vamos refletir?

Você conhece a escada de Jacó?

A função da escada

Neste tempo em que muitos vivem o confinamento devido à pandemia do COVID-19, em que suas atividades são restritas, ficando privados até mesmo da Santa Missa, que para nós cristão é o ponto alto da nossa vida, e em que os sacerdotes estão celebrando a Santa Missa “sozinhos”, cabe a nós católicos essa reflexão que um homem sábio fez e que eu, de certa forma, reinterpreto para você.

Caros amigos, acredito que você já tenha ouvido a passagem do livro do Gênesis, a qual se refere ao sonho que Jacó teve, em que ele sonhava com uma escada que ligava a Terra ao Céu (cf. Gn 28,10-19). A narrativa é mais ou menos a seguinte: Jacó estava em travessia de Bersabeia para Harã. Em determinado momento, ele vai dormir, pois já era noite. Jacó sonha “que uma escada se erguia sobre a Terra e o seu topo atingia o Céu, e anjos de Deus subiam e desciam por ela! Eis que Iahweh estava de pé diante dele e lhe disse: ‘Eu sou Iahweh, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. A terra sobre a qual dormiste, eu a dou a ti e à tua descendência’”. Podemos perceber a íntima relação que Deus teve com Jacó, fazendo-lhe a promessa de que toda aquela terra seria dele, e sua descendência seria numerosa, ou seja, uma promessa de prosperidade.

Você conhece a escada de Jacó?

Foto ilustrativa: MARHARYTA MARKO by Getty Images

A partir dessa passagem que relata essa escada que une a Terra ao Céu, e os anjos descem e sobem por ela, quero pedir licença para usar as palavras do venerável Fulton Sheen, por meio da qual ele afirma que o sacerdote é como essa escada de Jacó. Sim, o sacerdote é uma escada.

O sacerdote católico é como uma escada

Todo sacerdote é alguém que foi tirado do meio do povo e consagrado. A exemplo do Sumo Sacerdote, que é Cristo, ele se configura e realiza as mesmas funções de Cristo. O sacerdote é como aquela escada que traz Deus ao homem e que leva o homem a Deus. Fulton Sheen, ao comentar essa passagem de Gênesis, vai dizer: “Os anjos que sobem e descem representam uma das funções do sacerdote, cuja tarefa é levar sacrifícios e preces ao Céu, e trazer de volta à Terra graças e bênçãos”.

A vocação do sacerdote vem de Cristo, assim como toda a eficácia. Os sacramentos que o sacerdote administra, as verdades que são pregadas, as graças e bênçãos que são distribuídas, vem de Deus e passam pelo sacerdote. Ele se relaciona diretamente com o topo da escada; lá, ele encontra Deus e intercede por todo o povo.

O sacerdote, quando reza a Missa ou quando recita o Breviário, nunca o faz de forma individual. Aqui está um ponto importante: em cada Missa, mesmo quando o sacerdote, por algum motivo, está celebrando em sua capela “sem o povo”, ele nunca celebra sozinho, mas com a Igreja, intercedendo por ela e por aqueles que não fazem parte dela. As intenções da Missa alcançam mais do que aqueles pelas quais foram pedidas, mas abrangem o mundo inteiro.

A intercessão da Missa

Quando, no ofertório, são oferecidos o pão e o vinho, frutos do trabalho do homem, aqui está a incorporação de toda a assembleia no Sacrifício da Missa. Fulton Sheen ainda diz: “No ofertório, portanto, reunimos o mundo inteiro no estreito compasso de um prato e uma taça”.

Toda criação é, agora, remida pelo sacrifício redentor de Cristo, vivido nessa Santa Missa. Durante a elevação do Santíssimo Corpo e do Preciosíssimo Sangue de Cristo, estão “milhões de almas na China que ainda não conhecem Cristo. Quando o sacerdote toma a Hóstia nas mãos, olha para os dedos nodosos pela escravidão, nas minas de sal da Sibéria”, assim fala o venerável. O sacerdote eleva suas mãos ao céu, juntando-as às mãos de Cristo, que continua a interceder por nós.

Quando o sacerdote se une a Cristo, ele não está sozinho. Ela une todos os batizados, incorporados no Corpo Místico de Cristo e, de forma mais ampla, une toda a humanidade. Por isso, quando o sacerdote celebra a Santa Missa, com o povo ou sem o povo, ele se une à humanidade inteira, aos que estão comungando dos mistérios eucarísticos, aos que nem ao menos conhecem Cristo e também a toda criação.

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Somos o povo eleito e amado por Deus

No sonho que Jacó teve, aquela escada era o símbolo da conexão divina com o povo eleito. Deus, que habita no céu, desce para contemplar o povo eleito e amado por Ele. O sacerdote é, ao mesmo tempo, a escada que une Deus ao povo, é o embaixador do próprio Deus, sendo alter Cristus – outro Cristo –, é também vítima que se oferece pelo perdão do povo.

O sacerdote realiza, na celebração da Santa Missa, o perfeito ato de amor para com o povo de Deus. O sacerdote não poderia oferecer “à Terra um culto maior, mais santo, mais litúrgico, em que mais se pratique as virtudes da fé para com Cristo, de esperança, caridade, religião, de humildade e dons relativos ao Espírito santo”, escreve Garrigou-Lagrange, que o oferecimento da Santa Missa.

Somos o povo de Deus, o povo que o Senhor escolheu e fez Aliança conosco. Embora, atualmente, confinados em nossas casas, vivendo uma quarentena, “afastados” da Santa Missa, os sacerdotes não deixam de interceder por nós e de oferecer o mais perfeito sacrifício pela humanidade inteira, quando um único sacerdote celebra a Santa Missa, todos nós, povo de Deus e como visto até os que ainda não fazem parte do Corpo Místico de Cristo pelo batismo, assim como toda a criação, somos alcançados pelas graças desse sacramento.

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Ofereça também o seu sacrifício

Encerro, convidando a você a, neste tempo, oferecer também o seu sacrifício, a sua oração, realizar assim o seu ofertório espiritual dos dons que Deus lhe deu. Que possamos ter a certeza de que somos alcançados por cada Santa Missa que os sacerdotes estão celebrando, mesmo que “sozinhos”. O sacerdote, essa escada de Jacó, traz Deus a nós e leva nossas intenções para Ele.

Assim, “alcançamos graças por todos os benefícios divinos, isto é, pela criação e elevação do gênero humano à ordem da graça e da glória, pela Encarnação redentora, pela instituição da Eucaristia e as graças que dela procedem, pelas inúmeras Missas e comunhões celebradas durante vinte séculos para confortar as almas” (Garrigou-Lagrange).

Convido a você a rezar pelo seu pároco e pelos sacerdotes do mundo inteiro. Sejamos sustento espiritual para esses que são escada de Jacó para nós, para esses que unem o Céu a Terra.

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Fábio Nunes

Francisco Fábio Nunes
Natural de Fortaleza (CE), é missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP), Fábio Nunes é também Bacharelando em Teologia pela Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP) . Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários.

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