Os bispos da Igreja Católica no Brasil concluem, hoje, a sua 62ª Assembleia Geral, com a tarefa missionária de consolidar, cada vez mais, a Igreja como “Tenda do Encontro”. No horizonte inspirador da riqueza bimilenar da Igreja, os bispos consolidam as Diretrizes Gerais para a Evangelização no Brasil, com tônica forte na ação missionária, para continuamente qualificar o serviço dedicado às realidades plurais de um país com dimensões continentais.

Créditos: Arquivo CN.
O foco principal é evangelizar anunciando Jesus Cristo, razão primeira e insubstituível da missão a partir do que define a Igreja sinodal, isto é, de comunhão e participação, com força mística e profética, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos; em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus.
Sinodalidade e herança do Papa Francisco
No conjunto de riquezas e experiências, reflexões e debates, discernimentos e decisões sobre variados temas, a Assembleia Geral definiu as Diretrizes Gerais para a Evangelização no Brasil, mirando os dias vindouros. Trata-se de tarefa essencial e estruturante, que ocorre a partir da rica Tradição da Igreja, em seus mais de dois mil anos, também no horizonte dos sólidos ensinamentos do Concílio Vaticano II e, na contemporaneidade, acolhendo as considerações conclusivas do percurso sinodal iniciado a partir de convocação do saudoso Papa Francisco.
O percurso do Sínodo convocou a Igreja do mundo inteiro a promover amplos processos de escuta e, assim, construir novos caminhos para fortalecer, sempre mais, a comunhão e a participação, consolidando continuamente a ação missionária. Justamente o Sínodo sobre a Sinodalidade inspira a Igreja Católica a ser uma Tenda sempre aberta.
Estacas firmes diante dos desafios atuais
As mais recentes Diretrizes Gerais para a Evangelização no Brasil expressam esta premissa: a Igreja Católica é Tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada por estacas firmes na fé diante dos desafios atuais. Ao aprovar as novas diretrizes, os bispos respondem ao convite do Papa Leão XIV: pôr em prática, em cada Igreja local, as conclusões do Sínodo e consolidar práticas pastorais capazes de oferecer respostas às rápidas mudanças sociais, religiosas e culturais.
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Compromisso com a casa comum e os pobres
Portanto, a lucidez é o acolhimento da necessidade de rever métodos do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nesta mesma direção, incluem-se as preocupações com o “grito” da Terra, a casa comum e o clamor dos pobres, urgindo da comunidade dos discípulos de Jesus uma postura mais coerente e audaz. Todos os discípulos de Jesus são chamados a protagonizar novos processos transformadores, em corresponsável compromisso diante das urgências de preservação dos recursos naturais, do respeito à dignidade humana e da promoção da paz.
Importante é compreender que a tenda é especialmente acolhedora para os pequenos, abrigo dos estrangeiros, dos expatriados, dos miseráveis. A tenda lembra também a condição de peregrinos: todos que passam por este mundo são peregrinos. Não permanecem definitivamente nele. Cada peregrino é chamado a aprender lições enquanto caminha, desenvolvendo projetos que promovam a vida e dão rumos novos à sociedade.
Com suas Diretrizes Gerais para a Evangelização, a Igreja reafirma a sua missão de servidora do Evangelho junto ao povo, escola e promotora da vida em todas as suas etapas.
Cabe, agora, conhecer e aplicar as Diretrizes aprovadas pelos bispos do Brasil, compromisso de renovar as relações e os processos internos na Igreja, segundo a tônica da comunhão e da participação, contribuindo com um mundo mais justo e solidário, meta da cidadania civil e do Reino de Deus. Discípulos e discípulas de Jesus, “mãos à obra”!
O desafio é grande, mas a esperança é ainda maior. A fé é o grande tesouro, a graça de Deus é inesgotável, assim ensina a Igreja – a Tenda do Encontro.




