Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio. A campanha, que teve início no Brasil em 2015 é uma forma de ajudar a salvar a vida de milhares de pessoas. Este vídeo é um alerta para os pais para que estejam sempre atentos aos filhos, além de ensiná-los sobre o sentido da vida.
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O cenário da saúde mental e suicídio infantil no Brasil
A fragilidade emocional e os comportamentos na infância
Falar sobre a morte de crianças e adolescentes por suicídio é um tema doloroso, mas extremamente necessário. No Brasil, apenas no ano de 2021, cerca de 200 crianças entre 5 e 9 anos tiraram a própria vida. Esse dado gera grande alerta até mesmo entre psicólogos, considerando que as crianças costumam ter mecanismos próprios de defesa e elaboração de conflitos por meio do brincar — inclusive em jogos mais agressivos como forma de extravasar tensões familiares.
Em diversos casos infantis, observam-se comportamentos de autodestruição motivados por interpretações literais de falas dos adultos ou angústias profundas. Um caso emblemático foi de uma menina que desenvolveu desnutrição severa após a separação dos pais. Ela havia gravado a frase dita pelo pai — “Se você morrer, eu morro junto de tanto que te amo” — e concluiu que, ao morrer, o pai morreria também e reuniria a família no céu. Foi necessária intervenção psicológica para desfazer essa crença e cessar o processo de autodestruição.
O impacto do “sistema familiar adoecido”
Por trás dos episódios de sofrimento e autodestruição infantil, é frequente encontrar históricos de transtornos psiquiátricos na família — principalmente depressão e ansiedade —, além de vivências dolorosas envolvendo amigos, vizinhos ou colegas.
Quando os pais estão excessivamente concentrados em seus próprios sintomas ou enfrentam o alcoolismo e a dependência de drogas, a estrutura familiar como um todo adoece. A criança absorve todo o sofrimento do ambiente sem que os adultos percebam. Diante disso, é urgente que os pais busquem tratamento e cura para suas próprias dores, salvando a vida dos pequenos que merecem viver e brincar em um ambiente saudável.
A vulnerabilidade dos adolescentes e os fatores de risco
Dados estatísticos e a diferença entre os sexos
As estatísticas de suicídio entre adolescentes no Brasil apresentam um crescimento contínuo nos últimos anos:
- 2019: 2,74 óbitos a cada 100 mil adolescentes;
- 2020: 3,82 óbitos a cada 100 mil adolescentes;
- 2021: 4,02 óbitos a cada 100 mil adolescentes.
A faixa etária mais atingida concentra-se entre 15 e 19 anos, sendo que 67,9% das vítimas são do sexo masculino. Esse percentual expressivo nos rapazes confirma que os homens tendem a guardar mais o sofrimento, falar menos sobre suas emoções e não extravasar os sentimentos, o que dificulta a percepção de que o jovem está em risco.
Influência genético-biológica e o papel dos meios de comunicação
Além de fatores biológicos e predisposições genéticas (como a bipolaridade), a prática clínica revela uma correlação direta entre a vulnerabilidade juvenil e a influência de conteúdos de mídia, séries e ídolos. Em 1994, o suicídio do vocalista Kurt Cobain (Nirvana) levou diversos fãs adolescentes a cometerem o mesmo ato ao seguirem o impacto de sua morte.
Fenômeno semelhante ocorreu com o lançamento da série “13 Reasons Why” (Os 13 Porquês), que provocou um aumento nas tentativas de suicídio entre jovens, inclusive com reproduções exatas de marcas de automutilação vistas em tela. Embora a produção abordasse temas relevantes — como bullying, abusos e pais ausentes pelo excesso de trabalho —, o erro central esteve em finalizar a narrativa com a morte trágica da protagonista, em vez de mostrar um caminho de tratamento e superação. Por essa razão, é fundamental que os pais assistam aos conteúdos audiovisuais junto com os filhos para orientá-los adequadamente.
Estratégias práticas para promover o sentido da vida na juventude
Adrenalina saudável, esporte e contato com a natureza
Muitos adolescentes recorrem às drogas na tentativa de anestesiar dores emocionais e buscar sensações intensas de prazer antes de um quadro crítico. Para prevenir esse caminho, os pais devem ensinar os filhos a vivenciar a adrenalina saudável.
Atividades ao ar livre e aventuras seguras — como travessias em cabos de aço, rapel, acampamentos e passeios em praias e cachoeiras — ensinam os jovens a valorizar os prazeres da vida. Além de serem opções muitas vezes gratuitas e acessíveis, essas vivências na natureza reúnem a família e ajudam a afastar os jovens do uso excessivo de telas e eletrônicos através dos esportes.
Ideais de serviço ao próximo e espiritualidade concreta
Outro ponto central para a saúde mental dos jovens é a reconstrução de ideais focados no bem comum. O jovem precisa se sentir útil e engajado em causas que ajudem a humanidade e o próximo.
No aspecto espiritual, a religiosidade do adolescente demanda um Deus concreto — vivenciado na prática do amor ao próximo, em grupos de jovens e em ações comunitárias, e não apenas como uma figura distante. As crianças chegam ao mundo como preciosidades, e cabe aos adultos o dever de guiá-las com cuidado e sabedoria para que descubram a beleza e a grandiosidade de viver.






