CONTINUIDADE

Um início que convida à fidelidade: o primeiro ano de Leão XIV

Ao completar o primeiro ano de pontificado, iniciado em 8 de maio de 2025, o Papa Leão XIV convida a Igreja, antes de tudo, a uma atitude interior: a fidelidade. Este início de caminhada tem sido marcado por um percurso construído com serenidade, responsabilidade e atenção ao essencial. Em um tempo de pressa e de expectativas rápidas, este primeiro ano não se impõe pelo impacto, mas pela consistência — e justamente por isso pede mais escuta do que julgamento, mais profundidade do que reação.

 

Foto ilustrativa: Massimo Merlini by Getty Images

Continuidade que se constrói com responsabilidade

A Igreja não recomeça a cada pontificado. Há um caminho que é recebido, assumido e conduzido. Nesse primeiro ano, o Papa Leão XIV demonstra atenção a essa continuidade, procurando dar estabilidade ao que já foi iniciado na vida da Igreja. Ao mesmo tempo, essa continuidade não se dá de forma automática, mas com organização, método e responsabilidade.

Trata-se de um modo de conduzir que busca consolidar processos, fortalecer estruturas e favorecer uma presença eclesial mais firme e coerente. A fidelidade aqui é um compromisso com aquilo que sustenta a vida da Igreja.

A paz como compromisso concreto

Desde o início, a paz ocupa um lugar central em sua palavra e em sua ação. O apelo por uma “paz desarmada” indica um horizonte que vai além da mera ausência de conflitos. Trata-se de uma paz que exige responsabilidade, diálogo e disposição real para superar divisões.

Ao longo deste primeiro ano, o Papa manteve interlocução com lideranças internacionais e esteve presente nas questões que envolvem tensões globais. Essa atuação não se caracteriza por gestos de grande impacto imediato, mas por uma presença constante, que reafirma o papel da Igreja na promoção do diálogo e da reconciliação.

Uma condução que fortalece o que já foi iniciado

No campo da organização interna da Igreja, destaca-se a continuidade do processo de reforma. Em novembro de 2025, por meio de um Motu Proprio, consolidou-se a reforma da Cúria Romana, com a confirmação da participação de leigos e mulheres em funções de responsabilidade, em linha com a constituição Praedicate Evangelium. Trata-se de um passo que não inaugura um novo caminho, mas dá consistência ao que já vinha sendo desenvolvido.

Essa forma de conduzir — sem rupturas, mas com firmeza — contribui para uma maior estabilidade e clareza institucional.

A atenção aos mais frágeis

A preocupação com os mais vulneráveis permanece como uma referência importante nesse início de pontificado. Isso se expressa, entre outros aspectos, na publicação de um documento voltado à reflexão sobre a pobreza e o sistema econômico global.

Nesse texto, a tradição social da Igreja, tão fortemente impulsionada desde o Papa Leão XIII, é retomada com atenção aos desafios do tempo presente, reafirmando a centralidade da dignidade humana.

Tradição e vida litúrgica

Outro elemento que se torna visível é a atenção à tradição da Igreja, também no âmbito litúrgico. A presença de celebrações em latim, em determinadas ocasiões, indica um cuidado com a continuidade da tradição, sem afastar a dimensão pastoral da liturgia. Não se trata de um retorno ao passado, mas de uma integração, que busca preservar a riqueza da vida eclesial em suas diversas expressões.

Presença e diálogo no cenário internacional

A viagem apostólica à Turquia e ao Líbano marcou este primeiro ano como um sinal de proximidade com realidades complexas e desafiadoras. Essas visitas expressam a importância do diálogo, especialmente em contextos de diversidade religiosa e de tensões históricas. Ao mesmo tempo, indicam uma Igreja que não se fecha, mas que se faz presente onde a realidade mais exige.

Um caminho que se abre

A fidelidade que este início sugere não é apenas uma atitude individual, mas um modo de viver a própria vida da Igreja: permanecer no essencial, sustentar o que é verdadeiro e caminhar com responsabilidade diante dos desafios.
Em um tempo que frequentemente valoriza o imediato, este primeiro ano aponta para outra direção: a de uma Igreja que cresce na perseverança, que se fortalece na unidade e que confia que Deus continua conduzindo a sua história.

Mais do que compreender um pontificado, este início convida a algo mais profundo: viver com fidelidade aquilo que recebemos, sabendo que é assim, muitas vezes de forma silenciosa, que o caminho da Igreja se torna sólido e fecundo.

Padre Elton Marcelo Bussolotto Aristides