🕊️ Doutrina

Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo são um único Deus

O mistério e a doutrina da Santíssima Trindade

A transição do monoteísmo para a doutrina trinitária

O mistério da Santíssima Trindade é um dos dogmas centrais dentro da Igreja Católica. Por muitos anos, as civilizações acreditaram em uma diversidade de deuses, como, por exemplo, os gregos, bárbaros e celtas.

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Por outro lado, os judeus avançaram essa compreensão apresentando o monoteísmo. Com fé em um único Deus, por muitas vezes citada pelos profetas como “Deus verdadeiro, os outros são apenas barro”. Ou seja, a multiplicidade de deuses seriam apenas imagens criadas pelo homem, só existe um único Deus. Por fim, a Igreja católica, herdando a herança judaica, desenvolve a doutrina da Trindade.

As heresias e os desafios da Igreja Primitiva

A Trindade, revelada pelas Sagradas Escrituras e pelo testemunho de Jesus Cristo, torna-se um grande escândalo para os judeus e para muitos das primeiras comunidades cristãs. Nos inícios da Igreja, de tempos em tempos, apareceram diversas heresias sobre essas realidades. Algumas delas são:

1 – O modalismo
Que consistiu na opinião de alguns teólogos (Noeto e Praxéias, no século II e Sabélio, no século III) que reduziam as três Pessoas da Santíssima Trindade a simples modo de expressão do único e mesmo Deus;

2 – O subordinacionismo
Que foi defendido pelo bispo Paulo de Samósata e pelo padre Ário de Alexandria. Eles ensinavam que o Pai é o único Deus. Enquanto que o Filho e o Espírito Santo são criaturas subordinadas ao Pai.

3 – O triteísmo
Que ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três substâncias independentes e autônomas. Afirma, portanto, que a Trindade, na verdade, são três deuses.

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A definição do dogma e os concílios ecumênicos

No Ocidente, Tertuliano foi o primeiro a usar a palavra “Trindade” para se referir a Deus em três Pessoas, enquanto, no Oriente, esta tarefa coube a Teófilo de Antioquia. A doutrina foi explicitada e finalmente definida no Concílio de Niceia (325 d.C.), esclarecendo a divindade de Jesus Cristo, e no Concílio de Constantinopla (381 d.C.), defendendo a divindade do Espírito Santo. Cada um desses Concílios procurou responder às heresias de seu tempo, fixando a verdadeira fé católica.

Santo Agostinho e a analogia da mente humana

Um dos principais comentadores da Trindade foi Santo Agostinho, em sua obra “De Trinitate”. Ele enfatizou a unidade e a igualdade das três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus em essência. Ele usou analogias, como a mente que pensa, a palavra que é expressa e o amor que une para ilustrar a relação entre as pessoas divinas. Argumentava também que a capacidade humana de amar espelha a natureza trinitária de Deus, incentivando os cristãos a viver em comunhão.

A vida cristã no seio da Trindade

A adesão ao catolicismo ocorre no Batismo Trinitário. A partir disso, somos introduzidos no seio da Trindade e entramos no mistério divino por adoção filial. Sendo o Batismo a porta de entrada, os outros sacramentos também são manifestação da obra Trinitária na alma do fiel. Por isso, celebrar os sacramentos é celebrar a Trindade, e ser católico é viver essa mística que leva à união com o próprio Deus Trindade.

Que Deus, nosso Pai, nos inspire a pôr em prática esses ensinamentos.

 

 

 


Rafael Vitto

Rafael Vitto, sacerdote da Comunidade Canção Nova.