Reconstrói a Minha Igreja!

– “Senhor, que queres que eu faça?”

– “Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Vai, pois, e restaura-a para mim.”

Quem já não ouviu falar da pobreza de Francisco de Assis?

Quem não conhece seu amor pelos pobres e leprosos?

Quem não o reconhece numa imagem, gravura ou pintura, de cabelo cortado em forma de coroa, hábito marrom com capuz, de pés descalços e um olhar absorto, de quem contempla a obra da criação de Deus?

Quem é este homem?

Francisco Bernadone: filho de rico e próspero comerciante, mas que, ao descobrir o tesouro que “nem a traça, nem os vermes arruinam, e que os ladrões não arrombam para roubar” (Mt 6, 19-21), abandona tudo, abraça a dor do Senhor Jesus, que vive nos pobres, nos leprosos, nos doentes do corpo e da alma.

Aquele dia, na pequena Igreja de São Damião, semidestruida pelo abandono, deixou – se fitar pelo olhar do Senhor, tão doce e amoroso… a sua voz parecia penetrar – lhe a alma, fazendo acender uma chama que lhe queimava o peito…

Disse – lhe o Senhor: “Não vês como está a minha Igreja? Está em ruínas. Vai, e reconstrói a minha Igreja”.

Naquele momento o Senhor fazia com que Francisco fosse sendo envolvido, conquistado, seduzido.

Desejava alcançar a glória, combatendo a guerra daquela época, entre Assis e Perugia, esperando vitórias, honras, aclamações… foi preso. Na prisão, viu-se como num espelho. Seu retrato estava ali: homem fraco, frágil, pequeno. Descobrir esta pequenez não é fácil. Mas não estava só, o Senhor estava com ele, dando – lhe forças.

Nisso nos identificamos com Francisco: somos fracos…descobrir a nossa fraqueza nos faz procurar um refúgio, uma fortaleza…

Aquele dia… aquele dia, em São Damião, o Senhor visitou Francisco.

Seus olhos estavam fitos nos olhos do Senhor, nada mais fazia sentido, tudo parecia tão sem valor diante do olhar de Jesus… foi assim que começou sua nova vida, não sem dor, sem sofrimento. De alguns recebia apoio e incentivo, de outros muito desprezo e zombaria. No entender da maioria, o filho de Pedro Bernadone havia perdido completamente o juizo! Louco sim… louco pela cruz, louco por Jesus… pobre, mendigo, São Francisco escolheu seguir o Cristo pobre, que não tem onde reclinar a cabeça nem o que comer… e o Cristo decidiu marcá-lo, para que todos vissem a imagem de sua imitação: em seu corpo aparecem, no fim da vida, as marcas do Crucificado. Aquele que seguiu a cruz, foi crucificado por amor, por amor de Cristo. As cinco chagas foram impressas no corpo de Francisco. Era o Senhor premiando o pobrezinho por tão grande amor.

A história desse homem é cheia do amor e da alegria. Tinha um imenso cuidado pela vida em todas as suas manifestações. Cada pessoa e cada coisa era saudada por ele como “irm㔠e “irmão”. O mundo para ele era a sua “casa”.

Francisco viveu no século XII, seu exemplo de vida no entanto é atualíssimo:

O “ Pobre de Deus” nos ensina que ser pobre não significa não possuir bens materiais, mas ser desprovido, desapropriado de si, para possuir Aquele que é Tudo. Num mundo materializado, onde a pessoa vale não pelo que é, senão pelo que tem, Francisco revela-nos o seu segredo: Amar. Só quem ama pode dar tudo!

Francisco de Assis, o mundo tem saudades de ti!

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