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A humildade admirável de Nossa Senhora

“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lucas 1,38). São Francisco de Sales nos diz que a humildade é o fundamento do edifício da santidade, ela é a base de tudo. A humildade é a rainha das virtudes. Uma pessoa, segundo São Tomás de Aquino, pode até fazer milagres, mas se não tiver humildade de nada vale.

Ao receber tão grandioso elogio ao ser chamada pelo Anjo de a “cheia de graça”, Maria dá o seu consentimento tendo sempre em vista quem ela é, ela sabe a sua verdade, ela se reconhece a simples serva do Senhor, um nada diante da grandeza de Deus. E é essa simples serva que o Senhor escolhe. Não é qualquer serva, é uma serva agraciada por Deus para carregar em si a Fonte de toda a humildade, Nossa Senhora é a mulher humilde por excelência, nela tudo encanta. Maria sabe qual a sua contribuição para o plano divino da salvação e sabe onde é o seu lugar. Foi revestida de forma tão extraordinária pela graça de Deus, que nela tudo revela Deus.

A humildade admirável de Nossa Senhora

Foto ilustrativa: DanBrandenburg by Getty Images

A humildade de Maria alegrou o coração do Senhor

São Bernardo de Claraval, em seu sermão sobre a Anunciação, diz que Deus, ao olhar para Maria, encantou-se com sua humildade, enamorou-se de seu coração humilde. A humildade de Maria alegrou o coração do Senhor. Não foi simplesmente por ser Virgem que ela encantou Deus, mas por ser humilde, pois o Reino dos Céus é dos humildes.

Tudo em Maria era humildade, em seu coração não existia uma faísca de orgulho. Verdadeiramente, “o Senhor eleva os humildes”, como ela mesmo canta em seu louvor, no seu Magnificat, quando reconhece: “Ele fez maravilhas na sua serva… Ele eleva os humildes”. Deus escolhe os pequenos! E por ser pequena, o Senhor a escolheu, e por seu mistério de amor, a preservou desde do primeiro instante de sua existência. Diante da revelação do Anjo, ela poderia se achar melhor do que as outras criaturas, mas não, ela se reconhece serva – em Israel, naquela época, ser servo era alguém sem muito valor, era um nada, era um pobre coitado. Maria é a serva, repleta da graça de Deus, transbordante de Seu amor. A Mãe de Deus se enxerga pequena diante da grandeza da missão, uma simples jovem humilde de Israel.

Nós, muitas vezes, temos algum cargo pequeno ou grande, ou somos responsáveis por alguma coisa, seja na igreja ou na sociedade, ou sabemos fazer algo muito bem, achamo-nos melhores que os outros, queremos saber mais que os demais. Ela, no entanto, a Virgem Humilde que carregou Deus, amamentou Deus, viveu com Deus dentro de casa, nunca viu nada como méritos seus, mas sabia que tudo era graça de Deus. A simples serva carregou a “Fonte de toda riqueza e sabedoria”. Sem humildade não se chega à santidade, muito menos à contemplação da face de Deus. Maria, por se tão humilde, não só viu Deus como O gerou.

Devoção a Nossa Senhora

Ser devoto de Maria é imitar sua profunda humildade. Não existe devoção genuína a Nossa Senhora sem humildade. Os santos foram homens e mulheres que, em tudo, buscaram imitar a humildade de Nossa Senhora. Na Ladainha, nós a chamamos de Mãe Admirável. Admirável em quê? Em sua profunda humildade, em sua entrega sem limites, em sua fé, em sua caridade, em sua esperança pascal… Tudo em Maria é admirável, tudo nela é virtude! Olhamos para Nossa Senhora e nos admiramos de sua beleza, pois, como diz Dostoievsky, “a beleza salvará o mundo”. A beleza que Maria trouxe ao mundo – seu Filho Jesus – verdadeiramente salvou o mundo.

Quem é humilde traz em si uma beleza encantadora, reflexo daquela beleza divina de alguém que, em tudo, busca só Deus. Por isso, a pequena Jacinta Vidente de Fátima não cansava de dizer a respeito de Nossa Senhora: “Era uma senhora muito linda… Ai, meu Deus, era uma senhora muito linda!”. Belo não é quem faz isso ou aquilo, belo é quem é humilde.

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Como São Sofrónio de Jerusalém, século VII, queremos também dizer: “Nada se pode comparar às maravilhas que em vós se contempla, nada existe que se iguale à graça que possuís; todo o resto ocupa um segundo plano. Quem ousará competir convosco? Deus nasceu de vós!”. Maria possui todas as virtudes de forma grandiosa, pois Deus a agraciou de modo tão elevado.

Quer agradar a Deus?

O exemplo da humildade de Nossa Senhora precisa nos levar a querer imitá-la e a colocar em prática essa virtude tão necessária para a santidade. No nosso dia a dia, somos chamados a ser humildes, a imitar Nossa Senhora no contexto onde estamos inseridos e, como nos ensinam os santos padres da Igreja, sempre precisamos pedir ao Espírito Santo, pois é Ele quem nos faz humildes, e é Ele quem dá o acabamento da obra que Ele começou a fazer. Precisamos pedir como Agostinho de Hipona: “Que a alma e o coração de Maria esteja em nós, para amarmos dignamente o Senhor”. Quer agradar a Deus? Seja humilde, busque parecer-se, nem que seja um pouquinho, com Nossa Senhora.

Entremos na escola de Maria, deixemos que esta Mãe Admirável nos forme e nos ensine a fazer da nossa vida um eterno “Faça-se a Tua Vontade” como ela mesmo fez. Coloquemo-nos nesta escola, e que a nossa cartilha seja o Santo Terço, e que o Terço seja este meio tão eficaz que nos ajuda a imitar Maria, e com os olhos e o coração da Virgem, possamos contemplar o mistério da salvação e amar a Deus com um coração livre, buscando somente aquilo que Lhe agrada.

Que o coração humilde de Maria triunfe em teu pobre coração e em tua vida. Que, no teu coração, bata o coração de Maria! E que a beleza desta Mãe sempre o encante. Como Novalis, poeta alemão do século XVIII, queremos fazer nossas as palavras dele: “Vejo-te em mil pinturas, tão encantadoramente representada com amor, Maria. E ainda assim, nenhuma dessas pinturas chega perto de retratá-la como minha alma a vê. Só sei que, desde que a vi pela primeira vez, o tumulto do mundo esvaneceu como um sonho. E um céu indescritivelmente doce habita eternamente em meu espírito”. Que o coração humilde e santo de Nossa Senhora seja nosso consolo no nosso vale de lágrimas!

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José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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