

3. Baixo consumo de vegetais:

  • Hortaliças;
  • Frutas;
  • Castanhas;
  • Leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico etc.);
  • Sementes em geral;
  • Peixes.

Ou seja, a dieta adotada juntamente com o estilo de vida fará muita diferença!

Considerações Importantes:

  • Peso não é regra: Pessoas magras também podem ter taxas de colesterol altas. Exames bioquímicos são essenciais;
  • Comorbidades: Doenças como diabetes e hipotireoidismo aumentam as chances de colesterol elevado;
  • Genética: Fatores genéticos (pais com colesterol alto) influenciam os riscos;
  • Atividade Física: Praticar exercícios regularmente diminui as chances de aumento do colesterol;
  • Controle: Para quem foi diagnosticado com colesterol elevado, o controle é permanente, exigindo o monitoramento e a adoção das ações necessárias para manter as taxas sob controle;
  • Alimentação “In Natura”: Uma dieta composta majoritariamente por frutas, hortaliças, grãos e carnes ajuda muito na preservação da saúde.

Viva bem e, agora que você já sabe, não utilize a nomenclatura de forma errada. Agradeça por você “ter colesterol”, pois ele é essencial à vida!

 

 

Rosineia Bigueti
É natural de Umuarama/PR. Nutricionista e Pedagoga com Especialização em Fitoterapia e Nutrição Clínica. Missionária da Comunidade Canção Nova desde 2008, no modo de compromisso do Segundo Elo – São Paulo/SP