Comportamento

Sentimento de culpa pode ser destrutivo ou pode ser construtivo

A culpa pode ser um sentimento que afeta e atormenta a vida das pessoas

A culpa é um sentimento que atormenta muitas pessoas, muitas vezes, de forma tão intensa, que pode travar a vida delas. É um sentimento que traz junto a si a tristeza, o desconforto e a ansiedade. É um sentimento, imediato e irracional, de angústia e autocondenação, que atormenta e faz sentir dores de estômago.

De onde nasce esse sentimento? A culpa nasce do ideal que trazemos dentro de nós, do que é certo ou errado, do que é nosso dever fazer ou não devemos fazer. São conceitos introjetados em nós de acordo com a cultura em que vivemos, e a culpa surge quando contrariamos esses conceitos.

Sentimento de culpa pode ser destrutivo ou pode ser construtivoFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Uma visão distorcida de si

Quando a pessoa possui uma noção distorcida do seu próprio poder ou traz dentro de si conceitos muito rígidos e inflexíveis, noções desumanas do certo ou do errado, tende a se sentir excessivamente culpada. Muitas vezes, a culpa se refere não ao pesar por ela ter perdido o ideal, mas ao desapontamento por não ver realizado o desejo de ser amada, reconhecida e valorizada. Outras pessoas, por não conseguirem se deparar com o próprio erro, tendem a sempre colocar a culpa nos outros. Contudo, o sentimento de culpa é importante no nosso processo de crescimento pessoal e amadurecimento humano, pois aqueles que são destituídos de culpa vivem num mundo sem moral e sem lei, o que pode ser muito perigoso e até doentio.

Sentimento que pode ser destrutivo ou construtivo

A culpa, portanto, tem diversas nuances: pode ser um sentimento destrutivo e infantil, fechando-nos em nós mesmos e nos impedindo de amadurecer, e pode ser um sentimento construtivo, essencial para sermos pessoas responsáveis e capazes de crescer.

A culpa positiva nasce da comparação entre o meu “eu” e os valores que solicitam de mim, a consciência de ter transgredido um estilo de vida livremente aceito, ou seja, nasce da consciência de ter transgredido um valor importante (sinto, porque perdi o verdadeiro sentido de minha vida). A culpa nasce da capacidade de julgarmos a nós mesmos em termos dos valores morais que trazemos interiorizados. Aqui, nesse caso, quando a pessoa se depara com o sentimento de culpa, o que acontece é uma atitude de autocrítica, de percepção do próprio erro e uma decisão de uma mudança de comportamento, de postura diante do próprio erro.

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Reconhecer e aceitar os próprios limites

Por outro lado, aqueles que possuem dificuldade para lidar com os próprios limites, erros, fracassos e incapacidades tendem a se martirizar e se culpar de forma excessiva. A causa desse sentimento destrutivo pode ser o medo do castigo (real ou imaginário), proveniente dos outros ou de nós mesmos, ou seja, o medo de sermos castigados pelos outros ao sermos descobertos no erro ou uma tendência à autopunição e autocondenação, na qual a pessoa se martiriza pelo seu próprio erro, travando toda a sua vida futura.

Aprender a reconhecer a própria culpa é aprender a reconhecer que temos limites, que somos frágeis, que somos humanos e, portanto, erramos.

Existem pessoas que fazem um ideal de si mesmas tão elevado, que se tornam inatingíveis; com isso, elas nunca conseguem estar à altura dos próprios conceitos, caindo numa autocobrança impiedosa. Não podemos nos esquecer de que todos nós, homens e mulheres, trazemos em nós virtudes e defeitos, riquezas notáveis e incoerências.

Uma atitude corajosa

Reconhecer a culpa exige coragem para reconhecermos nossas próprias limitações. Reconhecer a própria culpa é essencial para que brote uma nova postura diante de nós mesmos e do mundo, sem cobranças, sem acusações nem autopiedade.

Precisamos aprender a ter uma justa estima de nós mesmos, uma autoimagem correta e normal no reconhecimento de que somos dotados de muitos elementos positivos, mas que, ao mesmo tempo, possuímos muitos contornos limitantes que dificultam o agir. Tendo uma imagem realista de nós mesmos e reconhecendo que não somos a pessoa que fomos no passado, mas que ainda não somos a pessoa que seremos no futuro.

Que tipo de sentimento de culpa você traz dentro de si? Uma culpa destrutiva, por medo de ser castigado ou por não admitir seus próprios erros? Ou uma culpa positiva, que nasce da consciência de nossa possibilidade de errar e que o leva a buscar ser cada dia melhor?


Manuela Melo

Neuropsicóloga e Psicóloga Clínica, Manuela Melo cursou MBA em Gestão de Pessoas. Membro da Comunidade Canção Nova por 20 anos, hoje a psicóloga atua em Recife e Surubim, ambas cidades do Estado de Pernambuco, onde ela reside atualmente. Contato: manuelamelocn@gmail.com

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