Resposta de Maria

Reflita sobre o modelo de fé da jovem Virgem Maria

Maria é exemplo da realização da fé, esperança e caridade

À jovem Virgem Maria se aplica uma palavra referida à sabedoria: “Sou a mãe do belo Amor e do Temor, do Conhecimento e da santa Esperança” (Eclo 24, 24). Em Maria, a jovem, encontra-se a realização da fé, da esperança e da caridade!

Uma jovem chamada Maria (Cf. Lc 1, 26-17) deu a resposta mais decisiva que um ser humano é capaz de dar diante do plano de Deus. Ele soube olhar para a pequenez que se tornou a grandeza daquela servidora. A oblação de sua liberdade (Lc 1, 38) expressa a maturidade mais elevada a que se pode chegar.

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Foto Ilustrativa: Guido Reni (Italian, Bologna 1575–1642 Bologna)

Acreditar! Cedo ou tarde as pessoas haverão de fazer escolhas cujas consequências determinam o rumo da própria existência. Trata-se de um ato de confiança, com o qual se aposta a vida em quem é reconhecido maior do que a pessoa que responde. É o risco a ser assumido na vida de qualquer pessoa humana, ainda que, essa, se decida a acreditar apenas em si mesma.

A experiência da fé é fonte de felicidade

Pode-se arriscar num projeto de vida chamado profissão, o que é pouco para as dimensões da obra de Deus que somos nós. Alguém irá atrás de uma ideologia, essa carregada do germe da destruição interior que se seguirá, mais cedo ou mais tarde. Outros acreditarão no dinheiro, no poder ou no prazer, com as trágicas consequências testemunhadas na história da humanidade. Pode ainda acontecer a idolatria, com a qual coisas ou pessoas são confundidas com Deus. Ídolos caem sempre e se desmoronam!

Por outro lado, a experiência da fé é fonte de felicidade, pois liberta a pessoa de olhar apenas num espelho que é o próprio eu, abrindo horizontes antes impensáveis. A fé não limita, mas escancara portas para a vida humana, concedendo-lhe condições para enxergar com profundidade os acontecimentos. Não significa a busca de fatos extraordinários, curas miraculosas, fenômenos assustadores; mas a descoberta do sentido profundo da vida, expresso num projeto que vem de Deus!

A fé da Virgem Maria

“Feliz Aquela que acreditou, pois o que Lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!” (Lc 1,45). Olhemos para a Virgem Jovem Maria para aprender com Ela a arte da fé. Com Ela nós acreditamos, n’Ela somos conduzidos a Jesus, o único Salvador. A nossa fé quer ser parecida com aquela que Maria professou, tanto que, a consideramos Mãe da nossa própria fé.

Dentro de poucos dias, nossa cidade de Belém se transformará num mar de gente, pessoas de todas as idades e situações sociais, conduzidos todos pelas mãos da jovem Virgem de Nazaré. Olhando para frente e para o alto; para o encontro com Jesus Cristo; nosso Senhor e Salvador.

E, tudo começou quando a jovem recebeu a visita de um emissário de Deus. É que existe um plano de felicidade que provoca a nossa liberdade, expresso pela figura do Anjo que Lhe aparece. Deve entregar Sua vida a uma proposta que supera em muito sua pequenez e fragilidade! De fato, deve-se “dar crédito” à voz interior, instrumento que Deus usa para nos tocar.

Quem professa a fé sai de si mesmo, como fez a Jovem Virgem Maria

Ainda que não tenhamos aparições extraordinárias, forte e eloquente é a voz que nos chama à adesão ao projeto de Deus. Pode acontecer, também, de muitas pessoas terem sido instrumentos da graça de Deus para nos chamar. Elas responderam ao dom que vem do alto, mesmo sem entender. A fé se arrisca deixando à liberdade do próprio Deus: as eventuais explicações a serem dadas no correr da vida. Mas, o ato inicial é um verdadeiro salto no escuro, garantido apenas pela qualidade Daquele que chama!

A resposta dada a Deus compromete a pessoa com o plano que Ele estabelece. Quem professa a fé sai de si mesmo. Assim fez a Jovem Virgem Maria, partindo para um verdadeiro estágio de serviço e presença junto de Sua prima Isabel. A fé abre portas e janelas, faz a pessoa se colocar a caminho, liberta-a de interesses egoístas, para enxergar o mundo por meio de outros apelos. E, na casa de Isabel, Maria ouve a proclamação de sua felicidade.

Todas as gerações me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para Mim coisas grandiosas

Antes, era um Anjo que lhe anunciava o plano de Deus, agora é a voz delicada e profética de uma pessoa humana, como acontece também em nossa vida. A aventura da fé se abre aos muitos apelos feitos por Deus por meio das pessoas. Do magnífico diálogo entre as duas futuras mães, brota a certeza do amor que, hoje, devotamos à Jovem Virgem Maria.

“A Minha alma engrandece o Senhor e, Meu Espírito, se alegra em Deus Meu Salvador, porque Ele olhou para a humildade de Sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, Me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para Mim coisas grandiosas” (Lc 1, 46-49).

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A presença de Maria na vida de Jesus

Outros episódios contribuíram para o amadurecimento da fé na Jovem Virgem Maria. Tendo dado Sua resposta a Deus, logo o Fruto aparece e nasce o Menino Deus, Luz para todas as nações! Mãe feliz, missão que se abre para uma vida. Logo depois, após anúncios de um Anjo e de uma prima, agora é o velho Simeão a anunciar, profeticamente, o mistério da dor, ali chamada de espada a transpassar o coração (Lc 2, 22-40).

Faz ainda parte de Sua vida a fuga para o Egito, buscando garantir e salvar a qualquer custo o que pertence a Deus, Seu Filho amado. Em seguida, a prova da fé conduz a Jovem Virgem Maria ao cotidiano de Nazaré, rotina da vida em família, onde o extraordinário é justamente o correr dos dias vividos com intensidade, no trabalho, no relacionamento com os outros, no afeto experimentado no lar.

Mais tarde, é Jesus adolescente que Lhe provoca um novo passo, foi quando Maria “aprendeu a perder”. E não é difícil identificar na vida de todas as pessoas de fé fatos semelhantes. Se Maria passa na frente, oferecendo-nos os exemplos, também para nós os passos são os mesmos e são caminho de felicidade.

Não há desculpas para quem aposta tudo em Deus!

Em Caná, a jovem Virgem Mãe Maria se revela discípula de Seu próprio Filho, fazendo acontecer a hora de Deus: “Sua mãe disse aos que estavam servindo: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” (Jo 2, 5). Trata-se de uma receita de milagre, disponível para todos os homens e mulheres de fé! Viver a Palavra de Deus desencadeia sempre uma transformação do pior para o melhor, para que o vinho novo do Reino de Deus seja oferecido em abundância. A felicidade de quem acredita se faz concreta no dia a dia da fidelidade!

Na vida da Jovem Virgem Mãe Maria, a prova final da fé aconteceu no alto do Calvário. Foi quando Ela disse seu segundo e definitivo sim! A felicidade do acreditar passa pela desolação! Não há desculpas para quem aposta tudo em Deus! Abriu-se, assim, a porta do Cenáculo. E, alguns dias depois, a Mãe da Fé, seria o coração da Igreja reunida, preparada para o dom do Espírito Santo prometido. Dali para frente e até a volta do Senhor, homens e mulheres de fé continuarão a testemunhar a alegria da fé, nossa honra e dignidade!


Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

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