O que é a endometriose?
A endometriose é uma condição ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio (o revestimento interno do útero) fora da cavidade uterina, essa doença pode causar dor intensa, problemas de fertilidade e impactar significativamente a qualidade de vida das pacientes. Este artigo, baseado nas explicações do Dr. Djalma Almeida, explora os aspectos fundamentais da endometriose, desde sua definição e desenvolvimento até seus sintomas, diagnóstico e o impacto na maternidade.
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial fora de sua localização habitual, a cavidade uterina. Para compreender essa condição, é essencial entender a estrutura básica do útero.
Anatomia uterina: miométrio vs. endométrio
O útero é composto por duas camadas principais:
Miométrio: A camada muscular externa, responsável pela forma e contrações do órgão.
Endométrio: A camada interna e funcional, que reage aos hormônios femininos. Mensalmente, o endométrio se prepara para uma possível gravidez; se a concepção não ocorre, essa camada descama e é eliminada durante a menstruação.
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A teoria da menstruação retrógrada (Teoria de Sampson)
A teoria mais aceita para explicar a origem da endometriose é a da menstruação retrógrada, proposta por Sampson. Segundo essa teoria, durante o período menstrual, parte do fluxo sanguíneo, contendo células endometriais, retorna pelas tubas uterinas e se deposita em outras áreas da pelve, como ovários e peritônio. Essas células, ao se implantarem, continuam a responder aos estímulos hormonais, crescendo e sangrando ciclicamente, o que leva à formação das lesões endometrióticas.
Por que a doença se desenvolve?
Embora a menstruação retrógrada seja um fenômeno comum, ocorrendo em grande parte das mulheres, nem todas desenvolvem endometriose. Isso sugere que outros fatores estão envolvidos no desenvolvimento da doença.
Fatores imunológicos e crescimento do tecido: estima-se que 85% a 90% das mulheres conseguem eliminar naturalmente o sangue retrógrado.
No entanto, em mulheres com endometriose, há uma falha no sistema imunológico que permite que essas células endometriais se implantem e proliferem fora do útero. Esse tecido ectópico não apenas responde aos hormônios e sangra mensalmente, mas também tem a capacidade de desenvolver sua própria vascularização e inervação, perpetuando a doença.
Sintomas e diagnóstico
O sintoma mais prevalente da endometriose é a dor, especialmente a cólica menstrual. Contudo, é crucial diferenciar a cólica fisiológica da cólica patológica, que pode indicar a presença da doença.
Cólicas menstruais: sinais de alerta
Embora cerca de 60% das mulheres experimentem cólicas menstruais, apenas uma parcela delas tem endometriose. Sinais de alerta que sugerem a necessidade de investigação incluem:
- Dor incapacitante, que impede a realização de atividades diárias, como ir à escola ou ao trabalho.
- Necessidade de hospitalização para administração de medicação intravenosa devido à intensidade da dor.
- Episódios de vômito provocados pela dor severa.
A complexidade do diagnóstico
A causa exata da endometriose ainda é multifatorial e não totalmente compreendida. Casos raros de tecido endometrial foram encontrados em locais como pulmões, cérebro e nariz, demonstrando a complexidade da doença. Atualmente, não existe um exame de sangue específico que diagnostique a endometriose. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história da paciente e nos sintomas, e é complementado por exames de imagem especializados, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve.
Endometriose e o sonho da maternidade
Um dos maiores receios das mulheres diagnosticadas com endometriose é a infertilidade. No entanto, o diagnóstico não significa uma sentença definitiva de impossibilidade de gravidez.
Por que a doença dificulta a gravidez?
A dificuldade de engravidar em casos de endometriose pode ser atribuída a dois fatores principais:
Fator Mecânico (Aderências): As aderências formadas pelas lesões endometrióticas podem prender ou obstruir as tubas uterinas, impedindo que elas captem o óvulo liberado pelo ovário ou que o espermatozoide encontre o óvulo.
Fator Imunológico/Químico: O tecido endometrial ectópico produz substâncias inflamatórias (citocinas) que podem ser tóxicas para os óvulos e espermatozoides, comprometendo a fecundação e o desenvolvimento embrionário inicial.
Sheila Cristiane dos Santos Daltro
Comunidade Canção Nova desde 2005 no modo de compromisso do Núcleo.






