Testemunho

Missionários são chamados para o trabalho evangelizador e social

Bárbara Rocha é missionária da CN e traz, na bagagem, a missão evangelizadora, pastoral e social

Por Alessandra Borges
       Rebeca Astuti

Na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), é realizado um trabalho social voltado para a população local, por meio de ações desenvolvidas pela “Rede de Desenvolvimento Social da Canção Nova”, a qual abrange as áreas de assistência social, educação e saúde.

Os projetos sociais são voltados para crianças, jovens, adultos e idosos. Além dos colaboradores da Fundação São João Paulo II, participam da “Rede de Desenvolvimento Social da Canção Nova” os missionários que ingressaram na comunidade e trouxeram, na bagagem, a dupla vocação: a vontade de servir a Deus e sua profissão.

Esse é o caso da missionária Bárbara Rocha, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), que está na comunidade há oito anos e sete meses. Bárbara é formada em odontologia e, hoje, ela é uma das dentistas que atendem no Posto Médico Padre Pio, local que oferece atendimento de qualidade e gratuito à população de Cachoeira Paulista e região.

Dentista e missionária

cancaonova.com: Como você vive a fé na sua realidade profissional?

Bárbara Rocha: Vivo minha fé agindo com verdade e caridade. Tenho minha profissão como um dom, e acredito que parte do exercício das minhas atividades se dá por causa do meu empenho pessoal (faculdade, pós-graduação, estudo continuado); uma outra parte é o sobrenatural do dom, auxílio do Céu. Dessa forma, no meu trabalho como dentista, deixo minha fé transparecer na forma como cuido, na disposição de coração que acolho cada paciente, no entendimento de que todo assistido por mim é uma oportunidade de expressar o cuidado de Deus para com ele.

cancaonova.com: Quando o chamado para a CN despertou na sua vida?

Bárbara Rocha: O chamado despertou quando vivia um processo de conhecimento pessoal e maturidade espiritual. Mergulhando no que era minha vida até então e no que era a vontade de Deus para mim, engajada na minha paróquia, tinha uma sede de algo a mais. Parecia que já tinha tudo: uma família feliz e estruturada, uma carreira promissora começando, muitos amigos e um serviço paroquial que me alegrava, mas existia em mim um inquietação.

Conheci a Canção Nova pela TV em 1999. Desde então, vivi, com essa relação de encontro, uma identificação crescente que me fez, em 2007, iniciar um caminho vocacional (um tempo de discernimento mais aprofundado junto à frente de missão da Canção Nova na minha cidade). A partir daí, quanto mais conhecia a comunidade, mais me encontrava, e crescia em mim o desejo de viver como eles na forma de rezar, relacionar-se, trabalhar e evangelizar.

cancaonova.com: Como foi deixar tudo para trás (família, amigos e profissão) para seguir seu chamado vocacional?

Bárbara Rocha: O deixar não foi fácil e comportou muitos sentimentos contraditórios. A alegria de se encontrar num chamado junto à saudade dolorida de não ter mais o convívio constante de pessoas tão essenciais. A segurança deu lugar à instabilidade da missionariedade; o conforto deu espaço a uma vida abandonada à Divina Providência. Foi o “deixar coisas muito boas” na certeza de estar abraçando outras ainda melhores! Sinto que a certeza do chamado vela o sentimento de perda da mudança, e o que se levanta é uma força que não se explica, o verdadeiro impulso do Espírito.

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cancaonova.com: Nem todos os missionários exercem sua profissão dentro da comunidade, então, como é para você poder exercer sua profissão nesse local?

Bárbara Rocha: É a graça de poder entender que o Senhor, quando nos chama a uma vocação específica, como a vida missionária em uma comunidade, não despreza nada do que somos. Sinto-me privilegiada em poder colocar minha profissão a serviço do Reino.

Um Palavra me acompanha: “Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e viver, na caridade, na fé e na castidade. Enquanto eu não chegar, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia” (1Timóteo 4,12-14). Esses versículos impulsionam meu chamado vocacional, são para mim como palavras de ordem, o desejo de não negligenciar o que sou e as diferentes dimensões da minha vida (espiritualidade, profissão e humanidade).

cancaonova.com: A missão pode levar os missionários para lugares inesperados. Em uma dessas missões, você foi trabalhar na Ilha de Marajó. Como foi ser missionária e dentista naquela realidade social?

Bárbara Rocha: Foi a oportunidade de ofertar pela missão todas as minhas potencialidades. Foi uma experiência bem particular ir ao encontro de uma realidade tão distante e tocar no que a disposição do nosso coração pode fazer em prol de um povo tão sedento de cuidados no corpo e na alma. Na Ilha de Marajó, contemplei a vulnerabilidade social, o abandono, a falta de saneamento básico e água tratada, o descaso e a exclusão; junto a isso, encontrei um povo muito acolhedor, de belezas naturais surpreendentes, vivi um tempo de unidade com outros missionários que lá desempenham, com tanta coragem, seu apostolado; experimentei a superação, toquei na certeza de que bem pouco eu poderia ajudar, mas vi esse pouco alcançar vidas e transformá-las.

Confira a mensagem de encorajamento deixada por Bárbara

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