festa da exaltação

Olhar para a Santa Cruz é contemplar a salvação

Com toda a Igreja, celebramos, hoje, a festa da exaltação da Santa Cruz. Exaltar a Santa Cruz é elevar o lenho bendito que nos salvou, libertou-nos das algemas do pecado e da morte. Não celebramos um suplício ou um lugar de morte, mas honramos a vida, o amor e a salvação. Celebramos a vitória do amor, assim como nos dizia Papa Luciani (João Paulo I): “O amor será sempre vitorioso, o amor pode tudo”. O amor de Cristo pelo homem venceu na cruz. Para nós, a cruz é o penhor da nossa salvação, é o sinal visível do amor. O verdadeiro amor passa pela cruz!

Diante deste mundo instável, a Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo permanece firme como sinal de esperança e fortaleza. A morte e a dor não têm a última palavra, a Cruz de Cristo é sempre vitoriosa. É preciso, diante das mudanças que este mundo vive, estar de olhos fixos na Cruz do Senhor, pois ela é e sempre será um sinal de que o amor é sempre vitorioso, o mundo passa com tudo que está nele, mas a Cruz de Cristo não muda, ela permanece a
mesma.

Os santos padres da Igreja chamavam a Cruz de Nosso Senhor de “A Bendita Árvore”, fazendo menção à árvore do conhecimento do bem e do mal relatada em Gênesis, por uma árvore em Edén, nossos primeiros pais ao comerem de seu fruto foram expulsos do paraíso; agora, pelo fruto que pendeu desta nova árvore veio-nos a vida, e esse fruto nos introduziu novamente no paraíso. Santo Atanásio o Sinaíta nos diz que “A cruz de Cristo é o lenho da vida”. Por uma árvore veio a morte, por uma outra árvore nos veio a salvação e a vida eterna. Comemos desse fruto e temos a imortalidade. Olhar para a Santa Cruz é contemplar a salvação, é contemplar o amor louco de um Deus que se fez homem para amar o homem mais de perto e para o salvar. Não adoramos o sofrimento da cruz, mas a glória de Cristo que venceu e fez dela penhor de salvação. Cristo transformou a cruz em vida. E tu, o que fazes com a tua cruz?

Festa da Exaltação à Santa Cruz

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Cristianismo sem a santa cruz

Nos nossos dias, vemos de todos os lados pregações que parecem mágicas, pregam um Cristo sem cruz, um Cristo glorioso que nunca sofreu. Não se fala da cruz; prega-se a prosperidade e tenta esquecer-se de uma passagem do Evangelho: “Toma a tua cruz e me siga”. Queremos até seguir Jesus, mas carregar a cruz é exigente, é mais fácil pregar um cristianismo sem cruz, pois é mais atrativo. Se anunciarem um Cristo sem cruz, sinto lhe dizer que Este é falso, esse é o anticristo disfarçado do verdadeiro Jesus. O verdadeiro Jesus não nega a cruz, mas nos ensina a carregar a nossa com amor, assim como Ele carregou.

O grande bispo americano Fulton Sheen nos diz: “Satanás pode se apresentar sob muitos disfarces, até semelhantes a Cristo, e no fim do mundo aparecerá como benfeitor e filantropo – satanás nunca apareceu nem nunca aparecerá com cicatrizes. Somente o amor celestial pode mostrar as marcas da maior dádiva de amor numa noite para sempre no passado”. Um Cristo sem Cruz, sem as marcas das chagas não é verdadeiro. O Cristo crucificado é o vencedor que passou pela Cruz, o seu estandarte de vitória é o amor.

