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Ser pai, uma vocação de evangelizar

“Quem ama pai ou mãe, mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37).

Certa vez, fazendo meu estudo bíblico no interior de uma capela, deparei-me com este versículo. Confesso que, a princípio, tais palavras me impactaram, pois Deus sabe o quanto amo meus dois filhos, o Jonas e a Beatriz, e agora o Senhor – de forma categórica – me “encosta na parede” com esse questionamento: “Afinal, a quem eu amo mais? A Jesus ou aos meus filhos?”.

No entanto, estando em oração no interior daquela capela, fui percebendo o Espírito Santo me conduzindo a enxergar este versículo bíblico a partir de um novo enfoque: não se trata de uma competição na qual, ao fim, se descobrirá quem realmente é o mais amado, quem tem a prioridade, o primeiro lugar em minha vida. Não. Penso que, aqui, a situação se resume essencialmente nisso: amar a Cristo mais do que tudo, ser um homem perdidamente apaixonado por Jesus, e assim tornar-me digno de receber tudo aquilo que Ele mesmo já preparou para mim.

Ser pai, uma vocação de evangelizar

Foto Ilustrativa: aldomurillo by GettyImages / cancaonova.com

O amor por Jesus e pelos filhos

Imaginemos a seguinte cena: uma família reunida ao redor da mesa para a refeição, sendo que um dos cinco filhos daquele casal foi aprovado para ingressar em uma instituição de ensino muito conceituada. A família inteira está em festa por causa dessa conquista, e decidem celebrar através de um grande banquete. Daí que os pais daquele jovem preparam a comida que ele mais gosta, ele tem o direito a ser servido primeiro, ele é homenageado na frente dos seus irmãos etc.

Por acaso, isso significa que os outros quatro filhos não são inteligentes e por isso não merecem algum reconhecimento por parte dos pais? Ou que eles não são amados e queridos pelos seus pais, a ponto deles tratarem os demais filhos de uma outra forma? Evidente que não! Mas a situação pedia algo diferenciado para aquele filho, um gesto de amor que ele pudesse traduzir como sendo só dele, único, pessoal, especial. Afinal, aquele filho fez por merecer!

Jesus é o Filho Unigênito do Pai. Com sua morte e ressurreição, Ele fez por merecer toda honra e toda glória. Portanto, o amor que tenho por Jesus deve ser único, pessoal, especial e diferente do amor que sinto pela minha esposa e pelos meus filhos. Não há razão para eu ficar nesse questionamento a quem eu mais amo. O amor a Cristo é um amor que não dá para se comparar! É um amor para toda a eternidade!

O que fica claro para mim, é que meu amor por Jesus também influencia o amor que dou a quem está ao meu redor. Quanto mais apaixonado por Jesus eu for, mais aqueles que convivem comigo serão beneficiados pela qualidade desse amor que eu vou dando.

O seu coração pertence a Deus

Veja bem que estou falando de pessoas e não de coisas. Pois é incoerente alguém ser apaixonado por Jesus e “amar” o dinheiro, a fama, o mundo… Essas coisas, na verdade, somente vêm para arrancar o lugar que é de Deus dentro do nosso coração. Isso quando nos entregamos apaixonadamente a elas. É a tal da idolatria!

Bom, daí você deve estar se perguntando: “Mas o que isso tem a ver com o título deste artigo?”. Tem tudo a ver! Pois, como pai que sou, trago junto com minha paternidade essa vocação, esse chamado a evangelizar meus filhos.

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Ter uma educação evangelizadora

Penso que a nossa evangelização como pais passa por esse crivo: Se somos ou não pais de família verdadeiramente apaixonados por Jesus. O resto é consequência!

E daí, cada “sim” e cada “não” que tivermos que dar aos nossos filhos, no processo de educá-los pra vida e evangelizá-los, será feito com uma “qualidade especial”: a qualidade de um amor verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo! Uma qualidade com a marca do Céu, capaz de fazer da nossa paternidade algo sagrado, belo e redentor.

Ser pai é uma linda vocação! Ao nos aproximarmos do Dia dos Pais, meu desejo é que mais do que ganhar presentes e homenagens, você que é pai se assuma como esse presente de Deus aos seus filhos. E que a santidade do seu lar seja ainda mais consolidada, porque, dentro da sua casa, existe um pai de família que se desdobra não somente para “pagar as contas” ou “trocar as lâmpadas queimadas”, mas com coragem se revela um homem cada vez mais apaixonado por Jesus Cristo.

Amar a Jesus transforma a vida de seus filhos

Resumindo: ame muito Jesus (e seus filhos precisam ver esse amor a Deus traduzido em gestos concretos), porque esse amor verdadeiramente evangeliza e atrai. Eu lhe asseguro que um homem que ora, adora, serve e se converte faz toda a diferença dentro do próprio lar, em especial na vida dos filhos.

Portanto, assumamos nossa vocação de pais evangelizadores, de pais apaixonados por Jesus, e que trazem consigo esse “selo de qualidade” celeste, autêntico selo de santidade. E pode acreditar: cada beijo, cada abraço seu, cada lição de vida, cada palavra que você disser terá uma nova unção e produzirá um efeito único na vida dos seus filhos. Faça a experiência!

A você, meu caro pai de família, apaixonado por Jesus Cristo, desejo um feliz e abençoado Dia dos Pais.

Alexandre Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova

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