Tristeza ou depressão?

Muitas pessoas dizem: “Estou deprimida” quando querem dizer que estão tristes. A palavra “depressão” é atualmente utilizada como sinônimo de tristeza. Na verdade, tristeza não tem nada a ver com depressão, apesar de ser um dos sintomas dessa enfermidade. Enquanto uma é sinal de saúde, a outra é uma doença que requer tratamento adequado.

Para você entender melhor: a tristeza é um sentimento momentâneo, com um motivo conhecido, e é saudável e importante, pois ajuda na elaboração das perdas ou dos sofrimentos ocasionais, permitindo uma reorganização interna, necessária para a superação da situação enfrentada. A tristeza pode surgir por diversos motivos, pelo acontecimento de algo ruim ou não agradável, pela lembrança de momentos difíceis já vivenciados, pela vivência de perdas (emprego, entes queridos ou qualquer tipo de perda), fazendo com que a pessoa se sinta profundamente angustiada e desmotivada.

Mas esse é um sentimento passageiro e se prolonga por um período curto de tempo (cerca de 2 meses), no qual esse quadro vai dimunindo gradativamente e a vida vai retomando o ritmo normal.
Se isso não acontece, ou seja, se a tristeza começar a impedir o “funcionamento” normal do cotidiano, persistir com o tempo e começar a surgir sentimentos como apatia, indiferença, falta de prazer pela vida, então, pode ser o início de uma depressão.

É importante você entender que a tristeza e a depressão não são um “defeito” de caráter, de personalidade, assim como não são sinal de fraqueza, nem mesmo de falta de fé. O sentimento de tristeza é inerente à condição humana e a depressão é uma doença que precisa ser levada a sério e ser devidamente tratada, para que não se torne uma doença crônica ou grave e para que não tenha recorrências futuras.

Depressão é uma doença, que, graças a Deus, tem tratamento. Seguindo os passos indicados pelos médicos, acompanhada de psicoterapia, de atividades físicas e da busca de uma vida de oração, a pessoa poderá se recuperar plenamente.

O principal sintoma da depressão é a queda de energia e não a tristeza. É a energia vital da pessoa que está deprimida. Com isso, se a pessoa não tem o sintoma da tristeza, muitas vezes, sente dificuldade de identificar a doença, buscando outras justificativas para os outros sintomas apresentados, e só buscando o tratamento tardiamente, o que pode agravar o quadro.

Para o diagnóstico da depressão, são necessários pelo menos cinco dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas:

– Humor deprimido na maior parte do dia, sentimento de tristeza, melancolia, vazio sem causa aparente. Em crianças e adolestecentes pode aparecer um humor irritável.

– Acentuada diminuição do interesse ou prazer em quase todas as atividades do dia; perda de interesse pela vida.

– Perda ou ganho significativo de peso sem estar de dieta ou diminuição ou aumento do apetite.

– Insonia ou hipersonia, em quase todas as noites.

– Agitação ou retardo psicomotor (observável pelos outros), em quase todas as atividades do dia. A pessoa se sente pesada, lenta ou com uma agitação improdutiva.

– Fadiga ou perda de energia, em quase todas as atividades do dia.

– Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva e inadequada.

– Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão, em quase todas as atividades diárias.

As causas da depressão ainda não são bem identificadas. Acredita-se que fatores genéticos e ambientais (perdas e eventos estressantes) influenciam o desencadeamento da doença. Por isso, recomenda-se que, ao se perceber esses sintomas, procure-se o médico imediatamente para o correto diagnóstico e para se dar início ao tratamento.

Entenda bem: tristeza e depressão não são sinônimos. A tristeza é um sentimento difícil, doloroso, mas é necessário para a superação das dificuldades, sendo inclusive, sinal de saúde. O mesmo não se pode dizer da depressão que, caso não seja tratada, pode comprometer toda a saúde física e mental do indivíduo.

Veja também:
.: Como perceber quando uma criança está com depressão?
.: Adorar mesmo em depressão
.: Depressão, onde está Deus?

Manuela Melo

Missionária da Comunidade Canção Nova, formada em Psicologia, com especialização em Logoterapia e MBA em Gestão de Recursos Humanos.

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