TU ÉS SACERDOTE POR QUE?

Não sou poeta, mas gosto de vez em quando tentar fazer versos que não são cobiçados por ninguém e que nem me colocam no reino dos poetas, que é reservado a poucas pessoas. Às vezes me obrigam a fazer orações que parecem poesias mas não são. Pedindo desculpas aos meus leitores quero fazer uma poesia e oferecê-la a todos os sacerdotes do mundo. Se servir muito bem, se não servir, paciência. É uma oferta e diz o povo que “cavalo doado não se olham os dentes”.

Sacerdote, por que tu és sacerdote?
Lembras quando o Senhor te chamou, tu relutaste;
Mas não teve jeito, foi um chamado;
Insistente, contínuo, que não pudeste;
Como Maria em Nazaré, dizer não aos tantos
Anjos que o mesmo Deus te enviou para te convencer
Que era necessário dizer SIM.

Um sim de entusiasmo, sofrido, mas foi um sim.
Que te levou longe de tua casa, de tua família…
Um grande adeus aos amigos, parentes;
Houve quem te olhasse como um estranho
E quem perguntasse com uma certa desconfiança
Que aconteceu?
Desilusões no amor? Falta de coragem para enfrentar a vida?
Medo de trabalhar? Ou simplesmente uma maluquice que
Não se entende…
Mas tu foste.

Caminhos e duras lutas e dificuldades, ou quem sabe tudo tranqüilo.
Caminhaste anos a fio sonhando, desejando.
Apareceram dificuldades e nuvens que ofuscaram por breves instantes
A beleza de tua vocação.
Pensaste em voltar atrás, em desistir,
Mas uma força dentro de ti te chamava,
Impulsionava a continuar o caminho.

Lembras? Caíste em tentações, sentiste que o ser sacerdote era maior do que tu,
Viste que o celibato não era doce e leve como imaginavas,
Que não era fácil obedecer aos homens,
E que tu não serias capaz de viver com poucas coisas.
Te debateste, choraste, mas o ideal do sacerdócio
Era mais forte e gritava dentro de ti…
Caminhaste e um dia subiste ao altar.
Foi festa, grito de alegria;
Todos estavam felizes por ti
Mas no momento em que tu estavas
Prostrado, sozinho, com o rosto por terra, uma lágrima
Nasceu, um soluço silencioso,
Uma angústia te pegou de surpresa.

Mas eras feliz, eras sacerdote para sempre!
Voz trêmula, desejo de ser, de te doar a todos,
Sem reserva.
E começou o teu caminho de entusiasmo e de amor.
Foste feliz; onde passavas deixavas rastros de amor e de felicidade,
Caminhaste, os anos se foram.

Novas dúvidas, novas solidões, novos momentos de martírio.
Olhaste com desejo de mártir, de apóstolo,
Os campos do teu apostolado…Mas também outras lágrimas e outros sonhos
Entraram dentro de ti…Mas tudo superaste
E continuaste o caminho, cada passo mais lento,
Mas não com menos amor.
Cada palavra mais pesada, mas não com menos entusiasmo,
Cada missa mais sofrida, mas não com menos sangue de mártir.

Tu és sacerdote para sempre…Embora que seja duro e pesado,
Sem mais o entusiasmo de então, não mais o fervor de ontem,
Mas com o mesmo amor, tu queres viver a tua adesão a Cristo.
Não tenhas medo, caminha, e um dia Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote
Te fará sentar à Sua direita, porque tu,
Sacerdote foste servo bom e fiel.

A você, meu irmão de sacerdócio, ofereço esta poesia. Não sei se é poesia esta oração, mas eu sei que escrevendo, rezei para mim e para ti.

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