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Erotização infantil, uma violência silenciosa

A erotização infantil é um fenômeno que está se instalando na sociedade de forma acelerada

A criança tem acesso a qualquer tipo de conversa vinda de sua cuidadora e dos irmãos mais velhos; ela também tem acesso à TV de canal aberto em sua casa. A criança tem acesso ao condomínio sem acompanhamento de adultos, porque os pais ainda acreditam que ali é um lugar seguro. Falsa ilusão. Nem sempre o filho do vizinho é a melhor companhia. Como também, para nossa surpresa, os nossos filhos podem estar influenciando amigos e não sabemos. A erotização também chega aos lares pelas mãos de muitas mães. Quantas crianças usando roupas de adultos, roupas curtas que insinuam e representam a sedução!

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Foto: Steven van Soldt, 256426, iStock by getty images

Ambientes com informações inadequadas

Meninos e meninas frequentam ambientes, como bares, com seus pais ou responsáveis e escutam, entre uma piada ou outra, informações inadequadas sobre sexo, mulheres e bebidas. Muitas vezes, conteúdos que chegam sem nenhuma responsabilidade à mesa acabam por deturpar o que é sério, o que é lindo e tem valor. Há filhos que convivem tão cedo com o namorado da mãe ou com a namorada do pai sem nenhuma estrutura ou organização familiar. Se hoje algumas famílias têm esse formato familiar por alguma necessidade, que não nos cabe julgar, é necessário que haja uma responsabilidade em adaptar-se a uma vida de aparente “solteirice”, pois existe um filho vendo, ouvindo e aprendendo todas as coisas. Filhos entendem o mundo e nele interagem, a partir da forma que se sentem afetados por ele. 

Oportunidades de exposição do corpo

Não são poucas as oportunidades que as crianças estão tendo de conviver com propagandas, filmes, desenhos animados, novelas que despertam a sedução, a exposição do corpo; além de serem vigiadas por pedófilos que se aproveitam das postagens de fotos tão ingênuas dos familiares em redes sociais. Recentemente, a Revista Época, datada em 26 de outubro de 2015, apresentou uma manchete com o seguinte título: “Rede social não é lugar para criança”. Nessa reportagem, ela apresenta um índice alto de homens com comportamento característico de pedofilia, que visitam as redes sociais em tempo integral a fim de satisfazer seus desejos, tendo como preferência propagandas de produtos infantis, que sempre trazem a imagem de crianças dóceis, bonitas e vistosas.

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O assédio às crianças é em tempo integral

“O problema é que a maioria dos pais parece subestimar os riscos. O assédio a menores em redes sociais e aplicativos ocorre em tempo integral. Uma pesquisa da Época mostra que ainda são poucos os pais e responsáveis por crianças no Brasil que impõem regras de uso na internet para seus filhos”, completa a reportagem trazida pela revista. “Durante a madrugada, cresce o acesso às páginas que mostram crianças em roupas de banho e pijama”. (Revisa Época/outubro-2015)

Convido você leitor a fazer uma viagem no tempo e reencontrar-se com sua infância. Espero que tenha sido mais cheia de diversão. Problemas, eu sei, sempre houve na história da humanidade. Nessa volta, quem sabe, você se reencontre com sua criança e, motivado por essa reflexão, permita que ela saia da gaiola só para fazer seus filhos e alunos curados e felizes por meio das oportunidades lúdicas que oferecerá a cada um deles.

Se for preciso busque ajuda

Lembrem-se: o principal será sempre a sua companhia. Diminuam as coerções, isto é, a forma autoritária e desqualificadora, repleta de punições, ao reclamar de uma criança ou adolescente. Seja qual for o motivo, controle-se. Seja mais inteligente do que as circunstâncias.


Judinara Braz

Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing.
Psicóloga especializada em Análise do Comportamento.
Autora do Livro “Sala de Aula, a vida como ela é.”
Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

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