A Cruz de Cristo é redentora, e assim toda Cruz que trazemos também redime. Como nos ensina tão bem São Josemaria, que é preciso trazer a Cruz de Cristo nos nossos pensamentos, no nosso coração, na nossa vida, trazer
essa cruz nas nossas angústias e pedir que ela sempre seja vitoriosa, e com a Igreja possamos também nós cantar “Vitória tu reinarás, ó Cruz tu nos salvará”. Que maravilhoso mistério, a vitória reinou, Cristo venceu e a sua cruz nos
salvou. Precisamos sempre repetir para nós mesmos, lembra-te de onde essa cruz te resgatou, lembra-te onde tu estavas, não esqueças de onde o teu Redentor te buscou, Ele do alto desta Cruz pagou a dívida que tu não tinhas condição de pagar.

O cristão é gerado pelo Crucificado

Na Cruz de Cristo, foram redimidos todos os homens: por esse sinal são batizados, confirmados e absolvidos. O primeiro sinal que a Igreja faz sobre os recém-nascidos e o último com que conforta e abençoa os moribundos, é sempre o sinal da Santa Cruz. Não se trata de um sinal simbólico, mas sim duma grande realidade: a vida cristã nasce da Cruz, o cristão é gerado pelo Crucificado e só unindo-se à Cruz do seu Senhor, confiando nos merecimentos da Sua Paixão poderá obter a salvação. O Cristão não foi remido por um morto, mas sim por um Ressuscitado da morte de Cruz. Contemplar a Cruz não nos isola da contemplação da ressurreição. Toda dor, toda Cruz culmina com a ressurreição.

Com São Leão Magno queremos dizer: “Ó admirável poder da Cruz… Todas as bênçãos nascem da tua Cruz; ela é causa de todas as graças; por ela, os crentes tiram força da fraqueza, glória do opróbrio, vida da morte.”

O Ofício Maronita do sábado santo diz: “Bom pastor para procurar a tua ovelha perdida tu te abaixastes, fostes elevado sobre o lenho da Cruz, e de cima tu vistes que ela tinha se tornado pó…” Do alto da Cruz Jesus nos enxergou, viu as Suas ovelhas pressas no pecado, e daquela árvore bendita Ele deu sua vida por amor.

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A Santa Cruz é portadora de alegria, da verdadeira alegria, aquela que dinheiro nenhum compra, aquela alegria eterna que nunca terá fim. Por mais que existam dores e cruzes na sua vida, a sua cruz de cada dia, aquela que ninguém vê, que só o seu Pai do Céu vê, essa sua cruz será também redentora. Sem dúvida, a cruz trará a você a alegria e será sua ponte para o paraíso.

Lugar de encontro

Um soldado, por exemplo, não pode ser condecorado antes da batalha; somente depois da peleja e das dores é que vem a honra e a condecoração. Nós celebramos a festa da Cruz, porque dela vem a verdadeira vida. A glória da Cruz é interior, profunda, pura e divina, e por isso alegre. O selo da Cruz nos abre os divinos mistérios e faz com que os entendamos. É através da Cruz que nós amadurecemos para a vocação que nos faz participar da bem-aventurança eterna. Nessas realidades profundas encontra-se a verdadeira alegria.

A Cruz é o lugar do encontro! Na Cruz, Jesus se encontrou com a humanidade sofrida e doente pelo pecado, encontrou-se com o coração do homem, e de lá o redimiu. Do alto da Cruz, Cristo olhou o homem, Ele o viu de cima. Para nós cristãos, a cruz não é maldição nem sofrimento, mas salvação, doação e amor. A Cruz se tornou a ponte que liga ao domingo da ressurreição, aquele dia que nunca terá fim, o dia perfeito. Na Cruz de Cristo o mundo inteiro foi abraçado e reconciliado, à sombra dessa bendita árvore o homem fechado em si se uniu a Deus e tudo foi restaurado em Cristo. À sombra de uma árvore, pela desobediência de Adão e Eva, perderam o paraíso, perderam o conviver com Deus. Agora, aos pés de uma árvore bendita, diante da Cruz de Cristo, o homem é introduzido no paraíso, é reintegrado na vida nova. Passou o que era velho, a Cruz inaugurou o tempo novo!

Bendita seja a Cruz vitoriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo!

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José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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