Dia Nacional do Nutricionista

Nutricionista sente a presença de Deus em cada gesto, palavra e olhar

Nutricionista em cuidados paliativos conta como é cuidar de pacientes terminais

Meu nome é Luciana Cristina Resende, tenho 26 anos e moro em Belo Horizonte (MG), atualmente, mas nasci e fui criada em Entre Rios de Minas (MG). Sou nutricionista pela Universidade Federal de Ouro Preto e especialista em Nutrição Hospitalar e Clínica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Santa Casa BH.

Atualmente, trabalho na Unidade de Cuidados Prolongados da Santa Casa Belo Horizonte, com uma equipe multiprofissional composta por médicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudióloga, psicólogas e assistente social. A maioria dos nossos pacientes se encontram em cuidados paliativos, e o nosso objetivo é prestar assistência necessária dentro de cada especialidade e levar amor e atendimento humanizado aos pacientes e também suas famílias.

Mais que um profissional

Minha história com o trabalho de cuidados paliativos teve início ainda na faculdade, em 2013. Comecei a me interessar e estudar sobre o assunto devido ao fato de ter uma amiga muito próxima nesses cuidados desde 2010. A partir de então, estou nessa jornada com muita alegria, pois sou apaixonada por essa área e consegui me encontrar na minha profissão.

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Esta foto é de sua amiga Thelminha, que está acamada desde 2010. Foto Ilustrativa: Arquivo Pessoal

Acompanhar os pacientes hospitalizados, assim como a família, é uma experiência e um aprendizado dia após dia. É importante que nós, profissionais de saúde, possamos ter cuidado, atenção e carinho com essas pessoas. O atendimento humanizado pode ser capaz de amenizar os sentimentos dolorosos que estão sendo sentidos. Nesse momento, podemos vivenciar seres humanos sensibilizados diante de uma doença ameaçadora de vida, seres humanos puros, os quais, em sua maioria, encontram na uma fortaleza espiritual de enfrentamento da situação.

O nutricionista que atua em cuidados paliativos não se limita a orientar uma alimentação adequada de acordo com a patologia apresentada. Neste momento, pensamos no prazer que a alimentação proporciona às pessoas e no quão é importante realizarmos os desejos de alguns pacientes, que pode ser os últimos. Assim, podemos dizer que o alimento pode nutrir a alma também.

Presença de Deus

Trabalhar com pacientes terminais é lidar com diversos sentimentos diariamente, com etapas diferentes de enfrentamento e aceitação da doença por parte dos pacientes e familiares. E como é importante estar por perto! Consigo perceber a presença de Deus em cada olhar, em cada aperto de mão, cada abraço e sorriso puro. Diante de cada situação, sinto-me mais forte e certa da presença de Deus na minha vida e no meu trabalho, manifestada por meio de diversas situações no decorrer do tempo.

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São muitas as histórias especiais, mas, para finalizar, gostaria de contar sobre uma que me chamou à atenção recentemente. Tenho uma paciente que ficou internada na unidade de Cuidados Prolongados mais de uma vez, uma pessoa com uma fé inabalável e uma força gigantesca. Em todas as internações, ela está com o mesmo terço entrelaçado em suas mãos. Na semana passada, fui conversar com ela e resolvi tirar uma foto, dizendo que a postaria e gostaria de uma legenda. O resultado foi: “Santo terço, esperança e conforto à alma”, seguida de uma fala: Lu, essa foi a frase que veio no meu coração, uma frase simples, mas pura, expressando o que realmente sinto.

Após alguns minutos da postagem, recebi o convite para realizar esta entrevista. Mais uma vez, o toque de Deus em todas as coisas. Retornei até minha paciente e contei sobre o ocorrido. Ela disse assim: Você vai para sua casa e vai receber o toque do Espírito Santo para escrever sua entrevista de uma forma verdadeira e iluminada.

Por Alessandra Borges e Leticia Barbosa

 

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