angústia

A depressão é uma doença que nos causa dor na alma

Que dor é essa?

Durante nossa vida, vivemos diversos momentos, sejam eles alegres, tristes, de felicidade, dor e, às vezes, todos eles ao mesmo tempo. Algumas vezes, essa dor tem nome; outras, não conseguimos encontrar. Porém, parece que essas são as mais fortes. Lembro-me de que, uma vez, quando criança, li um cartaz dizendo que a depressão seria uma das maiores doenças do futuro. Eu ri muito, porque como pode alguém entrar em depressão? Ainda mais se essa pessoa tem Deus no coração!

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Foto: KatarzynaBialasiewicz

Passaram-se mais de 20 anos e, então, constatei que, realmente, a depressão é um dos grandes males da humanidade. E não, Deus não tem nada a ver com isso, muito menos o fato de estarmos dentro da Igreja, de termos uma vida ativa faz com que nos vejamos livres desse mal. Ela pode vir aos poucos e ir nos consumindo, até que percebamos o ponto que chegou. A depressão pode vir após um trauma, uma grande dor ou até mesmo depois de um momento de grande felicidade, como a depressão pós-parto.

Depressão pós-parto

Descobri, na minha vida, que a depressão pós-parto, na maioria das vezes, vem do medo de separar-se do filho, o qual, durante nove meses, não desgrudava de você; e não da aversão que algumas mães criam de seus filhos (esses casos são mais raros). Descobri isso da pior forma possível: vivendo essa realidade. Na hora, você não entende o que está acontecendo, é um misto de tristeza e alegria, medo e euforia, e acaba não dando bola, mas isso vai crescendo e, quando você percebe, já está tão grande, que o atropela.

Agora, a luta se torna constante entre você e a depressão. Uma luta que não dá para lutar sozinho. É preciso ajuda, muita ajuda de quem ama você e de profissionais da área, além da ajuda do Alto. Fui vendo, durante os anos, que essa depressão ia aumentando à medida que eu ia tendo filhos. Percebi também que nem todo mundo (embora a doença seja muito divulgada) consegue entender o que se passa; afinal, você tem tudo: sua família, uma casa, um trabalho… Então, por que tamanha tristeza? Por que fazer tempestade em copo d’água?

Encarar a realidade

Vale esclarecer que, quando se passa por esse processo, a subida é lenta; às vezes, a cada dois passos se regressa um. Sim, eu aumento as coisas de vez em quando. Sim, eu choro com documentários. Sim, eu choro com comercial de margarina! Sim, comentários que antes não me feriam, hoje, causam grandes feridas em meu coração.

Você começa a se enxergar de um jeito diferente, e não é tão simples aceitar isso. Imagine, então, para aqueles que o conheceram quando você era “normal”! Surgem diversos conselhos, dos mais variados, desde “espere que vai passar” até “você deve estar precisando rezar mais”.

Às vezes, criamos máscaras para podermos sobreviver, e essas máscaras, muitas vezes, são necessárias para termos a coragem de sairmos de casa, e isso não é ser falso. Porém, não podemos nos esquecer da nossa verdade, de quem somos, pois, em algum momento, precisamos encarar a realidade, tentar não nos abater, mas ter a coragem de mostrar para o outro a nossa verdade.

Buscar ajuda

Na verdade, estou escrevendo esse texto não como um desabafo, muito menos para esclarecer uma doença que nem eu mesma entendo direito. Estou escrevendo para que você possa se olhar, observar-se e perceber se esse “bichinho” está aí à espreita. Se você o encontrou, corra atrás do socorro certo. Lembre-se de que psicólogos e psiquiatras não são monstros de sete cabeças.

Você também pode ajudar aquelas pessoas que se encontram nessa situação, a fim de que saibam que não estão só. Infelizmente, somos uma multidão que, muitas vezes, sofre calada. Falar sobre esse problema é, sim, um ótimo remédio. Não se faça de coitado, mas tenha um coração livre de acusações.

Tente ser também uma luz para aqueles que, em sua família, sofrem dessa doença. O diálogo é um santo remédio. Relevar algumas coisas também ajuda, impulsionar essa pessoa a sair da ostra em que ela se colocou e procurar ajuda é fundamental. Paciência, muita paciência! E nunca, nunca deixe de buscar ajuda do Alto.

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Não temas, minha filha!

Termino essa conversa com uma frase que li no Diário de Santa Faustina: “Não temas, minha filha, não estás sozinha. Luta com coragem, porque o Meu braço te ampara. Luta pela salvação das almas exortando-as à confiança na Minha misericórdia, porque esta é a tua tarefa nesta vida e na futura”, porque, afinal, Deus não condena ninguém, nem a mim nem a você.

Deus o abençoe!


Kelly Kruschewsky

Kelly Kruschewsky é professora no Instituto Canção Nova. Consagrada permanente na Comunidade Canção Nova, ela é casada com João Paulo Kruschewsky e mãe de três filhos: Pedro, Rafael e Elisa.

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